Ouvindo agora o cd (o dois em um da RecordRunner) do Crucis é a banda mais cult do hard-prog argentino. Que me perdoem os fãs do Aquelarre, do Pescado Rabioso e do Billy Bond, mas ninguém conseguiu unir melodia e peso como o Crucis. Los Delírios del Mariscal é o segundo disco (com a maravilhosa "No me Separen de Mi", faixa de abertura), e é mais procurado. Dá pra encontrá-lo em vinil nacional. Mas o primeiro (Crucis) é bem melhor. Trata-se de uma obra-prima absoluta do estilo. Pesada quando deve ser, virtuosistica na hora certa, melodiosa como poucas obras hard. Os destaques, pra não dizer o disco inteiro, vão para "todo tiempo posible", "la triste visión del entierro propio" e "irónico ser". Los Delirios é mais instrumental, um tanto mais lento também, mas ainda assim é um grande disco, dos melhores da época, com especial destaque para o jazz-rock de "pollo frito", além da primeira já citada.
dividir impressões musicais com outros melômanos. boa leitura! *****obra-prima - ****ótimo - ***bom - **hummm - *pfui - mico. agora valem as meias cotações.
quarta-feira, novembro 17, 2004
quarta-feira, outubro 27, 2004
Só lembrando que estou ausente deste blog porque estou acompanhando a Mostra BR de cinema. Comentários sobre os filmes em: www.chiphazard.blogspot.com
quinta-feira, outubro 21, 2004
Bizarra a coletânea Softcore Jukebox, compilada pelo simpático Ladytron. Um punhado de preferidas deles fazendo um coquetel eclético e irregular. Algumas faixas são desnecessárias, mas é interessante ver coisas tão díspares como My Bloody Valentine, The Fall, Nancy Sinatra e Shocking Blue num mesmo disco. Tem duas inéditas do Ladytron também, talvez para justificar o nome deles na capa. E as duas estão entre o que eles fizeram de melhor.
Impressionante como a banda Slade é fraca. Dentro do que se produziu na época eles não alcançam nem o décimo escalão. Tirando os discos Nobody's Fool (o melhor deles), e o Old New Borrowed and Blue (o segundo melhor), o máximo que eles conseguem é uns dois acertos por disco. O amigo Bento costuma brigar comigo quando falo que Nazareth é bem melhor, mas nem é necessário tanto. WASP é bem melhor. E olha que é quinto escalão do metal.
quinta-feira, setembro 30, 2004
Bury provocou, e eu caí:
cotações Manowar:
Battle Hymns (1982) * * * * *
Into Glory Ride (1983) * * *1/2
Hail to England (1983) * * * *
Sign of the Hammer (1984) * * *
Fighting the World (1987) *1/2
Kings of Metal (1988) * *
Triumph of Steel (1992) * *1/2
Louder than Hell (1996) * *1/2
Hell on Wheels (1997) * * *
Hell on Stage (1999) * *
Warriors of the World (2002) * *
cotações Manowar:
Battle Hymns (1982) * * * * *
Into Glory Ride (1983) * * *1/2
Hail to England (1983) * * * *
Sign of the Hammer (1984) * * *
Fighting the World (1987) *1/2
Kings of Metal (1988) * *
Triumph of Steel (1992) * *1/2
Louder than Hell (1996) * *1/2
Hell on Wheels (1997) * * *
Hell on Stage (1999) * *
Warriors of the World (2002) * *
quarta-feira, setembro 29, 2004
Estava pensando outro dia na decadência dos artistas nacionais no começo dos anos 80. Com a chegada dos sintetizadores ao pop brazuca, os artistas da MPB resolveram aderir e fizeram, na maioria das vezes, discos pavorosos. Moraes Moreira, Zé Ramalho, Guilherme Arantes, Amelinha, Fagner, Belchior, A Cor do Som, e inúmeros outros caras de talento sucumbiram à ditadura dos arranjos Lincoln Olivetti, com aquelas teclas de som de elevador. Mesmo Djavan, que vinha de grandes discos, e Jorge Ben, que dispensa comentários, fizeram troços vergonhosos. Djavan fez Lilás, seu sucesso de vendas, e pior disco, o que prova que daninho por daninho, o estilo musak iria imperar por mais tempo na MPB. Jorge Ben fez discos pavorosos nos 80, se recuperando parcialmente depois da mudança para Jorge Benjor, e a adoção de vez do funk elétrico.
Caetano continuou sem decepcionar. Incorporou brilhantemente a nova sonoridade na obra-prima Outras Palavras (1981 * * * * *), e seguiu com discos excelentes como Uns (1983* * * *) e Velô (1984 * * * *1/2). Gil foi mal, fazendo apenas Raça Humana de interessante no período. E Tim Maia nem se fala, limitando-se às melodias de efeito de Sullivan e Massadas, sem inspiração para manter os LPs no mesmo nível. Sem tempo para pesquisar, arrisco dizer que foi essa indefinição que estagnou o pop nacional durante esses anos, e responsável por uma safra que, apesar de redefinir os rumos da MPB através de pesquisas com sonoridades legitimamente brasileiras (e falo aqui de caras como Zeca Baleiro e Lenine), enterrou qualquer possibilidade de avanço, deixando a MPB nesse nicho patético em que ela se encontra hoje. Claro que existem as exceções, o próprio Zeca vem melhorando e aprendendo com os erros. Mas é triste que João Bosco, Caetano Veloso, Djavan, Chico Buarque e Milton Nascimento continuem a ser as melhores esperanças de grandes discos ainda por vir. Da safra nova, não espero migalhas. Salvo as exceções, que de tão inexpressivas, fogem da memória.
Caetano continuou sem decepcionar. Incorporou brilhantemente a nova sonoridade na obra-prima Outras Palavras (1981 * * * * *), e seguiu com discos excelentes como Uns (1983* * * *) e Velô (1984 * * * *1/2). Gil foi mal, fazendo apenas Raça Humana de interessante no período. E Tim Maia nem se fala, limitando-se às melodias de efeito de Sullivan e Massadas, sem inspiração para manter os LPs no mesmo nível. Sem tempo para pesquisar, arrisco dizer que foi essa indefinição que estagnou o pop nacional durante esses anos, e responsável por uma safra que, apesar de redefinir os rumos da MPB através de pesquisas com sonoridades legitimamente brasileiras (e falo aqui de caras como Zeca Baleiro e Lenine), enterrou qualquer possibilidade de avanço, deixando a MPB nesse nicho patético em que ela se encontra hoje. Claro que existem as exceções, o próprio Zeca vem melhorando e aprendendo com os erros. Mas é triste que João Bosco, Caetano Veloso, Djavan, Chico Buarque e Milton Nascimento continuem a ser as melhores esperanças de grandes discos ainda por vir. Da safra nova, não espero migalhas. Salvo as exceções, que de tão inexpressivas, fogem da memória.
Ouvindo o disco The Church (1988 * * * *), o famoso disco de capa branca que contém o maior hit do grupo: "Under the Milky Way", que é uma das mais fracas do disco. Não se trata de falar mal do que é mais conhecido. Quem me conhece sabe que eu abomino essa prática. Mas como querer que o hit citado chegue aos pés da faixa de abertura do mesmo disco, a fenomenal "Destination". Ou da levada folky de uma das mais belas melodias existentes, a da canção "Antenna". Nem é um dos melhores dessa bandaça, mas é muito bom de ouvir.
quarta-feira, setembro 15, 2004
Este blog ainda vai virar só de cotações.
Duran Duran sim...e daí?
Duran Duran (1981) * * * * *
Rio (1982) * * * * *
Seven and Ragged Tiger (1983) * * * * 1/2
Arena (1984) * *
Notorious (1986) * * * * 1/2
Big Thing (1988) * *
Liberty (1990) *
The Wedding Album (1993) * * *
Thank You (1995) * *
Meddazland (1997) * * *
Big Trash (2000) * *
Projetos:
Arcadia- So Red the Rose (1985) * * * * 1/2
Power Station (1985) * * *
Duran Duran sim...e daí?
Duran Duran (1981) * * * * *
Rio (1982) * * * * *
Seven and Ragged Tiger (1983) * * * * 1/2
Arena (1984) * *
Notorious (1986) * * * * 1/2
Big Thing (1988) * *
Liberty (1990) *
The Wedding Album (1993) * * *
Thank You (1995) * *
Meddazland (1997) * * *
Big Trash (2000) * *
Projetos:
Arcadia- So Red the Rose (1985) * * * * 1/2
Power Station (1985) * * *
sábado, agosto 28, 2004
sábado, agosto 21, 2004
Não sou expert, mas as melhores prensagens de Beatles são as com capa sanduíche, de preferência as que vem em MONO, e de preferência as de selo branco (que se não me engano vão até o Sgt. Peppers). Ouço agora uma prensagem estéreo (com selo amarelo escuro) do Revolver. Bela prensagem, com alguns chiadinhos cultivados pelo tempo, mas nada muito sério. Se comparadas às prensagens dos anos 70 e 80, principalmente do comecinho da década de 80, ou final dos anos 70 (aquelas de selo azul claro, e que vinham com um encarte com toda a discografia), as de capa sanduiche dão de 10. Bem mais altas e nítidas. Claro, estou falando de prensagens nacionais (fabricação Odeon, em São Bernardo ou Fonobrás). Na gringolândia é outra história. Aliás, o preconceito é coisa séria nesse ramo. Vinil francês, e o espanhol em menor escala, é superior ao americano, e muito, muito superior ao alemão. Vinil alemão geralmente se enche de chiados com o tempo, mas claro, nada que o manuseio cuidadoso não consiga evitar. Mas aí já saí da seara beatlemaníaca.
Ten Years After sendo procurado pelos adolescentes é algo pra se comemorar. Bandaça, com pelo menos três discos essenciais: Cricklewood Green, de 1970 (e a meu ver, o melhor), Space in Time (1971) e Rock 'n' Roll Music to the World (1972). O primeiro desses (quinto da banda)sedimentou o blues pesado que eles vinham fazendo e abriu caminho para outros estilos que deflorariam com maestria em Space in Time. RnRMttW segue na mesma vertente, mas é menos acessível, mais esquisitão e irregular. Ainda assim, por vários momentos é um disco genial. Watt e Positive Vibrations também merecem destaque na discografia. Meu irmão diz aqui que eu adorava o Undead (1968), mas, sinceramente, não lembro. Só lembro que nunca gostei do primeiro deles (Ten Years After, de 1967)
domingo, agosto 08, 2004
Na nova revista Mosh, deu Queen em primeiro lugar na lista de piores discos de rock. Claro, o escolhido foi o medonho Hot Space, com funks de quinta e tecladinho new-wave de fazer corar quem aprendeu a tocar num velho hering de brinquedo. "Under Pressure", tentativa do genial Bowie de salvar o Queen do vezame, não consegue redimir o fiasco. Acho que o único disco da banda pós The Game que chega perto de ser alguma coisa é o The Miracle. Mas só chega perto.
quarta-feira, julho 28, 2004
Escutando Clinic, Walking With Thee, um impressionante coquetel de elementos eletrônicos com punk e experimentalismo. Um refrão que repete "no", com paradinha e tudo, dentro de uma canção com andamento francamente dançante (na faixa título). Um ruído que se torna delicioso de tão equivocado e arriscado. "The Equalizer", a segunda, é algo entre os Residents e Sonic Youth. E o disco ainda tem pós-punk e progressivo em doses muito equilibradas. Um dos discos mais instigantes deste novo século.
É realmente uma obra-prima o primeiro LP do Tears For Fears, The Hurting. O que torna mais impressionante a decadência da banda nos dois álbuns seguintes (os que vieram depois de Seeds of Love eu precisaria reouvir para opinar). The Hurting já começa com uma trinca de melodias belíssimas: começando com a tristeza de "The Hurting", com andamento meio lúgubre e misterioso; segue com "Mad World", uma inacreditável melodia baseada na repetição e em üma seqüência primária de notas, como no início do tecno-pop, mas que funciona incrivelmente bem; terminando com a terceira faixa do disco, a monumental "Pale Shelter", hino do pop eletrônico cuja melodia assobiável reina ao lado de um teclado predominantemente triste, como de resto eram tristes todos aqueles tecno-pops. O disco segue com outras pérolas como "Memories Fade", "Whatch me Bleed" e a irmã de "Pale Shelter", "Change". Além da horror-pop "The Prisoner", canção estranha e carregada de efeitos sombrios, como o coro que interage com o teclado. Disco fundamental para quem gosta do bom pop dos anos 80.
quarta-feira, julho 21, 2004
Reouvindo Van der Graaf Generator (a obra-prima H to He) e percebendo o quanto o som de Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé, é devedor da poesia de Peter Hammill em torno do saxofone distorcido de David Jackson. Outros dois discos do VdGG completam uma trilogia metafísica (inconsciente, mas muito coesa): The Least We Can Do is a Wave to Each Other e Pawn Hearts. O primeiro é o que sedimentou o estilo da banda, muito imitado por bandas como Still Life (que existia antes do disco do VdGG), Raw Material e Gnidrolog. O segundo é considerado um dos discos mais influentes do progressivo, mas essa influência nem é tão óbvia, apesar de fortemente sensível em bandas díspares como Genesis, Camel, Curved Air, além das anteriormente citadas. O barulho dos navios batendo em Pawn Hearts, efeitos acoplados à bateria, e as partes lentas e melodiosos de qualquer dos três discos, de uma beleza que leva às lágrimas, sempre, são momentos que provam que Hammill é, sim, um gênio.
segunda-feira, julho 19, 2004
quarta-feira, julho 14, 2004
Ouvi hoje também, pela primeira vez, o novo do The Cure, com o criativo nome de...The Cure. A capa infantilóide diz muito da paralisia criativa de Robert Smith, e o disco está muito aquém de quem já fez Pornography, The Top ou Desintegration. Acho que o Cure deveria ter encerrado a carreira com o bom Wish, seria um último suspiro digno do passado da banda. Claro, tudo isso pode mudar com a inevitável reaudição. Mas acho difícil que isso aconteça. Apostas?
terça-feira, julho 13, 2004
É impressionante como é fraco o segundo disco dos Inspiral Carpets (The Beast Inside, 1992 **). Nem consegui reouví-lo inteiro no mesmo dia. Tive que tentar no dia seguinte. Impressionante como só a faixa "Grip", a quinta, está no mesmo nível do excelente primeiro LP (Life, 1990 ****1/2). No terceiro (Devil's Hoping, 1994 ***1/2) eles ensaiam uma volta à energia criativa do debut, em um disco que tem seus grandes momentos, e é deliciosamente equivocado. Não lembro o que eles fizeram depois, nem se cheguei a conhecer (o All Music Guide está fora do ar, ou muito difícil de carregar), as datas e nomes dos discos vieram da minha memória, então quem quiser correção de informações tem que checar em outro lugar. E discutir aqui, evidentemente.
terça-feira, julho 06, 2004
Talvez tenha ficado nas entrelinhas que eu não gosto de Cardigans. Ledo e Ivo engano (ok...trocadilho batido, mas um dia eu tinha que escrever). Desde Life, o lançamento americano de Emerdale, com poucas faixas diferentes (se não me engano, duas), até Gran Turismo, a obra-prima, desbunde pop com melodias de um potencial grudento inigualável, com pequenas e certeiras doses de eletrônica (elemento crescente em sua carreira até então). Passando pela deliciosa indecisão conceitual que foi o First Band on the Moon, álbum irregular, mas que, de resto, responde pela inclusão de uma faixa antológica: "Lovefool", faixa que redefiniu o termo lounge. Termo, aliás, tacanho do qual eles fizeram muito bem em tentar se desvencilhar. Só que deram um passo bem equivocado em Long Gone Before Daylight, que parece um Cowboy Junkies tentando soar como Pretenders. Mas espero anciosamente pela reviravolta, uma tentativa de abandonar a pecha de reis do lounge por outra porta, a da experimentação, outro fator sempre presente nos antigos álbuns, mas nunca perto de se tornar soberano.
sábado, julho 03, 2004
Para quebrar o jejum de posts, mando um pequeno texto do meu irmão, Ricardo Alpendre, sobre a importante data de 5 de julho. O texto não chega nem perto da picaretagem usual deste blog (pois é bem escrito), e meu irmão é livre para escrever aqui sempre que a preguiça não o vencer.
Aqui está:
Há exatos cinqüenta anos, completados nesta segunda-feira, 5 de julho, o jovem Elvis Aaron Presley, ainda a um ano e meio de se tornar Elvis The Pelvis, gravou a música “That’s All Right” de Arthur Crudup. 1954. Segunda-feira, como esta. Elvis, fã de blues desde sempre, gravaria ainda outras duas do bluesman Crudup até início de 1956. Não é que o Rock & Roll nasceu ali naquela hora: havia anos os rhythm & blues dos negros já podiam ser chamados como tal; e tanto quanto se pode dizer rock & roll acústico, “They’re Red Hot” de Robert Johnson (1937) e coisas do gênero já poderiam entrar na categoria. O que fizeram Elvis, Scotty Moore (guitarra) e Bill Black (baixo), então, foi acender o curtíssimo pavio do explosivo Rockabilly e do Rock & Roll de Memphis. Além de colocar sua carreira nos trilhos a mil por hora, Elvis punha no mapa o selo Sun Records, com o proprietário e produtor Sam Phillips. Além, é claro, de legitimar o Rock como um gênero musical para os Estados Unidos e depois o mundo. Foi há 50 anos.
Na verdade, foi hoje também, acontece todo dia. É como na fala de Tommy Lee Jones em MIB: Men In Black: “Elvis não morreu... foi para casa.”
Ricardo Alpendre
www.czpublicidade.com/tomada
Aqui está:
Há exatos cinqüenta anos, completados nesta segunda-feira, 5 de julho, o jovem Elvis Aaron Presley, ainda a um ano e meio de se tornar Elvis The Pelvis, gravou a música “That’s All Right” de Arthur Crudup. 1954. Segunda-feira, como esta. Elvis, fã de blues desde sempre, gravaria ainda outras duas do bluesman Crudup até início de 1956. Não é que o Rock & Roll nasceu ali naquela hora: havia anos os rhythm & blues dos negros já podiam ser chamados como tal; e tanto quanto se pode dizer rock & roll acústico, “They’re Red Hot” de Robert Johnson (1937) e coisas do gênero já poderiam entrar na categoria. O que fizeram Elvis, Scotty Moore (guitarra) e Bill Black (baixo), então, foi acender o curtíssimo pavio do explosivo Rockabilly e do Rock & Roll de Memphis. Além de colocar sua carreira nos trilhos a mil por hora, Elvis punha no mapa o selo Sun Records, com o proprietário e produtor Sam Phillips. Além, é claro, de legitimar o Rock como um gênero musical para os Estados Unidos e depois o mundo. Foi há 50 anos.
Na verdade, foi hoje também, acontece todo dia. É como na fala de Tommy Lee Jones em MIB: Men In Black: “Elvis não morreu... foi para casa.”
Ricardo Alpendre
www.czpublicidade.com/tomada
sábado, junho 19, 2004
Da série "ninguém vai ler, e quem ler vai se perguntar: what the fuck?"
ELO, ou a genialidade de Jeff Lynne - parte 2
Electric Light Orchestra (1971) ****
Uma estréia que agrada aos psicodélicos e aos proggers. A mistura ainda era decidida, muito bem arranjada com suas camadas de tons fortes. "Mr.Radio", "10508 Overture" e "Nellie Takes a Bow" provam que a junção de dois talentos (Roy Wood e Jeff) não iria durar. São músicas que pertencem a mesma concepção, mas apontam para caminhos divergentes.
Electric Light Orchestra 2 (1972) ****1/2
Se não fosse a versão correta, mas desnecessária de "Roll Over Bethoven", este disco seria uma obra-prima. Não por ser o mais progressivo da banda, mas porque Jeff, agora livre para impor sua maneira de conceber canções, resolveu inverter o que se esperava e compôs canções viajantes, como Wood queria, mas construídas com forte apêlo melódico e comercial. Dessa indecisão surgiu um belo disco space prog. Basta ver que o segundo lado tem só duas músicas, as melhores do disco: "Kuyama" e "From the sun to the World".
On the Third Day (1973) ****1/2
Discaço que acentua o lado comercial buscado por Lynne, sem abandonar os devaneios space prog do segundo disco. Apenas eles aparecem mais formatados, em canções mais curtas. Tem uma seqüência de tirar o fôlego, que começa com "Showdown" e termina com "Dreaming of 4000". São quatro faixas geniais que comprovam o talento e o direcionamento buscado por Lynne. Tem "No Not Susan" também, a canção mais John Lennon que já ouvi (bom...até "Can't Get it Out of My Head", do LP Eldorado)
Eldorado (1974) **1/2
Um disco indeciso, meio continuação do anterior sem nada acrescentar. Seria piloto automático, não fosse a incapacidade de Lynne de deixar de se envolver com uma busca pela melodia perfeita (ok, quantas vezes você já viu eu escrever isso?). "Mister Kingdon" e´"Boy Blue" são as melhores.
Face the Music (1975) ***1/2
Mais um disco indeciso, ainda que sensivelmente melhor que Eldorado. Falta coesão, mas as melodias voltaram a ser inspiradas como em On the Third Day. Ouça "Strange Magic" e "One Summer Dream", duas das melhores canções de Lynne. Mas tem também "Evil Woman", que prenuncia a recaída Disco Music do disco seguinte em alto estilo. Infelizmente tem "Fire on High", abertura eruditóide e equivocada, eles fizeram muitas, mas nenhuma incomoda como essa.
A New World Record (1976) *****
Há há...o disco que tem "Livin' Thing", o maior sucesso comercial do grupo. Todo mundo conhece, e quase todo mundo tem vergonha de dizer que gosta. O inegável é que a melodia dessa música gruda como uma geleca assassina, e faz com que você fique prisioneiro do refrão emoldurado pelas cordas agudas. Clássico do pop safado, mas metido a sério, de Lynne. O resto do disco seguraria as cinco estrelas mesmo sem a irmã famosa. Pô..."Above the Clouds" tem os backing vocals mais geniais daqueles tempos, e "Rockaria", o casamento perfeito entre a erudição dos arranjos e a inspiração Buddy Holly com Roy Orbison de Lynne. Fora a citação de Easybeats na genial "Telephone Line", a abertura potente com "Tightrope", a batida bate estaca de "So Fine"...um clássico.
Out of the Blue (1977) *****
Álbum duplo sem um sulco supérfluo sequer. De baladas e batidas 4x4 segue o maravilhoso mundo de Jeff Lynne. A abertura do disco, a direta e dançante "Turn to Stone" dá o tom, alternando com baladas como a tocante "It's Over", a segunda do disco, que tem uma das letras mais lindas sobre desilusão amorosa que já ouvi (sim, porque a conjunção entre o que ele canta e como canta é genial, coisa de arrepiar mesmo), fora a batida de "If I Fell" (dos Beatles). "Mr. Blue Sky" está na trilha da nova peraltice escrita por Charlie Kaufman para o cinema, permeia todo o trailer, talvez seja descoberta como uma das mais geniais peças do revival dos anos 50s pelos anos finais dos 70s. E o rock 'n' roll segue pulsante com "Birminghan Blues". Um dos grandes discos de todos os tempos.
Discovery (1979) ***
Entressafra brava. Depois de Out of the Blue, qualquer disco seria decepcionante, mas Discovery soa como ducha de água fria na primeira audição. Ouvindo com calma, percebe-se que a genialidade de Lynne bate ponto em pelo menos três músicas: "Wishing", com a volta dos backing vocals inspiradíssimos; "Diary of Horace Wimp", pela brilhante combinação de letra e melodia; e a indefectível "Last Train to London", canção que fez bem mais sucesso no Brasil que no resto do mundo, a ponto de ter ficado de fora de várias coletâneas, inclusive de uma dupla, bem abrangente da carreira do grupo.
Xanadu (1980) ***
Tirando o delicioso guilty pleasure que é o lado de Olivia Newton John, o lado do ELO é bem bacana, ainda que nada acrescente ao repertório do grupo. "I'm Alive" é o destaque.
Time (1981) ****1/2
O disco que tem a introdução do robozinho. Como tocava nas rádios brasileiras a brilhante e deliciosamente brega "Twilight" e com o prólogo, limado das rádios no resto do mundo. Brasileiros têm bom ouvido para o pop (isso me lembra que a melhor versão de Skyline Pidgeon, de Elton John, só fez sucesso no Brasil). O disco ainda tem a bela "Ticket to the Moon", uma balada que pode levar às lágrimas, com vocal adocicado na medida. E ainda tem as geniais "Here is the News", "Rain is Falling" e "21st Century Boy".
Secret Messages (1983) ****
Um disco que segue Time em muitos pontos, mas parece apontar para uma estafa criativa. Seus momentos bons, entretanto, são tão bons, que garantem o interesse. Na verdade, quase tudo que entrou no disco é muito bom. É que a intenção era fazer outro álbum duplo, idéia abortada pela gravadora, com Lynne concordando, já que as extra tracks são decepcionantes e bem mais fracas que qualquer coisa que entrou para o disco. Destaques: Secret Messages, Train of Gold, Four Little Diamonds e Danger Ahead.
Balance of Power (1986) *
Um desastre. Só "Getting to the Point" se salva, o que é muito pouco.
Zuma (2000) ****
Creditado como ELO, mas na verdade um disco solo de Jeff Lynne, tão bom quanto o festejado Armchair Theatre (de 1991 ****). Como não tenho o disco em mãos, não lembro quais as melhores, mas deve-se salientar que a mão de Lynne está muito boa.
Esqueçam a segunda incarnação da banda, sem Jeff Lynne, e que fez shows pelo Brasil (com Lynne aparecendo nas fotos promocionais - santa picaretagem).
ELO, ou a genialidade de Jeff Lynne - parte 2
Electric Light Orchestra (1971) ****
Uma estréia que agrada aos psicodélicos e aos proggers. A mistura ainda era decidida, muito bem arranjada com suas camadas de tons fortes. "Mr.Radio", "10508 Overture" e "Nellie Takes a Bow" provam que a junção de dois talentos (Roy Wood e Jeff) não iria durar. São músicas que pertencem a mesma concepção, mas apontam para caminhos divergentes.
Electric Light Orchestra 2 (1972) ****1/2
Se não fosse a versão correta, mas desnecessária de "Roll Over Bethoven", este disco seria uma obra-prima. Não por ser o mais progressivo da banda, mas porque Jeff, agora livre para impor sua maneira de conceber canções, resolveu inverter o que se esperava e compôs canções viajantes, como Wood queria, mas construídas com forte apêlo melódico e comercial. Dessa indecisão surgiu um belo disco space prog. Basta ver que o segundo lado tem só duas músicas, as melhores do disco: "Kuyama" e "From the sun to the World".
On the Third Day (1973) ****1/2
Discaço que acentua o lado comercial buscado por Lynne, sem abandonar os devaneios space prog do segundo disco. Apenas eles aparecem mais formatados, em canções mais curtas. Tem uma seqüência de tirar o fôlego, que começa com "Showdown" e termina com "Dreaming of 4000". São quatro faixas geniais que comprovam o talento e o direcionamento buscado por Lynne. Tem "No Not Susan" também, a canção mais John Lennon que já ouvi (bom...até "Can't Get it Out of My Head", do LP Eldorado)
Eldorado (1974) **1/2
Um disco indeciso, meio continuação do anterior sem nada acrescentar. Seria piloto automático, não fosse a incapacidade de Lynne de deixar de se envolver com uma busca pela melodia perfeita (ok, quantas vezes você já viu eu escrever isso?). "Mister Kingdon" e´"Boy Blue" são as melhores.
Face the Music (1975) ***1/2
Mais um disco indeciso, ainda que sensivelmente melhor que Eldorado. Falta coesão, mas as melodias voltaram a ser inspiradas como em On the Third Day. Ouça "Strange Magic" e "One Summer Dream", duas das melhores canções de Lynne. Mas tem também "Evil Woman", que prenuncia a recaída Disco Music do disco seguinte em alto estilo. Infelizmente tem "Fire on High", abertura eruditóide e equivocada, eles fizeram muitas, mas nenhuma incomoda como essa.
A New World Record (1976) *****
Há há...o disco que tem "Livin' Thing", o maior sucesso comercial do grupo. Todo mundo conhece, e quase todo mundo tem vergonha de dizer que gosta. O inegável é que a melodia dessa música gruda como uma geleca assassina, e faz com que você fique prisioneiro do refrão emoldurado pelas cordas agudas. Clássico do pop safado, mas metido a sério, de Lynne. O resto do disco seguraria as cinco estrelas mesmo sem a irmã famosa. Pô..."Above the Clouds" tem os backing vocals mais geniais daqueles tempos, e "Rockaria", o casamento perfeito entre a erudição dos arranjos e a inspiração Buddy Holly com Roy Orbison de Lynne. Fora a citação de Easybeats na genial "Telephone Line", a abertura potente com "Tightrope", a batida bate estaca de "So Fine"...um clássico.
Out of the Blue (1977) *****
Álbum duplo sem um sulco supérfluo sequer. De baladas e batidas 4x4 segue o maravilhoso mundo de Jeff Lynne. A abertura do disco, a direta e dançante "Turn to Stone" dá o tom, alternando com baladas como a tocante "It's Over", a segunda do disco, que tem uma das letras mais lindas sobre desilusão amorosa que já ouvi (sim, porque a conjunção entre o que ele canta e como canta é genial, coisa de arrepiar mesmo), fora a batida de "If I Fell" (dos Beatles). "Mr. Blue Sky" está na trilha da nova peraltice escrita por Charlie Kaufman para o cinema, permeia todo o trailer, talvez seja descoberta como uma das mais geniais peças do revival dos anos 50s pelos anos finais dos 70s. E o rock 'n' roll segue pulsante com "Birminghan Blues". Um dos grandes discos de todos os tempos.
Discovery (1979) ***
Entressafra brava. Depois de Out of the Blue, qualquer disco seria decepcionante, mas Discovery soa como ducha de água fria na primeira audição. Ouvindo com calma, percebe-se que a genialidade de Lynne bate ponto em pelo menos três músicas: "Wishing", com a volta dos backing vocals inspiradíssimos; "Diary of Horace Wimp", pela brilhante combinação de letra e melodia; e a indefectível "Last Train to London", canção que fez bem mais sucesso no Brasil que no resto do mundo, a ponto de ter ficado de fora de várias coletâneas, inclusive de uma dupla, bem abrangente da carreira do grupo.
Xanadu (1980) ***
Tirando o delicioso guilty pleasure que é o lado de Olivia Newton John, o lado do ELO é bem bacana, ainda que nada acrescente ao repertório do grupo. "I'm Alive" é o destaque.
Time (1981) ****1/2
O disco que tem a introdução do robozinho. Como tocava nas rádios brasileiras a brilhante e deliciosamente brega "Twilight" e com o prólogo, limado das rádios no resto do mundo. Brasileiros têm bom ouvido para o pop (isso me lembra que a melhor versão de Skyline Pidgeon, de Elton John, só fez sucesso no Brasil). O disco ainda tem a bela "Ticket to the Moon", uma balada que pode levar às lágrimas, com vocal adocicado na medida. E ainda tem as geniais "Here is the News", "Rain is Falling" e "21st Century Boy".
Secret Messages (1983) ****
Um disco que segue Time em muitos pontos, mas parece apontar para uma estafa criativa. Seus momentos bons, entretanto, são tão bons, que garantem o interesse. Na verdade, quase tudo que entrou no disco é muito bom. É que a intenção era fazer outro álbum duplo, idéia abortada pela gravadora, com Lynne concordando, já que as extra tracks são decepcionantes e bem mais fracas que qualquer coisa que entrou para o disco. Destaques: Secret Messages, Train of Gold, Four Little Diamonds e Danger Ahead.
Balance of Power (1986) *
Um desastre. Só "Getting to the Point" se salva, o que é muito pouco.
Zuma (2000) ****
Creditado como ELO, mas na verdade um disco solo de Jeff Lynne, tão bom quanto o festejado Armchair Theatre (de 1991 ****). Como não tenho o disco em mãos, não lembro quais as melhores, mas deve-se salientar que a mão de Lynne está muito boa.
Esqueçam a segunda incarnação da banda, sem Jeff Lynne, e que fez shows pelo Brasil (com Lynne aparecendo nas fotos promocionais - santa picaretagem).
quinta-feira, junho 17, 2004
Electric Light Orchestra: o preconceito que a maravilhosa banda de Jeff Lynne sempre sofreu parece que se arrefeceu em algum momento nos anos 90. O filme Boogie Nights se encerra com um de seus hits (fui motivo de gozação por isso - pô, logo na hora que o cara mostra o documento vão tocar uma banda que eu adoro...), a revista Mojo colocou Out of the Blue entre os melhores discos dos anos 70, Macca capitulou às insistências de George (que já havia trabalhado com a produção do mago Lynne) para a escolha do produtor da série Anthology (adivinhem quem...). Falta ainda reconhecer o quanto a banda seguiu nos caminhos traçados pelos Beatles, e pavimentados por Raspberries, Badfinger, Moody Blues e outros. ELO é "wall of sound". ELO é a batida quatro por quatro, o desbunde da Disco Music em sua versão mais roqueira, ELO é, acima de tudo, a deliciosa levada de "If I Fell" (do A Hard Day's Night) relida, estudada e redimensionada. As letras falam de ritos de passagem, de dificuldades nos relacionamentos. "Starlight", "Strange Magic", "It's Over", "Mr. Blue Sky", "Diary of Horace Wimp", "Twilight", "Turn to Stone", "One Summer Dream", "Mr.Radio", "Kuyama", "Showdown"...clássicos do power pop que deveriam fazer parte do repertório da festa da Contracampo, mas acho que o Ruy não deixaria.
quarta-feira, junho 16, 2004
Na revista Mosh que está prestes a ser lançada, foi requisitada uma lista dos 50 piores discos de rock pop já feitos. Claro que privilegiamos (a lista foi assinada pela Jardim Elétrico, ou seja, eu e meu irmão) discos de bandas que gostamos, pra ficar mais picante a seleção. Ei-la:
(sem ordem de "preferência")
1- Cardigans - long gone before daylight
2- manowar - fighting the world
3- judas priest - turbo
4- suede - a new morning
5- beach boys - beach boys (1985)
6- earth wind & fire - touch the world
7- santana - shaman
8- rolling stones - undercover
9- clash - cut the crap
10- queen - innuendo
11- grand funk - grand funk lives
12- yes - tormato
13- cirith ungol - prêmio especial para o conjunto da obra
14- metallica - st. anger
15- red hot chili peppers - by the way
16- status quo - spare parts
17- duran duran - liberty
18- black sabbath - headless cross
19- iron maiden - x factor
20- paul mccartney - give my regards to brodway street
21- george harrison - gone troppo
22- u2- pop
23- scorpions - eye 2 eye
24- van halen - III
25- genesis - calling all stations
26- gentle giant - giant for a day
27- king crimson - three of a perfect pair
28- neil young - landing on water
29- david bowie - never let me down
30- eric clapton - august
31- massive attack - 100th window
32- cocteau twins - four calendar cafe
33- oasis - be here now
34- ozzy osbourne - the ultimate sin
35- elvis - o seresteiro de acapulco
36- renaissance - time line
37- ac/dc - blow up your video
38- uriah heep - equator
39- stevie wonder - characters
40- kansas - the spirit of things
41- rush - roll the bones
42- jethro tull - A
43- deep purple - bananas
44- camel - a single factor
45- eloy - oceans 2
46- doobie brothers - one step closer
47- dream theater - awake
48- helloween - keeper of the seven keys part 2
49- the cult - sonic temple
50- engenheiros do hawaii - o papa é pop
Ofensas serão compreendidas.
(sem ordem de "preferência")
1- Cardigans - long gone before daylight
2- manowar - fighting the world
3- judas priest - turbo
4- suede - a new morning
5- beach boys - beach boys (1985)
6- earth wind & fire - touch the world
7- santana - shaman
8- rolling stones - undercover
9- clash - cut the crap
10- queen - innuendo
11- grand funk - grand funk lives
12- yes - tormato
13- cirith ungol - prêmio especial para o conjunto da obra
14- metallica - st. anger
15- red hot chili peppers - by the way
16- status quo - spare parts
17- duran duran - liberty
18- black sabbath - headless cross
19- iron maiden - x factor
20- paul mccartney - give my regards to brodway street
21- george harrison - gone troppo
22- u2- pop
23- scorpions - eye 2 eye
24- van halen - III
25- genesis - calling all stations
26- gentle giant - giant for a day
27- king crimson - three of a perfect pair
28- neil young - landing on water
29- david bowie - never let me down
30- eric clapton - august
31- massive attack - 100th window
32- cocteau twins - four calendar cafe
33- oasis - be here now
34- ozzy osbourne - the ultimate sin
35- elvis - o seresteiro de acapulco
36- renaissance - time line
37- ac/dc - blow up your video
38- uriah heep - equator
39- stevie wonder - characters
40- kansas - the spirit of things
41- rush - roll the bones
42- jethro tull - A
43- deep purple - bananas
44- camel - a single factor
45- eloy - oceans 2
46- doobie brothers - one step closer
47- dream theater - awake
48- helloween - keeper of the seven keys part 2
49- the cult - sonic temple
50- engenheiros do hawaii - o papa é pop
Ofensas serão compreendidas.
segunda-feira, junho 14, 2004
O prazer de reouvir a banda galesa Budgie em vinil importado é inigualável. Dois exemplares recém adquiridos: Never Turn a Back on a Friend(1973****1/2), o terceiro, é sensacional, como sempre achei. Mas não consegui destacar música alguma. O disco tem uma coesão espantosa, e Burke Shelley, o baixista vocalista, dá mais munição para quem sabe que o Rush foi buscar 80% de sua sonoridade no Budgie (e a semelhança entre os dois vocalistas, tanto na voz, quanto na aparência física é algo a se estudar). Sua voz está mixada bem baixinho, sendo quase soterrada por seu próprio baixo e pela batida suingada. Por falar em suingue, Bandolier (1975*****), o quinto, prossegue na crescente busca pela batida sacolejante perfeita, que iria culminar no delicioso Impeckable (1978****1/2). O disco é perfeito, com baladas (Napoleon Bona - Part One) e rockões de primeira. E tem uma das melhores faixas da carreira do gurpo, a inacreditável "I Ain't No Mountain", de onde o AC/DC tirou a levada de baixo de "Love Hungry Man". A faixa possui um dos refrões que fariam a alegria daqueles que, como eu, babam por uma bela e inusitada melodia. Fora isso, Bandolier possui faixas de nomes bizarros como: "Slipaway/A Parrot Fashion Ball" e "Breaking All the House Rules and Learning All the House Rules", além da infame piada napoleônica (uma faixa dividida em duas partes: "Napoleon Bona - Part One" e "Napoleon Bona - Part Two"). É preciso muita coragem pra ser tão imbecil, mas o disco é fenomenal, independente disso.
segunda-feira, junho 07, 2004
Sábado na MTV: clip do Right Said Fred, a banda armação que revolucionou o pop safado com um disco de estréia sensacional, Up. O segundo não é tão bom, mas os hits do primeiro são inesquecíveis. "I'm Too Sexy", a música do clip visto, é um clássico com referências a vários clichês dos anos 80 (alguém lembra do pop aeróbico de Michael Sembello?). O clip não fica atrás, recriando cenas do imaginário da geração saúde que tomou as praias e clubes naquela década. Um revival satírico mais do que necessário em um dos clipes mais geniais já feitos. "i'm too sexy for my hat, too sexy for my hat, what you think about that?..."
sexta-feira, junho 04, 2004
THE WHO:
My Generation (65) ****1/2
A Quick One (66) ****
Sell Out (67) *****
Tommy (69) ****
Who's Next (71) *****
Quadrophenia (73) *****
Who by Numbers (75) ****
Who Are You (78) ****
Face Dances (80) ****
It's Hard (82) ****
ou seja...um mar de estrelas. Deixei propositalmente de fora as coletâneas e discos ao vivo.
My Generation (65) ****1/2
A Quick One (66) ****
Sell Out (67) *****
Tommy (69) ****
Who's Next (71) *****
Quadrophenia (73) *****
Who by Numbers (75) ****
Who Are You (78) ****
Face Dances (80) ****
It's Hard (82) ****
ou seja...um mar de estrelas. Deixei propositalmente de fora as coletâneas e discos ao vivo.
quinta-feira, junho 03, 2004
The Who - Quadrophenia (1973) * * * * *
Este é o verdadeiro duplo clássico do Who, superior ao aclamado Tommy (1969 * * * *). Pete Townshend brinca com os sintetizadores o tempo todo, mas o som está tão cheio, com a banda tocando sempre no máximo, e John Entwistle arrasando, que fica difícil não se entregar ao disco. O falecido Entwistle é um dos nomes mais injustiçados do rock. É influência confessa de vários baixistas geniais como Lemmy Kilmister e Chris Squire, mas raramente é lembrado em listas. Quadrophenia vem logo depois de seu segundo e genial disco solo, Whistle Rhymes, e tem a mesma sonoridade grave. Townshend gostava de manter o baixão lá em cima, apesar de muitas vezes ele sobrepujar sua guitarra. Canções clássicas sobram no LP: "Is it me?", "The Real Me", "Cut my Hair", "5:15", "Sea and Sand", "Bell Boy", e a fenomenal "Doctor Jimmy (and mister Jim)", faixa que abre o derradeiro lado do álbum duplo. Tenho amigos tecnocratas que não gostam do Who por achar que lhes falta técnica...pfui.
Este é o verdadeiro duplo clássico do Who, superior ao aclamado Tommy (1969 * * * *). Pete Townshend brinca com os sintetizadores o tempo todo, mas o som está tão cheio, com a banda tocando sempre no máximo, e John Entwistle arrasando, que fica difícil não se entregar ao disco. O falecido Entwistle é um dos nomes mais injustiçados do rock. É influência confessa de vários baixistas geniais como Lemmy Kilmister e Chris Squire, mas raramente é lembrado em listas. Quadrophenia vem logo depois de seu segundo e genial disco solo, Whistle Rhymes, e tem a mesma sonoridade grave. Townshend gostava de manter o baixão lá em cima, apesar de muitas vezes ele sobrepujar sua guitarra. Canções clássicas sobram no LP: "Is it me?", "The Real Me", "Cut my Hair", "5:15", "Sea and Sand", "Bell Boy", e a fenomenal "Doctor Jimmy (and mister Jim)", faixa que abre o derradeiro lado do álbum duplo. Tenho amigos tecnocratas que não gostam do Who por achar que lhes falta técnica...pfui.
terça-feira, junho 01, 2004
Na lista de discussão Rock Antigo, andaram esnobando o elenco do Rock in Rio - Lisboa. Pouparam apenas Peter Gabriel, artista que adoro, mas que nada de bom nos deu desde Us. Ovo era uma repetição preguiçosa de Passion e Up é uma tentativa de se manter moderno. Já Macca anda atirando para vários lados, mas sempre com resultados interessantes, seja em sua carreira dita "séria", com o fenomenal Driving Rain, seja em seus projetos (Fireman é o mais interessante, mas o álbum Run Devil Run é bem bacana). Atravessou os 90s em alto estilo, ao contrário de Gabriel. Já Britney, estrela máxima do evento, tem feito uma carreira de pop safado muito boa, com destaque para "Toxic", que como já disse, é o hino pop do século 21. A seleção, no entanto, é bem irregular mesmo, e deve desagradar muita gente em Lisboa.
Entrou um lote enorme de LPs, a maioria de Heavy Metal e de Prog. Entre as moscas brancas, Novalis (brandung), Gentle Giant (power and the glory), Jethro Tull (Aqualung e Stand up - sendo que o último com os bonecos dobrados), Loudness (thunder in the east), Trust (trust - o que tem antisocial), Lou Reed (Street Hassle), CSN, coletânea dupla do Buffalo Springfield, Deep Purple original inglês (fireball)...todos importados. Estão rendendo reaudições valiosíssimas. No momento, escuto street hassle, um disco pouco falado de Lou Reed, mas que está entre os melhores. É de 1978 e tem Dirt, clássico da sujeira comum às canções dele. O lote ainda renderá mais posts.
sábado, maio 22, 2004
Danny Kirwan é genial. Quando assumiu a maior parte das composições do Fleetwood Mac, possibilitou a melhor fase da banda. A fase que vai de Kiln House (1970) ao Heroes are Hard to Find (1974), antes de Stevie Nicks e Lindsey Buckinghan dominarem a sonoridade da banda, fazendo discos mais comerciais como Rumours (1977). Bare Trees (1972, o terceiro sem Peter Green) é o melhor disco deles. Danny Kirwan arrasa com todas as que compõe, principalmente com "Dust" e "Bare Trees". E Bob Welch comparece com a maravilhosa "Sentimental Lady", a melhor balada da banda, e uma das melhores baladas já feitas. A fase blues, com Peter Green, come poeira na comparação.
quarta-feira, maio 19, 2004
Engraçado como Throwing Muses é injustiçado pelo público indie brasileiro. Na época de Hunkpapa até conseguiram uma certa notoriedade, por conta das excelentes críticas em jornais e na Bizz (que na época era formadora de opiniões). Depois, pouco tempo depois, já cairam no ostracismo, mesmo realizando excelentes discos, em especial o que ouço agora "The Real Ramona". É mais variado que hunkpapa, mesmo assim, tem mais coesão, vai do começo ao fim sem que se ouça uma música fraca sequer. Uma autêntica obra-prima, só igualada pelo homônimo disco de 2003.
sexta-feira, maio 07, 2004
Por causa de um período bem conturbado, está sendo meio difícil a atualização deste blog, o que deve melhorar no meio da semana que vem. Este post é só pra informar que o blog do Ruy (pra coisa nenhuma) voltou a ser atualizado. Vale a pena a visita.
quinta-feira, abril 22, 2004
A revista Zero está com uma matéria interessante sobre a maldição do segundo disco. Por isso, imitando a matéria, coloco aqui o meu Top 10 (na revista são 5) dos melhores segundos LPs da história da música popular. Posso esquecer algum, mas por hoje é isso:
1) The Zombies - Odessey and Oracle (1968)
2) Raspberries - Fresh (1974)
3) Os Novos Baianos - Acabou Chorare (1972)
4) Queen - Queen II (1974)
5) Caetano Veloso - Caetano Veloso (1969)
6) Os Mutantes - Os Mutantes (1969)
7) Velvet Underground - White Light White Heat (1968)
8) The Kinks - Kinda kinks (1965)
9) David Bowie - The Man Who Sold the World (1970)
10) Pixies - Doolittle (1990)
Lembrem-se que Come on Pilgrim é EP.
Queria colocar um de Jazz, mas a discografia é muito confusa, não sei quais os segundos discos dos meus jazzistas preferidos.
É óbvio que ficou muita coisa de fora. Amanhã a lista seria outra. Ou como disse o Chiko, discordo da minha própria lista.
1) The Zombies - Odessey and Oracle (1968)
2) Raspberries - Fresh (1974)
3) Os Novos Baianos - Acabou Chorare (1972)
4) Queen - Queen II (1974)
5) Caetano Veloso - Caetano Veloso (1969)
6) Os Mutantes - Os Mutantes (1969)
7) Velvet Underground - White Light White Heat (1968)
8) The Kinks - Kinda kinks (1965)
9) David Bowie - The Man Who Sold the World (1970)
10) Pixies - Doolittle (1990)
Lembrem-se que Come on Pilgrim é EP.
Queria colocar um de Jazz, mas a discografia é muito confusa, não sei quais os segundos discos dos meus jazzistas preferidos.
É óbvio que ficou muita coisa de fora. Amanhã a lista seria outra. Ou como disse o Chiko, discordo da minha própria lista.
terça-feira, abril 20, 2004
o melhor de Byrds, banda injustiçada:
Mr. Tambourine Man (1965) * * * *
Turn Turn Turn (1965) * * * * 1/2
Fifht Dimension (1966) * * * * 1/2
Younger Than Yesterday (1967) * * * * *
Notorious Byrd Brothers (1968) * * * * *
Sweetheart of the Rodeo (1968) * * * *
Dr Byrds and Mr Hyde (1969) * * * * 1/2
The Ballad of Easy Rider (1969) * * * *
Untlited/ Unissued (1970) * * *
Byrdmaniax (1971) * * *
os que não estão listados eu nunca ouvi.
Mr. Tambourine Man (1965) * * * *
Turn Turn Turn (1965) * * * * 1/2
Fifht Dimension (1966) * * * * 1/2
Younger Than Yesterday (1967) * * * * *
Notorious Byrd Brothers (1968) * * * * *
Sweetheart of the Rodeo (1968) * * * *
Dr Byrds and Mr Hyde (1969) * * * * 1/2
The Ballad of Easy Rider (1969) * * * *
Untlited/ Unissued (1970) * * *
Byrdmaniax (1971) * * *
os que não estão listados eu nunca ouvi.
sábado, abril 17, 2004
Ouvindo agora o primeiro Cornershop, Hold On It Hurts (1993****). Não sabia que era pós-punk. Pouco a ver com o desbunde dançante de When I Was Born for the 7th Time, seu disco mais famoso. O que esperar de uma estréia que tenha uma música com o seguinte título: "Born Disco, Died Heavy Metal". Desde já um dos clássicos da década. O álbum está muito mais pra Joy Division e The Fall do que pra qualquer banda de Manchester (em 1993, começava o britpop, muito influenciado pela onda de Manchester). O CD que tenho em mãos, contém o primeiro EP (Lock Stock & Double-Barrel) de bônus. Altamente recomendável.
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