sábado, agosto 09, 2008

Taxi de emergência para o Metrô. 8 minutos apenas. Entrei tava tocando a introdução de Joe's Garage, uma das obras-primas do Zappa ("this is the central scruuuuuutinizer..."). Emenda com "You Don't Remember, I'll Never Forget", uma das poucas coisas realmente boas de Yngwie Malmsteen (LP Trilogy), com o taxista empolgado, batucando no volante ao ritmo da música. Aí percebo que o cara é gigante, e tem um monte de tatuagens de caveira no braço. Pensei, deve vir mais metal em seguida. Que nada. "Kiss on My List", dos geniais Daryl Hall & John Oates.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Um paralelo nada óbvio, mas impressionante. Tava ouvindo o compacto que Ney Matogrosso fez com Fagner em 1975, uma obra-prima. Foi inevitável pensar que a decadência da MPB é a maior decadência que eu já vi em qualquer forma artística. O que foi, e o que é hoje, quando Maria Rita é saudada como genial e um monte de outras cantoras que cantam quase igual surgem a cada mês com um repertório de fazer vergonha ao passado de nossas canções (salvo raras exceções).

Aí penso no pop mais descartável feito para o mercado americano (seja nos EUA mesmo ou na Inglaterra), e percebo o quanto esse pop descartável se manteve digno de interesse. Um exemplo é Britney Spears, que após dois discos bem simpáticos, partiu para uma redefinição de si mesma, e de uma confrontação com os limites de sua estatura pop no terceiro e excelente Britney, de 2001, com a espetacular "Overprotected". No quarto, o In The Zone que ilustra este post, o mega-hit "Toxic", canção capaz de pulverizar nossos auto-falantes. Esse disco é uma consolidação do que ela ensaiava brilhantemente em Britney.

Em 2007, gorduchinha e vulgarizada, lança o impressionante Blackout, seu disco mais redondo (sem trocadilhos) até então. Tão redondo que nem sei quais canções destacar. Precisaria ouvir novamente. Também é o que tem menos momentos baixos, pelo mesmo motivo.

Agradecimentos aos novos e queridos amigos. Um me presenteou com boa parte do que escutei ontem e hoje, outra ofereceu o local para que Blackout ecoasse poderoso.

domingo, junho 29, 2008

Uma das minhas bandas favoritas do selo 4AD é o Dead Can Dance. Na verdade, é um duo australiano formado por Brendan Perry e Lisa Gerrard. Os que valem são os três primeiros, começando com o homônimo (1984), ainda pós-punk, mas já com algumas sacadas climáticas, meio progressivas, e uma levada jazz deliciosa em "East of Eden". A transição foi com o sensacional Spleen and Ideal (1985), muito mais carregado do clima soturno, já mais próximo de um progressivo oitentista (que teria, do outro lado da moeda, o Depeche Mode de Black Celebration). Encerrando a trinca genial com esse aí da foto, o terceiro Within the Realm of a Dying Sun (1987), que abre com a melhor faixa de toda a carreira do duo, mesmo quando separados: "Anywhere Out of the World".

segunda-feira, abril 21, 2008


O Rei - fase do medalhão (1973-1978, com recaída em 1981):
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Roberto Carlos 1973
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É injusto comparar com os dois discos anteriores, das maiores obras-primas que o rei compôs. RC73 pode ser considerado um álbum de procura por novos caminhos. O medalhão que ele ostenta na contra-capa, e que pode ser visto em todos os discos seguintes até 1981 (com a exceção de RC1979 e RC 1980) talvez seja uma indicação dessa busca. Aqui começa também a parceria com uma das maiores compositoras que já tivemos, Isolda (que compunha junto de seu irmão, Milton Carlos). A faixa é "Amigos, Amigos", que é um pequeno sinal do que viria a seguir. As melhores do disco, no entanto, são "A Cigana", "Palavras", "Atitudes" (de Getúlio Cortes), "Proposta", "O Moço Velho" (de Sílvio Cesar), "O Homem" e "Rotina".
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Roberto Carlos 1974 (foto de baixo)
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Não só a obra-prima da fase medalhão, como um dos melhores discos do Rei. Já começa com a belíssima "Despedida", com um ar melancólico difícil de descrever. É o disco que tem "O Portão", uma das canções mais belas da história da música popular, tanto pela letra, de uma poesia inimaginável, como pela melodia e pelo arranjo que não tem medo de flertar com o brega e até com o progressivo (o discreto moog que apita de vez em quando). Há ainda a inacreditável "A Estação", que retoma o padrão das músicas fortes de traumas iniciado com "Traumas" (em RC71) e que atingiu o pico em "Por Amor" e "O Divã" (ambas de RC 72). Quem ainda acha pouco, pode ouvir "Jogo de Damas", a melhor composição de Isolda e Milton Carlos (e uma das maiores canções já feitas) com uma interpretação de fazer chorar do Rei. Só essas quatro já serviriam para colocar o disco entre os melhores já lançados na Terra. Mas ainda tem "Eu Quero Apenas", "Resumo" (de Mário Marcos e Eunice Barbosa), "A Deusa da Minha Rua" (de Newton Teixeira e Jorge Faraj) e "Você". Realmente, um disco fora de série.
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Roberto Carlos 1975
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Um disco bem esquisito, talvez o mais fraco do período áureo (1967-1977). Mas conquista aos poucos. Depois da obra-prima anterior, afinal, poucos discos não iriam decepcionar. A faixa de Isolda e Milton Carlos (que já tinham se tornado habituées dos discos do Rei) é a belíssima "Elas Por Elas", que é mais fraca que "Jogo de Damas" (de RC74), mas quase todas as canções são. A mais estranha é "El Humahuaqueño" (de Zaldivar), que é bem divertida e bacana. As melhores são "O Quintal do Vizinho", "Olha" e "Mucuripe", a bela versão para a música de Fagner e Belchior.
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Roberto Carlos 1976
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Talvez seja o terceiro melhor da fase medalhão, RC76 é um disco mais roqueiro, tanto pela ótima faixa de abertura, "Ilegal, Imoral ou Engorda", como por "Minha Tia", deliciosa homenagem a um parente distante e a um tempo que se foi. A genial Isolda contribui com duas canções fantásticas: "Um Jeito Estúpido de Te Amar", de uma sensibilidade única, e "Pelo Avesso", que consegue ser ainda melhor, quase chegando perto da maior de todas "Jogo de Damas" (de RC74). Mas perdoem essa minha mania de hierarquizar tudo. RC76 é um disco tão gostoso de se ouvir que quase dá vontade de considerá-lo uma outra obra-prima, esquecendo das duas ou três faixas que só cumprem o papel de encher o LP. Ah, esqueci de dizer que o disco ainda tem "Os Botões" e "O Progresso".
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Roberto Carlos 1977 (foto de cima)
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Segundo melhor disco da fase medalhão, e uma coletânea involuntátia, já que todas as canções fizeram sucesso na época. É um disco tão redondo que estabeleceria uma nova fórmula, derivada da anterior, mas ainda mais formatada e seguida à risca nos discos seguintes. A abertura animada de "Amigo" é a faixa mais fraca do disco, e por aí já dá pra medir o quão bom ele é. Minha preferida, se eu só puder escolher uma, é "Sinto Muito Minha Amiga", que tem uma frase que carregarei até o final da minha vida: "saber quem é culpado não resolve nossa vida", dita pela voz sentida e sofrida do Rei. Isolda contribui com a maravilhosa "Outra Vez", homenagem ao irmão falecido em acidente de carro. E o disco ainda tem a erótica e genial "Cavalgada", em que "estrelas mudam de lugar e chegam mais perto só pra ver". Outras que se destacam em um disco todo destacado são "Nosso Amor (de Mauro Motta e Eduardo Ribeiro), "Falando Sério" (de Maurício Duboc e Carlos Colla), "Não Se Esqueça de Mim", "Jovens Tardes de Domingo" e "Muito Romântico" (de Caetano Veloso).
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Roberto Carlos 1978
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A fórmula aperfeiçoada no disco anterior começa a dar sinais de cansaço. tanto pela música de abertura ser a mais fraca em muitos anos, como pela irregularidade geral da coleção. É, ainda assim, um disco de momentos geniais. As melhores são "Lady Laura", "Vivendo por Viver" (de Marcio Greyck), "Música Suave", "Café da Manhã", "Tente Esquecer" (de Isolda) e "Todos os Meus Rumos" (de Fred Jorge), sendo que a primeira e a última citadas estão entre os grandes momentos de sua carreira.
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Roberto Carlos 1979
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A fórmula continua, ainda com sinais de cansaço, mas desta vez a abertura é fenomemal: "Na Paz do Seu Sorriso", que é do nível de "Lady Laura" e "Todos os Meus Rumos", do disco anterior. Uma outra canção se iguala a essas, "Meu Querido Meu Velho Meu Amigo". Outras faixas que merecem destaque, ainda que estejam degraus abaixo, são "Abandono" (de Ivan Lancellotti), "Desabafo" e "Me Conte Sua História" (de Maurício Duboc e Carlos Colla).
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Roberto Carlos 1980
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Descendo a ladeira. É o disco mais fraco do rei desde sua estréia renegada. As únicas canções que não fariam feio no disco de 1977 são "Guerra dos Meninos", "Amante à Moda Antiga", e com certo jeitinho "Procura-se" (de Roberto e Ronaldo Bôscoli).
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Roberto Carlos 1981
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"As Baleias" é melhor do que qualquer música do disco anterior. Mas este encerramento da fase medalhão ainda nos reserva "Cama e Mesa", "Emoções", "Tudo Pára" e "Ele Está Pra Chegar", provando que a dupla de sempre está novamente inspirada. A fórmula ainda é a mesma, mas por uma arejada nos arranjos ela até parece um pouco modificada. É o melhor disco desde RC77.
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obs: (Todas as faixas mencionadas foram compostas por Roberto e Erasmo Carlos, exceto quando incidado)

sábado, abril 05, 2008


O inglês Rod Temperton é um grande compositor injustiçado. Não bastasse ser o compositor de "Rock With You", "Off the Wall" e "Thriller", de Michael Jambers, Temperton é o homem por trás dos hist do Heatwave, banda de americanos que tomaram-no como uma espécie de mentor, sem que ele fosse conhecido. Mais tarde, Quincy Jones o incorporou a seu staff, e por isso ele compôs algumas faixas para Jambers. Muitos dizem que Jones o desprezava por achá-lo gênio e ameaçador demais... é, pode ser.

Os dois primeiros discos do Heatwave - Too Hot to Handle (1976) e Central Heating (1977) - têm funks chacoalhantes da melhor espécie. Esse da foto é o terceiro, Hot Property (1978), meu favorito de hoje (os outros dois também foram favoritos várias vezes). Depois, Temperton compôs menos para eles, mas ainda fizeram um belo quarto disco, Candles (1980), e um quinto que eu mal lembro como é, Current (1982).

Se quiser conhecer algumas faixas para começar, tente achar "Boogie Nights", "Razzle Dazzle", "Eyeballin'", "Central Heating", "Groove Line" e "Super Soul Sister", nessa ordem. Se até o minuto final de "Razzle Dazzle" você não estiver dançando, sinal de alerta. Se até a sexta faixa você não tiver sido conquistado, tente outro dia - você acordou com o pé esquerdo.

segunda-feira, março 17, 2008


Quem me conhece sabe que eu sou chegado num heavy metal. Também deve conhecer minha pequena e simplória teoria de que alguém só pode gostar de heavy metal depois de 22 anos se já gostava antes. Quem nunca curtiu metal na adolescência pode esquecer. No máximo vai gostar de alguns desses metais alternativos endeusados pela crítica, ou que fundem o estilo a outros, como industrial, doom ou música erudita.

O caso do Therion é mais ou menos esse. Muitos consideram Doom Metal, por causa das passagens climáticas. Mas é uma espécie de metal erudito, ou, como já li em algum site europeu, "operistic metal". É uma baita banda, que para mim se aproxima de um rock progressivo de tintas sombrias e pesadas. Um King Crimson escandinavo e mais chegado num coral litúrgico. Deggial (foto), de 2000, talvez seja o melhor momento da banda em disco. Mas Theli (1996) e Vovin (1998) não podem ser esquecidos. Ainda não ouvi os dois últimos discos deles, mas isso será corrigido em breve.

Ah, na adolescência eu tive uma fase heavy metal, de andar por aí com jaqueta cheia de patches de bandas, camiseta preta com caveiras e calças de jeans com tenis brancos. Meu patch do Powerslave, disco clássico do Iron Maiden fez sucesso no colégio em 1985. Essa fase não durou mais que dois anos, mas foi marcante, e até hoje me faz escutar o estilo com um sorriso nostálgico.

Discografia da banda em: http://www.bnrmetal.com/v2/bandpage.php?ID=Ther

sábado, março 15, 2008


Acima estão os dois melhores discos de Peter Gabriel. O de cima é o terceiro, de 1980, intitulado Peter Gabriel (também chamado de Peter Gabriel 3), e é geralmente tido como sua obra-prima. O de baixo é o meu preferido, Peter Gabriel (também chamado de Peter Gabriel IV), de 1982, que nos EUA foi chamado de Security.
O ótimo Stephen Thomas Erlewine, editor do All Music Guide, vai com a maioria, e acha que com o IV ele deu uma guinada em direção ao pop. Pois eu acho que essa guinada para o pop se deu desde seu último disco com o Genesis, o belo álbum duplo e conceitual chamado The Lamb Lies Down on Broadway (1974), que poderia muito bem se chamar Papai Maurice Ravel nos Mostrou o Caminho (e aqui eu brinco com a influência do músico francês e com o personagem retratado no disco, o portoriquenho Rael. Talvez esse IV seja o menos pop da carreira de Gabriel desde então. Cheio de sutilezas e texturas, explorando percussão e efeitos eletrônicos, com melodias se escondendo sob arranjos intrincados e geniais. Um discaço pra ninguém botar defeito. É sua verdadeira obra-prima, com composições sensacionais como "I Have the Touch", "The Family and the Fishing Net", Lay Your hands on Me", "Wallflower" e "Kiss of Life". O terceiro também seria, não fosse a faixa "Biko", que eu nunca tive a oportunidade de enjoar, pois nunca a admirei. Mas tem "I Don't Remeber", "Games Without Frontier", "Intruder" e "And Through the Wire".
Depois de So (1986) começa uma vagarosa e marcante decadência, culminando com o equívoco completo que foi Up (2002), disco que tenta, sem sucesso, acompanhar a linha evolutiva da música pop. Mas não se enganem, Peter Gabriel já foi dos maiores compositores que a música pop teve, com e sem o Genesis.

sexta-feira, março 07, 2008


Formada em 1979 por Geoff Downes e Trevor Horn, The Buggles ficou conhecida especialmente pelo hit "Video Killed the Radio Star", que saiu em compacto no final de 1979 e pouco depois seria o primeiro videoclipe veiculado pela nascente MTV americana. O primeiro disco deles, The Age of Plastic (1980) foi muito elogiado, e considerado uma das melhores coisas a surgir do questionamento tecnológico que se iniciou na virada dos 70s para os 80s. Confesso que acho o segundo disco deles, Adventures in Modern Recording (1981, lançado nos EUA no ano seguinte - foto do alto), tão bom ou igual à estréia. Pelo menos três faixas me fazem pensar isso: "Vermillion Sands", uma das mais esquizofrênicas composições do mundo pop, "Inner City", faixa climática e bem bonita, e "I Am a Camera", versão buggle para "Into the Lens", composta por Downes e Horn e incluida no álbum Drama, do Yes (é o álbum que tinha Downes substituindo Rick Wakeman e Horn no lugar de Jon Anderson - muito bom, mas obviamente injustiçado pelos fãs do Yes). O negócio de Trevor Horn era ser produtor, e foi o que ele fez a seguir. Geoff Downes montou o Asia, com John Wetton, Carl Palmer e Steve Howe. Fizeram um belíssimo disco de estréia em 1982, mas os outros são, no máximo, razoáveis.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008



É incrível como o primeiro disco do Soft Cell - Non Stop Erotic Cabaret (fotos das capas do vinil) -, de 1981, é uma obra-prima histórica. Uma viagem pelos pulgueiros sexuais mais baratos, sórdidos e sujos; uma ode à perversão e à libidinagem. As letras de Marc Almond são do nível das melhores que Lou Reed já fez. E as melodias até hoje me impressionam. Lembro de ter dito isso a um amigo certa vez, e ele me ridicularizou. Achava um absurdo que tal disco fosse tão bom. Jogando verde alguns meses depois, citei novamente o disco, e ele concordou que era uma obra-prima. É impressonante que nunca tenha sido lançado em CD no Brasil, e até outro dia não existia nos EUA também. Uma das maiores obras dos anos 80, em toda arte pop. Desculpe a empolgação, mas o disco é realmente demais.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008


São dois discos de 1983. Fazia uns vinte anos que eu não ouvia The Romantics, banda que começou meio hard rock poser punk e virou new-romantic com tintas de AOR (Adult Oriented Music). Motivado pelas vinhetas da VH1, resolvi ouvir o disco deles do tal ano, In The Heat (depois da virada de estilo), para comprovar que a úncia música boa (e, no caso, muito boa) é a da vinheta: "Talking In Your Sleep". As restantes são um arremedo do pior que se fazia na época, algo entre um Visage com defeito e um Adam & the Ants sem 1% da genialidade. Uma pena.
Aí o jeito foi passar para outro disco de 1983, o clássico Thriller, de Michael Jackson, que acabou de sair em versão comemorativa de 25 anos, cheia de bônus e outras frescuras mais (para obrigar o fã que já havia comprado a remasterizada definitiva que saiu anos atrás comprar de novo - haja falta de respeito). Não é tão bom quanto Off the Wall (1979), mas é um belo disco. Só "Billy Jean", "The Girl is Mine" e "Human Nature" bastam para justificar a fama do disco. Serviu também para reabilitar o estranho ano de 1983 (decadência da new-wave, da black music e do pós-punk, ano de entressafas no Heavy Metal e de indecisões no hip-hop e no tecno-pop.

atualização: Thriller, na verdade, foi lançado em 1982. Minha memória é da época do lançamento nacional, e com isso não fui verificar. Foi mal. Obrigado ao leitor João Carls, que me avisou.
Não chega perto da obra-prima I Am Shelby Lynne, mas é bem bonito. Daquele tipo de disco que te cativa aos poucos, demora para se afirmar, mas quando o faz, te pega de jeito.

domingo, fevereiro 10, 2008

Redescobrindo Adam and the Ants. Lançaram três belos discos entre 1979 e 1981. O melhor deles é esse aí da foto, Kings of the Wild Frontier (1980). É nele que está "Antmusic", um hino do pós-punk tribal, a meio caminho da new-romantic que eles imortalizariam no álbum seguinte, Prince Charming (1981), com o hit "Stand and Deliver". Junto do Duran Duran, foram a banda chave do início dos anos 80 na Inglaterra, mas infelizmente ainda são subestimados. Procurem também Friend or Foe (1982), o primeiro e sensacional solo de Adam Ant. O grande hit do disco é "Goody Two Shoes".

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adendo: descobri agora que a música "Relax, Take it Easy", do Mika, é um plágio descarado de "(I Just) Died in Your Arms", do Cutting Crew. Como o plágio é melhor, chamemos de folk process.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Prestando tributo a uma das melhores revistas que existem, a inglesa MOJO
(mas como eles cairam no conto do Oasis, valha-me Deus)

100 Modern Classics: Greatest Albuns of Mojo Lifetime

1
Jeff Buckley
Grace
1994

2
Johnny Cash
American recordings
1994

3
Radiohead
OK computer
1997

4
Bob Dylan
Time out of mind
1997

5
Oasis
Definitely maybe
1994

6
Flaming lips
The soft bulletin
1999

7
Radiohead
Kid A
2000

8
White stripes
Elephant
2002

9
Nirvana
Unplugged in New York
1994

10
Beck
Odelay
1996

11
Nick Cave and the Bad seeds
The boatman's call
1997

12
Spiritualized
Ladies and gentlemen we are floating in space
1997

13
Nirvana
In utero
1993

14
Massive attack
Mezzanine
1998

15
Bob Dylan
Love and theft
2001

16
Radiohead
The bends
1995

17
Johnny Cash
American III : Solitary man
2000

18
Teenage fanclub
Grand prix
1995

19
DJ Shadow
Endtroducing
1996

20
Bonnie 'Prince' Billy
I see a darkness
1999

21
Tom Waits
Mule variations
1999

22
Outkast
Speakerboxxx/the love below
2003

23
Buena vista social club
Buena vista social club
1997

24
Elliott Smith
Either/Or
1997

25
PJ Harvey
Stories from the city, stories from the sea
2000

26
Wilco
Yankee hotel Foxtrot
2002

27
Air
Moon safari
1997

28
White stripes
White blood cells
2001

29
Madonna
Ray of light
1998

30
Mercury rev
The deserter's song
1998

31
Lucinda Williams
Car wheels on a gravel road
1998

32
Beck
Mutations
1998

33
Strokes
Is this it
2001

34
Solomon Burke
Don't give up on me
2002

35
Portishead
Dummy
1994

36
Flaming lips
Yoshimi battles the pink robots
2002

37
Brian Wilson
Smile
2004

38
Belle and Sebastian
If you're feeling sinister
1997

39
Pulp
Different class
1995

40
PJ Harvey
To bring you my love
1995

41
Elvis Costello and the Imposters
The delivery man
2004

42
Jimmy Page & Robert Plant
No quarter
1994

43
Antony & the Johnsons
I am a bird now
2005

44
Super furry animals
Rings around the world
2001

45
Kate Bush
Aerial
2005

46
Supergrass
In it for the money
1997

47
Queens of the Stone age
Rated R
2000

48
Bruce Springsteen
Devils & dust
2005

49
Gillian Welch
Time (the revelator)
2001

50
Blur
Blur
1996

51
Franz Ferdinand
Franz Ferdinand
2004

52
Ryan Adams
Heartbreaker
2000

53
Björk
Post
1995

54
Beastie boys
Ill communication
1994

55
Beta band
The 3 ep's
1998

56
Pavement
Crooked rain, crooked rain
1994

57
Libertines
Up the bracket
2002

58
R.E.M.
New adventures in hi-fi
1996

59
Magnetic fields
69 love songs
1999

60
Arcade fire
Funeral
2004

61
Oasis
(What's the story) Morning glory?
1995

62
Wu-Tang clan
Enter the Wu-Tang (36 chambers)
1993

63
Morrissey
Vauxhal and I
1994

64
Tortoise
Millions now living will never die
1996

65
Primal scream
Exterminator
2000

66
Neil Young
Sleeps with angels
1994

67
Lauryn Hill
The miseducation of Lauryn Hill
1998

68
Jon Spencer blues explosion
Orange
1994

69
Aimee Mann
Lost in space
2002

70
Sigur Rós
Agaetis byrjun
2000

71
Al Green
I can't stop
2003

72
Blur
Parklife
1994

73
Nick Cave and the Bad seeds
Abattoir blues/The lyre of Orpheus
2004

74
Norah Jones
Come away with me
2002

75
Verve
A Northern soul
1995

76
Bruce Springsteen
The ghost of Tom Joad
1995

77
Tricky
Maxinquaye
1995

78
Eminem
The Marshall Mathers lp
2000

79
Tinariwen
The radio Tsidas sessions
2002

80
Guided by voices
Bee thousand
1994

81
Manic street preachers
The holy bible
1994

82
Arctic monkeys
Whatever people say I am, that's what I'm not
2005

83
Prodigy
Music for the jilted generation
1994

84
U2
All that you can't leave behind
2000

85
Salif Keita
Moffou
2002

86
Paul Weller
Stanley road
1995

87
Jayhawks
Sound of lies
1997

88
R.L. Burnside
A ass pocket of whiskey
1996

89
Red hot chili peppers
Californication
1999

90
Maria McKee
Life is sweet
1996

91
Boards of Canada
Music has the right to children
1998

92
Manu Chao
Clandestino
1998

93
System of a Down
Toxicity
2001

94
Michael Head introducing the Strands
The magical world of the Strands
1998

95
Rufus Wainwright
Poses
2001

96
Underworld
Second toughest in the infants
1996

97
D'Angelo
Brown sugar
1995

98
Nine inch nails
The downward spiral
1994

99
Sizzla
Black woman & child
1997

100
Coldplay
A rush of blood to the head
2002

lista publicada na Mojo 150, Maio de 2006.

domingo, outubro 14, 2007

As 30 melhores bandas (e artistas) do rock nos anos 80, na ordem de hoje.

obs:

vale tudo, mas só são considerados os trabalhos concluídos na década de 1980.

Bandas como Depeche Mode e Sonic Youth teriam melhores posições se fosse da década de 1990. Slayer e Metallica nem estariam na lista.

Rolling Stones fizeram dois discaços, mas depois sujaram o nome com dois discos bem ruins: ficaram de fora.

No caso do Clash, Sandinista é tão bom que compensa a ruindade de Cut the Crap.

Claro que esqueci muita coisa, mas é assim mesmo.

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1) The Cure

o fino: 17 Seconds (1980), Pornography (1982), The Top (1984), The Head on the Door (1985), Desintegration (1989)

2) Killing Joke

o fino: Killing Joke (1980), What's This For? (1981), Revelations (1982), Fire Dances (1983), Night Time (1985)

3) Duran Duran

o fino: Duran Duran (1981), Rio (1982), Seven and Ragged Tiger (1983), Notorious (1986)

4) XTC

o fino: Black Sea (1980), Skylarking (1986), Oranges and Lemons (1989)

5) Pixies

o fino: Come on Pilgrim (1987), Surfer Rosa (1988), Doolittle (1989)

6) Slayer

o fino: Show no Mercy (1983), Hell Awaits (1984), Reign in Blood (1986)

7) Depeche Mode

o fino: Construction Time Again (1983), Black Celebration (1986), Music for the Masses (1987)

8) Metallica

o fino: Kill Em'All (1983), Ride the Lightning (1984), Master of Puppets (1986)

9) R.E.M.

o fino: Murmur (1983), Lifes Rich Pageant (1986), Document (1987)

10) Sonic Youth

o fino: Evol 1986), Sister (1987), Daydream Nation (1988)

11) Cocteau Twins

o fino: Garlands (1982), Head Over Heels (1983), Treasure (1984)

12) Judas Priest

o fino: British Steel (1980), Point of Entry (1981), Screaming for Vengeance (1982)

13) Saxon

o fino: Denim and Leather (1982), Power & The Glory (1983), Crusader (1984)

14) Lou Reed

o fino: The Blue Mask (1982), New York (1989)

15) The Smiths

o fino: The Queen is Dead (1986), Strangeways, Here We Come (1988)

16) The Clash

o fino: Sandinista (1981), Combat Rock (1982)

17) Kraftwerk

o fino: Computer World (1981), Electric Cafe (1986)

18) Neil Young

o fino: Reactor (1981), Freedom (1989)

19) (Clan of) Xymox

o fino: Clan of Xymox (1986), Medusa (1987)

20) Simple Minds

o fino: Sister Feelings Call (1981), Sons and Fascination (1981)

21) Split Enz

o fino: True Colours (1980), Time and Tide (1982)

22) The Cars

o fino: Shake it Up (1981), Heartbeat City (1984)

23) The Psychedelic Furs

o fino: Talk Talk Talk (1981), Forever Now (1982)

24) Siouxsie and the Banshees

o fino: Kaleidoscope (1980), Juju (1981)

25) Love and Rockets

o fino: Express (1986), Earth-Sun-Moon (1987)

26) Anthrax

o fino: Fistful of Metal (1983), Spreading the Disease (1985)

27) Electric Light Orchestra

o fino: Time (1981), Secret Messages (1983)

28) Savatage

o fino: Sirens (1983), Power of the Night (1985)

29) Kiss

o fino: Unmasked (1980), The Elder (1981)

30) Ultravox

o fino: Vienna (1980), Rage in Eden (1981)

sábado, setembro 22, 2007


Em Ligeiramente Grávidos, belo filme que estreou nesta sexta-feira, Seth Rogen ataca e Paul Rudd defende o Steely Dan, maravilhosa banda novaiorquina que mistura jazz, soul, country e rock com muita elegância. Claro, é som de quem tem mais de trinta anos, o que não impede os mais jovens de gostar também (porque classificações desse tipo são sempre equivocadas).

Can't Buy a Thrill (1972) * * * *
Tem "Do it Again", a mais famosa, mas as melhores são "Dirty Work" e "Turn That Heartbeat Over Again".

Countdown to Ecstasy (1973) * * * *
No mesmo altíssimo nível do anterior, tem duas faixas que valem o disco: "Bodhisattva" e Show Biz Kids".

Pretzel Logic (1974) * * * * *
Sem dúvida o melhor disco dos caras. "Ricky Don't Loose That Number" e Through With Buzz", que emenda com a excelente faixa título, são para colocar no repeat e deixar tocar várias vezes.

Katy Lied (1975) * * *
Depois do melhor disco deles, vem o mais fraco, pelo menos antes da volta em 2000. Mas tem "Bad Sneakers", pra provar que é só uma pequena entressafra.
The Royal Scam (1976) * * * * *
Nova obra-prima, um disco quase tão bom quanto Pretzel Logic. Talvez seja o disco mais dançante da banda. O grande destaque é para "Green Earrings" e "Don't Take me Alive".

Aja (1977) * * * *
Quase ganhou a cotação máxima. Digamos que é o terceiro melhor disco da banda. "Peg" se sobressai com sua pegada irresistível. Se o anterior era o mais dançante, este pode ser considerado o mais classudo.

Gaucho (1980) * * *
É o disco que tem o mega-hit "Hey Nineteen". E começa com "Babylon Sisters", outro clássico. Mas não está entre os melhores deles.
Alive in America (1995) - nunca ouvi, mas a banda nunca foi muito bem falada por seus shows.

Two Against Nature (2000) * * *
Agradável de se ouvir, mas perde pra qualquer disco solo de Donald Fagen.

Everything Must Go (2003) * * *
Um pouco melhor que o anterior, mas ainda um tanto engessado. Esses dois últimos discos eu só escutei em CD, e poucas vezes, fica difícil lembrar quais as faixas que mais gostei. Reouvirei assim que os festivais de cinema acabarem, e farei um post aqui se descobrir alguma injustiça.

DONALD FAGEN

The Nightfly (1982) * * * *
Apesar do hit "New Frontier" assustar bastante, o disco é delicioso, com destaque para "Ruby Baby" e "I.G.Y.", também hits.

Kamakiriad (1993) * * * * *
O disco para uma festa perfeita, mas também o disco perfeito para uma longa viagem de carro.

Morph the Cat (2006) * * * *
Muito suingue e letras que falam da proximidade da morte. Um disco ao mesmo tempo alegre e muito triste.

WALTER BECKER

11 Tracks of Whack (1994) * * *
Um disco simpático e bem eclético, mas sem a força e a classe dos discos da banda. Fez com que muita gente na época afirmasse que Donald Fagen não era 70% da banda, como se achava, mas 90%, o que talvez seja injustiça.

quarta-feira, setembro 19, 2007


Uriah Heep, banda injustiçada, hard rock com backing vocals esganiçados, teclados hammond distorcidos, e refrões ganchudos. São bregas na maior parte do tempo, do tipo que qualquer crítico musical descolado odeia até a morte. Mas são muito bons, principalmente nos anos 70. Esses dois aí de cima são os clássicos, respectivamente o quarto e o quinto discos, o auge da banda, com David Byron no vocal - também conhecido como o Belchior do Reino Unido. Tão bons quanto o Deep Purple, mas poucos reconhecem.

As cotações:

Very 'Eavy Very 'Umble (1970) * * *

"se essa banda fizer sucesso, eu comito suicídio" - um crítico do Melody Maker

Salisbury (1971) * * * *

Um arraso da guitarra de Mick Box na faixa título.

Look at Yourself (1971) * * * *

Ensaiando algo grande

Demons and Wizards (1972) * * * * *

Algo grande

The Magician's Birthday (1973) * * * * *

Pop perfeito e hard prog convivem harmoniosamente.

Live (1973) * * * *

David Byron é mestre.

Sweet Freedom (1973) * * * *

Meu primeiro e inesquecível contato com a banda.

Wonderworld (1974) * * *

Não é fraco como muitos dizem, e não é bom como a fase faria supor.

Return to Fantasy (1975) * * * *

John Wetton (baixo) rules.

High and Mighty (1976) * *

Sempre uma nova chance, sempre a decepção. Último com David Byron.

Firefly (1977) * * * *

John Lawton (ex-Lucifer's Friend) assume com seu vocal fenomenal.

Innocent Victim (1977) * * * *

O pop perfeito e gostosamente brega está de volta com "Free Me".

Fallen Angel (1978) * * * *

Meu guilty pleasure. Disco tão errado quanto delicioso.

Conquest (1980) *

Stevie Wonder errou de endereço.

Abominog (1982) * * * *

O triunfo do AOR.

Head First (1983) * *

A derrocada do AOR

Equator (1985) mico

Sem comentários

Raging Silence (1989) *

Bernie Shaw what???

Different World (1991) * *

Hummmm

Sea of Light (1995) - nunca ouvi... falha minha

Sonic Origami (1998) * * *

"De onde menos se espera, é de onde não sai nada mesmo.". A frase de Millôr Fernandes é desafiada por este disco surpreendente.

Depois disso perdi o contato. E o monte de ao vivos que a Castle lançou não me entusiasmou. Prefiro ficar com os dois primeiros solos de Ken Hensley (o tecladista/guitarrista/compositor dos discos clássicos)

terça-feira, maio 15, 2007

Desafiado pelo Alessandro, posto novamente no mesmo dia.

TOP Macca solo (com ou sem Wings)

1 - Ram (1971)
2 - Wild Life (1971)
3 - Band on the Run (1973)
4 - Paul Mccartney (1970)
5 - Tug of War (1982)
6 - Flaming Pie (1997)
7 - Wings at the Speed of Sound (1976)
8 - Driving Rain (2001)
9 - Venus and Mars (1975)
10 - Red Rose Speedway (1973)

Desculpem o sumiço. Pretendo voltar mais a este blog abandonado e querido. Por enquanto, entro aqui apenas para postar que Moontan, o mais famoso álbum do Golden Earring, talvez seja o mais fraco que a banda produziu nos anos 70. Cheguei a essa conclusão reouvindo Eight Miles High (1970), Together (1972), Switch (1975) e To The Hilt (1976) - o melhor deles todos -, além do supracitado. E lembrando da maravilha que é Contraband (1976) e dos achados melódicos de Grab it For A Second (1978). Ah, como não ouvi No Promises - No Debts (1979), não posso confirmar minha forte suspeita.

terça-feira, março 06, 2007


O preconceito continua prejudicando o conhecimento dessa banda maravilhosa. Meu irmão, por exemplo, um dos maiores conhecedores de música pop desde os anos 50 até hoje, sempre diz que a banda é o Peter, Paul & Mary do Prog. Até tem sua razão, mas ele se esquece que a banda conta com dois dos melhores músicos da história: o baixista Jon Camp, e o tecladista John Tout. São as duas maiores razões para se escutar os discos da banda até 1979. Depois, eles cairiam na fórmula pop que impregnou o prog decadente do final dos anos 70, e realizaram dois discos risíveis. Confesso que por causa disso, deixei de acompanhar a carreira deles, e mesmo a elogiada obra solo de Annie Haslam, essa vocalista tão festejada pelos fãs. Sua voz é realmente bonita, em alguns momentos, celestial. Mas o segredo do Renaissance, o ingrediente que os tornam sensacionais dentro do universo prog, é mesmo baixo e piano.
Os discos que eu ouvi:
Renaissance (1969) * * * * *
Illusion (1970) * * * *
os dois discos acima têm formação completamente diferente, com Keith Relf (ex-Yardbirds, depois Armageddon) como timoneiro, e sua irmã Jane Relf, de voz tão linda quanto a de Haslam, mas injustamente esquecida. Contava ainda com o ótimo baixista Louis Cenammo, e o tecladista virtuose e erudito John Hawken, ambos excelentes, mas que não souberam criar uma identidade para a banda, apesar do primeiro disco ser uma obra-prima.
Prologue (1972) * * * *
Ashes Are Burning (1973) * * * * *
Turn of the cards (1974) * * *
Scheherazade & Other Stories (1975) * * * * *
Live at Carnegie Hall (1976) * * *
Novella (1977) * * * *
A Song for All Seasons (1978) * * * *
Azure D'Or (1979) * * * *
Camera camera (1981) *
Time Line (1983) mico
Scheherazade tem uma música mais fraca, que puxaria o disco para as 4 estrelas (lembrando que aboli a meia estrela para seguir o padrão da Paisà): "The Vultures Fly High". Mas "Ocean Gypsy" é tão boa, tem uma melodia tão magnífica, que compensa. "Can You Understand", a faixa de abertura de Ashes are Burning, tem um piano que, sozinho, justifica as cinco estrelas dadas para o disco.

domingo, março 04, 2007

Nostalgia da adolescência

ou: só gosta de metal quem tem mais de 20 anos se gostou de metal na adolescência

SAXON

Saxon (1979) * * *
Wheels of Steel (1980) * * * *
Strong Arm of the Law (1980) * * * *
Denim & Leather (1981) * * * * *
The Eagle Has Landed - ao vivo (1982) * * * *
Power & the Glory (1983) * * * * *
Crusader (1984) * * * *
Innocence is no Excuse (1985) * * * *
Rock the Nations (1986) * * *
Destiny (1988) *
Solid Ball of Rock (1991) * *
Forever Free (1993) * * *
Dogs of War (1995) * * *
The Eagle Has Landed II (1996) * * * *
Unleash the Beast (1997) * * *
Metalhead (1999) * * *
Killing Ground (2001) * * *
Lionheart (2004) * *
The Eagle Has Landed III - ao vivo (2006) * * *

SCORPIONS

Lonesome Crow (1972) * * *
Fly to the Rainbow (1974) * * *
In Trance (1975) * * * *
Virgin Killer (1976) * * * *
Taken by Force (1977) * * * *
Tokyo Tapes (1978) * * *
Lovedrive (1979) * * *
Animal Magnetism (1980) * * * *
Blackout (1982) * * * *
Love at First Sting (1984) * * *
World Wide Live (1985) * *
Savage Amusement (1988) * *
Crazy World (1990) * *
Face the Heat (1993) * * *
Live Bites (1995) * *
Pure Instinct (1996) * * *
Eye II Eye (1999) mico
Moment Of Glory (2000) *
Acoustica (2001) *
Unbreakable (2004) nunca ouvi

sábado, março 03, 2007


Reouvi hoje este primeiro LP solo de Dave Mason, do Traffic. Confesso que me desapontei. Alone Together é um disco bem simples, bem chavão do que se produzia no começo dos anos 70, com um pouco de rock, de folk e de baladas pop, tudo na medida para estourar nas paradas. O LP é bonito, com capa que abre, e vinil colorido, mas o conteúdo fica muito a dever a qualquer disco anterior do Traffic.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Reativando esta pocilga para reindicar um álbum magistral, perdido em 1972, numa fase intermediária de um grupo nunca muito lembrado. Trata-se de Bare Trees, a obra-prima do Fleetwood Mac. Sem Peter Green, sem Jeremy Spencer, Danny Kirwan comanda, e compõe cinco faixas essenciais, das quais "Sunny Side of Heaven", "Dust" e "Child of Mine" podem ser consideradas, sem exagero, das melhores coisas que surgiram na década de 70. Claro, tem "Sentimental Lady", a maravilhosa canção de Bob Welch, que faz arrepiar de tão linda, com backing vocals brilhantes e uma melodia pouco óbvia no refrão. A banda ainda faria belos discos, especialmente Heroes are Hard to Find (1974), Fleetwood Mac (1975), Rumours (1977) e Mirage (1982), mas nenhum chega perto da excelência de Bare Trees, álbum fundamental que segue e aprofunda a linha mais pop do álbum anterior, o ótimo Future Games (1971).

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Kevin Ayers - Didn't Feel Lonely

duelo entre Ollie Halsall, um dos maiores guitarristas da história e Andy Summers, um guitarrista muito bom
Patto

Uma das bandas mais subestimadas dos anos 70. Lançou três obras-primas. Essa música é da primeira delas

domingo, novembro 05, 2006

RUPERT HOLMES - HIM

Pop descartável e delicioso
Novos links adicionados:

blog do meu irmão, que finalmente se rendeu à blogosfera:

http://cantodocrooner.blogspot.com

ele promete falar de música, futebol e o que der na telha.

também adicionei o link da nossa loja:

www.jardimeletricodiscos.com.br

meu irmão fica muito mais lá que eu, para a sorte dos clientes. e de quem gosta de elvis, diz ele.

domingo, outubro 29, 2006

Focus- Hocus Pocus (live '73)

sandice pura
van der graaf generator - theme one

inacreditável
van der graaf generator - plague of lighthouse keepers pt.3

a parte mais violenta, e também a mais bela da longa suite que cobre todo o lado b da obra-prima Pawn Hearts (1971)

quinta-feira, outubro 19, 2006

Novo do Iron Maiden na praça. Ainda não ouvi, mas... Já fiz um cotações Iron?

os álbuns - e a melhor faixa de cada um (até Fear of the Dark, pois a partir daí ou eu não lembro, ou não ouvi suficientemente bem pra ter preferida)

Iron Maiden (1980) * * * * "Remember Tomorrow"

Killers (1981) * * * * * "Wrathchild"

Maiden Japan (1981) * * * 1/2

The Number of the Beast (1982) * * * "Children of the Damned"

Piece of Mind (1983) * * * * * "Where Eagles Dare"

Powerslave (1984) * * * * * "Aces High"

Live After Death - duplo ao vivo (1985) * * ah, não sei não

Somewhere in Time (1986) * * * * "Waysted Years"

Seventh Son of a Seventh Son (1988) * * * 1/2 "The Clairvoyant"

No Prayer for the Dying (1990) * * "Holy Smoke"

Fear of the Dark (1992) * * * "Be Quick or Be Dead"

A Real Live One (1993)
A Real Dead One (1993)
Live at Donnington (1994)
The X Factor (1995) *
Virtual XI (1998) *
Brave New World (2000) * * * 1/2
Rock in Rio 2 (2002) nunca ouvi
Dance of Death (2003) * * *

terça-feira, setembro 05, 2006

Alan Parsons Project, ou o reino da baba-prog:

(e as melhores faixas)

Tales of Mystery and Imagination (1975) * * * * sob a influência de Poe - The Raven, Doctor Tarr and Professor Fether, To One in Paradise.

I Robot (1977) * * * maior flerte com o pop - I Wouldn't Want to be Like You, Day After Day, Some Other Place.

Pyramid (1978) * * * 1/2 uma fórmula sendo formatada - Hyper Gama Spaces, One Good River, In the Lap of the Gods.

Eve (1979) * * * 1/2 disco feminista no Ano Internacional da Mulher - Winding me Up, Don't Hold Back, Lucifer.

The Turn of a Friendly Card (1980) * * * * 1/2 - o grande disco prog-pop da banda - Games People Play, Time, a suíte Turn on a Friendly Card (Snake Eyes, Nothing Left to Loose...)

Eye in the Sky (1982) * * * * 1/2 - o desbunde da baba pop e muita inspiração - Eye in the Sky, Silence and I, Old and Wise, You've Got to Get Your Fingers Burned

Ammonia Avenue (1983) * * * * - na mesma tocada do anterior - Since the Last Goodbye, Don't Answer Me, Ammonia Avenue, Dancing on a Highwire.

Vulture Culture (1984) * * * 1/2 - a baba começa a pesar - Separate Lives, Let's Talk About Me, Sooner or Later

Stereotomy (1985) * * * - disco confuso, mas de belos momentos - Stereotomy, Light of the World.

Gaudi (1987) * * * - idem - La Sagrada Familia, Standing on a Higher Ground, Paseo de Gracia.

depois é só Alan Parsons e tem seus momentos, mas raramente me empolga.

terça-feira, agosto 29, 2006

























Desculpem a ausência. Prometo pelo menos um post por semana daqui pra frente.

Justiça seja feita: Guilherme Arantes já foi muito bom...

sei que devo um cotações do Alan Parsons, o supra-sumo da baba pop-prog, mas resolvi passar o Guilherme na frente porque ele merece.

Moto Perpétuo (1974) - único disco da banda * * * *

carreira solo:

Guilherme Arantes (foto grande da esquerda)(1976) * * * * *
-tem "Meu Mundo e Nada Mais". Absurdamente genial até hoje. Mas também tem "A Cidade e a Neblina", "Cuide-se Bem", "Águas Passadas" e "Antes da Chuva Chegar".

Ronda Noturna (foto menor da esquerda)(1977) * * *
-um disco estranho, apesar de conter o clássico "Amanhã". Parece que ele tentava uma sonoridade mais pop, mas sem muito jeito.

A Cara e a Coragem (foto maior da direita)(1978) * * * * *
-um contrato grande com a Warner, e um disco confessional e tocante, que ficou melhor no CD, com o corte da desnecessária "Boa Viagem". Com essa música a menos, a coesão é notável, e o disco vira realmente "A" obra-prima dele. Os destaques são muitos: "Viva", "A Cara e a Coragem", "Brazilian Boys" (c'mon, c'mon, feijão com arroz...), "Show de Rock", "Brincos na Orelha", "Mas Ela Não Quer, Mas Ela Não Pode"...ah, todas são essenciais. Arranjos orquestrais belíssimos do próprio Guilherme, regidos por Rogério Duprat.

Guilherme Arantes (1979) * * *
-é o disco que tem a esquisita "Biônica". Tem a magistral "Êxtase" também, mas não entendo direito o que ele queria com esse álbum que tem a produção de Liminha.

Coração Paulista (foto menor da direita)(1980) * * * * 1/2
-Liminha agora se acertou com ele, garantindo um disco mais roqueiro e redondo. A faixa-título é um c´lássico, assim como "A Noite", "Brasília" e "Estranho".

Guilherme Arantes (1982) * * * 1/2
-aqui ele fez as pazes com o pop que não se encaixava no disco de 1979. Esse é pegajoso, certeiro, e garantiu pelo menos dois clássicos de seu repertório: "Lance Legal" e "O Melhor Vai Começar". Mas já dá pra sentir um ranço pasteurizado que iria predominar nos discos futuros.

Ligação (1983) * * 1/2
-maldição dos anos ímpares? alguns sucessos: "Rolo Compressor", Tão Blue", "Graffiti", "Pedacinhos" (a única realmente boa dessas todas)...a volta à Som Livre poderia ser mais inspirada.

Despertar (1985) * * * 1/2
-ainda que tenha uma capa piegas toda vida, e seja desfalcado dos compactos do ano anterior (Fio da Navalha e Xixi nas Estrelas), é o disco que encerra a maldição dos anos ímpares...ou pelo menos consegue uma trégua. Tem "Cheia de Charme", "Fã Nº 1", "Gaivotas", "Brincar de Viver", "Olhos Vermelhos", canções bacanas, ainda que não cheguem aos pés dos clássicos de 76 e 78. É sua estréia na CBS.

Calor (1986) * * *
-disco muito malhado à sua época. Injustamente, como podem comprovar as belas faixas "Coisas do Brasil", "Loucas Horas", "Mania de Possuir" e "Oceano". O problema é que as outras faixas só servem para encher o disco, salvo falha na memória.

Guilherme Arantes (1987) * *
-disco que me fez parar de acompanhá-lo...será que fui imprudente?

daí pra frente não posso mais cotar, já que pouco ouvi. Tem a coletânea Millenium, cheia de regravações e versões de sucessos internacionais para o português. Algumas são risíveis, como "Eu Queria Amor" (para My Cherie Amour, do Stevie Wonder) e "Alone Again" (para música de mesmo nome de Gilbert O'Sullivan), mas confesso que achei agradável ouvir "Muito Tarde" (para Too Late, de Carole King), e pelo menos uma faixa recente (bem...de 1996) me conquistou: "Hora de Partir o Coração".

domingo, agosto 20, 2006

Ouvir Zappa é sempre um luxo. Ouvir o lado 4 de You Are What You Is (1981) é comprovar que Zappa, além de ser o melhor guitarrista de todos os tempos junto com Dave Davies, é um compositor dos mais completos. Começando com "Heavenly Bank Account"(que na intro remete a "Dumb All Over", última do lado 3) e terminando com "Drafted Again", passando pelas obras-primas máximas "Suicide Chump" e "Jumbo Go Away", esse lado praticamente resume a história da música pop na segunda metade do século 20. Quem não ouviu trate de correr.