Para quebrar o jejum de posts, mando um pequeno texto do meu irmão, Ricardo Alpendre, sobre a importante data de 5 de julho. O texto não chega nem perto da picaretagem usual deste blog (pois é bem escrito), e meu irmão é livre para escrever aqui sempre que a preguiça não o vencer.
Aqui está:
Há exatos cinqüenta anos, completados nesta segunda-feira, 5 de julho, o jovem Elvis Aaron Presley, ainda a um ano e meio de se tornar Elvis The Pelvis, gravou a música “That’s All Right” de Arthur Crudup. 1954. Segunda-feira, como esta. Elvis, fã de blues desde sempre, gravaria ainda outras duas do bluesman Crudup até início de 1956. Não é que o Rock & Roll nasceu ali naquela hora: havia anos os rhythm & blues dos negros já podiam ser chamados como tal; e tanto quanto se pode dizer rock & roll acústico, “They’re Red Hot” de Robert Johnson (1937) e coisas do gênero já poderiam entrar na categoria. O que fizeram Elvis, Scotty Moore (guitarra) e Bill Black (baixo), então, foi acender o curtíssimo pavio do explosivo Rockabilly e do Rock & Roll de Memphis. Além de colocar sua carreira nos trilhos a mil por hora, Elvis punha no mapa o selo Sun Records, com o proprietário e produtor Sam Phillips. Além, é claro, de legitimar o Rock como um gênero musical para os Estados Unidos e depois o mundo. Foi há 50 anos.
Na verdade, foi hoje também, acontece todo dia. É como na fala de Tommy Lee Jones em MIB: Men In Black: “Elvis não morreu... foi para casa.”
Ricardo Alpendre
www.czpublicidade.com/tomada
dividir impressões musicais com outros melômanos. boa leitura! *****obra-prima - ****ótimo - ***bom - **hummm - *pfui - mico. agora valem as meias cotações.
sábado, julho 03, 2004
sábado, junho 19, 2004
Da série "ninguém vai ler, e quem ler vai se perguntar: what the fuck?"
ELO, ou a genialidade de Jeff Lynne - parte 2
Electric Light Orchestra (1971) ****
Uma estréia que agrada aos psicodélicos e aos proggers. A mistura ainda era decidida, muito bem arranjada com suas camadas de tons fortes. "Mr.Radio", "10508 Overture" e "Nellie Takes a Bow" provam que a junção de dois talentos (Roy Wood e Jeff) não iria durar. São músicas que pertencem a mesma concepção, mas apontam para caminhos divergentes.
Electric Light Orchestra 2 (1972) ****1/2
Se não fosse a versão correta, mas desnecessária de "Roll Over Bethoven", este disco seria uma obra-prima. Não por ser o mais progressivo da banda, mas porque Jeff, agora livre para impor sua maneira de conceber canções, resolveu inverter o que se esperava e compôs canções viajantes, como Wood queria, mas construídas com forte apêlo melódico e comercial. Dessa indecisão surgiu um belo disco space prog. Basta ver que o segundo lado tem só duas músicas, as melhores do disco: "Kuyama" e "From the sun to the World".
On the Third Day (1973) ****1/2
Discaço que acentua o lado comercial buscado por Lynne, sem abandonar os devaneios space prog do segundo disco. Apenas eles aparecem mais formatados, em canções mais curtas. Tem uma seqüência de tirar o fôlego, que começa com "Showdown" e termina com "Dreaming of 4000". São quatro faixas geniais que comprovam o talento e o direcionamento buscado por Lynne. Tem "No Not Susan" também, a canção mais John Lennon que já ouvi (bom...até "Can't Get it Out of My Head", do LP Eldorado)
Eldorado (1974) **1/2
Um disco indeciso, meio continuação do anterior sem nada acrescentar. Seria piloto automático, não fosse a incapacidade de Lynne de deixar de se envolver com uma busca pela melodia perfeita (ok, quantas vezes você já viu eu escrever isso?). "Mister Kingdon" e´"Boy Blue" são as melhores.
Face the Music (1975) ***1/2
Mais um disco indeciso, ainda que sensivelmente melhor que Eldorado. Falta coesão, mas as melodias voltaram a ser inspiradas como em On the Third Day. Ouça "Strange Magic" e "One Summer Dream", duas das melhores canções de Lynne. Mas tem também "Evil Woman", que prenuncia a recaída Disco Music do disco seguinte em alto estilo. Infelizmente tem "Fire on High", abertura eruditóide e equivocada, eles fizeram muitas, mas nenhuma incomoda como essa.
A New World Record (1976) *****
Há há...o disco que tem "Livin' Thing", o maior sucesso comercial do grupo. Todo mundo conhece, e quase todo mundo tem vergonha de dizer que gosta. O inegável é que a melodia dessa música gruda como uma geleca assassina, e faz com que você fique prisioneiro do refrão emoldurado pelas cordas agudas. Clássico do pop safado, mas metido a sério, de Lynne. O resto do disco seguraria as cinco estrelas mesmo sem a irmã famosa. Pô..."Above the Clouds" tem os backing vocals mais geniais daqueles tempos, e "Rockaria", o casamento perfeito entre a erudição dos arranjos e a inspiração Buddy Holly com Roy Orbison de Lynne. Fora a citação de Easybeats na genial "Telephone Line", a abertura potente com "Tightrope", a batida bate estaca de "So Fine"...um clássico.
Out of the Blue (1977) *****
Álbum duplo sem um sulco supérfluo sequer. De baladas e batidas 4x4 segue o maravilhoso mundo de Jeff Lynne. A abertura do disco, a direta e dançante "Turn to Stone" dá o tom, alternando com baladas como a tocante "It's Over", a segunda do disco, que tem uma das letras mais lindas sobre desilusão amorosa que já ouvi (sim, porque a conjunção entre o que ele canta e como canta é genial, coisa de arrepiar mesmo), fora a batida de "If I Fell" (dos Beatles). "Mr. Blue Sky" está na trilha da nova peraltice escrita por Charlie Kaufman para o cinema, permeia todo o trailer, talvez seja descoberta como uma das mais geniais peças do revival dos anos 50s pelos anos finais dos 70s. E o rock 'n' roll segue pulsante com "Birminghan Blues". Um dos grandes discos de todos os tempos.
Discovery (1979) ***
Entressafra brava. Depois de Out of the Blue, qualquer disco seria decepcionante, mas Discovery soa como ducha de água fria na primeira audição. Ouvindo com calma, percebe-se que a genialidade de Lynne bate ponto em pelo menos três músicas: "Wishing", com a volta dos backing vocals inspiradíssimos; "Diary of Horace Wimp", pela brilhante combinação de letra e melodia; e a indefectível "Last Train to London", canção que fez bem mais sucesso no Brasil que no resto do mundo, a ponto de ter ficado de fora de várias coletâneas, inclusive de uma dupla, bem abrangente da carreira do grupo.
Xanadu (1980) ***
Tirando o delicioso guilty pleasure que é o lado de Olivia Newton John, o lado do ELO é bem bacana, ainda que nada acrescente ao repertório do grupo. "I'm Alive" é o destaque.
Time (1981) ****1/2
O disco que tem a introdução do robozinho. Como tocava nas rádios brasileiras a brilhante e deliciosamente brega "Twilight" e com o prólogo, limado das rádios no resto do mundo. Brasileiros têm bom ouvido para o pop (isso me lembra que a melhor versão de Skyline Pidgeon, de Elton John, só fez sucesso no Brasil). O disco ainda tem a bela "Ticket to the Moon", uma balada que pode levar às lágrimas, com vocal adocicado na medida. E ainda tem as geniais "Here is the News", "Rain is Falling" e "21st Century Boy".
Secret Messages (1983) ****
Um disco que segue Time em muitos pontos, mas parece apontar para uma estafa criativa. Seus momentos bons, entretanto, são tão bons, que garantem o interesse. Na verdade, quase tudo que entrou no disco é muito bom. É que a intenção era fazer outro álbum duplo, idéia abortada pela gravadora, com Lynne concordando, já que as extra tracks são decepcionantes e bem mais fracas que qualquer coisa que entrou para o disco. Destaques: Secret Messages, Train of Gold, Four Little Diamonds e Danger Ahead.
Balance of Power (1986) *
Um desastre. Só "Getting to the Point" se salva, o que é muito pouco.
Zuma (2000) ****
Creditado como ELO, mas na verdade um disco solo de Jeff Lynne, tão bom quanto o festejado Armchair Theatre (de 1991 ****). Como não tenho o disco em mãos, não lembro quais as melhores, mas deve-se salientar que a mão de Lynne está muito boa.
Esqueçam a segunda incarnação da banda, sem Jeff Lynne, e que fez shows pelo Brasil (com Lynne aparecendo nas fotos promocionais - santa picaretagem).
ELO, ou a genialidade de Jeff Lynne - parte 2
Electric Light Orchestra (1971) ****
Uma estréia que agrada aos psicodélicos e aos proggers. A mistura ainda era decidida, muito bem arranjada com suas camadas de tons fortes. "Mr.Radio", "10508 Overture" e "Nellie Takes a Bow" provam que a junção de dois talentos (Roy Wood e Jeff) não iria durar. São músicas que pertencem a mesma concepção, mas apontam para caminhos divergentes.
Electric Light Orchestra 2 (1972) ****1/2
Se não fosse a versão correta, mas desnecessária de "Roll Over Bethoven", este disco seria uma obra-prima. Não por ser o mais progressivo da banda, mas porque Jeff, agora livre para impor sua maneira de conceber canções, resolveu inverter o que se esperava e compôs canções viajantes, como Wood queria, mas construídas com forte apêlo melódico e comercial. Dessa indecisão surgiu um belo disco space prog. Basta ver que o segundo lado tem só duas músicas, as melhores do disco: "Kuyama" e "From the sun to the World".
On the Third Day (1973) ****1/2
Discaço que acentua o lado comercial buscado por Lynne, sem abandonar os devaneios space prog do segundo disco. Apenas eles aparecem mais formatados, em canções mais curtas. Tem uma seqüência de tirar o fôlego, que começa com "Showdown" e termina com "Dreaming of 4000". São quatro faixas geniais que comprovam o talento e o direcionamento buscado por Lynne. Tem "No Not Susan" também, a canção mais John Lennon que já ouvi (bom...até "Can't Get it Out of My Head", do LP Eldorado)
Eldorado (1974) **1/2
Um disco indeciso, meio continuação do anterior sem nada acrescentar. Seria piloto automático, não fosse a incapacidade de Lynne de deixar de se envolver com uma busca pela melodia perfeita (ok, quantas vezes você já viu eu escrever isso?). "Mister Kingdon" e´"Boy Blue" são as melhores.
Face the Music (1975) ***1/2
Mais um disco indeciso, ainda que sensivelmente melhor que Eldorado. Falta coesão, mas as melodias voltaram a ser inspiradas como em On the Third Day. Ouça "Strange Magic" e "One Summer Dream", duas das melhores canções de Lynne. Mas tem também "Evil Woman", que prenuncia a recaída Disco Music do disco seguinte em alto estilo. Infelizmente tem "Fire on High", abertura eruditóide e equivocada, eles fizeram muitas, mas nenhuma incomoda como essa.
A New World Record (1976) *****
Há há...o disco que tem "Livin' Thing", o maior sucesso comercial do grupo. Todo mundo conhece, e quase todo mundo tem vergonha de dizer que gosta. O inegável é que a melodia dessa música gruda como uma geleca assassina, e faz com que você fique prisioneiro do refrão emoldurado pelas cordas agudas. Clássico do pop safado, mas metido a sério, de Lynne. O resto do disco seguraria as cinco estrelas mesmo sem a irmã famosa. Pô..."Above the Clouds" tem os backing vocals mais geniais daqueles tempos, e "Rockaria", o casamento perfeito entre a erudição dos arranjos e a inspiração Buddy Holly com Roy Orbison de Lynne. Fora a citação de Easybeats na genial "Telephone Line", a abertura potente com "Tightrope", a batida bate estaca de "So Fine"...um clássico.
Out of the Blue (1977) *****
Álbum duplo sem um sulco supérfluo sequer. De baladas e batidas 4x4 segue o maravilhoso mundo de Jeff Lynne. A abertura do disco, a direta e dançante "Turn to Stone" dá o tom, alternando com baladas como a tocante "It's Over", a segunda do disco, que tem uma das letras mais lindas sobre desilusão amorosa que já ouvi (sim, porque a conjunção entre o que ele canta e como canta é genial, coisa de arrepiar mesmo), fora a batida de "If I Fell" (dos Beatles). "Mr. Blue Sky" está na trilha da nova peraltice escrita por Charlie Kaufman para o cinema, permeia todo o trailer, talvez seja descoberta como uma das mais geniais peças do revival dos anos 50s pelos anos finais dos 70s. E o rock 'n' roll segue pulsante com "Birminghan Blues". Um dos grandes discos de todos os tempos.
Discovery (1979) ***
Entressafra brava. Depois de Out of the Blue, qualquer disco seria decepcionante, mas Discovery soa como ducha de água fria na primeira audição. Ouvindo com calma, percebe-se que a genialidade de Lynne bate ponto em pelo menos três músicas: "Wishing", com a volta dos backing vocals inspiradíssimos; "Diary of Horace Wimp", pela brilhante combinação de letra e melodia; e a indefectível "Last Train to London", canção que fez bem mais sucesso no Brasil que no resto do mundo, a ponto de ter ficado de fora de várias coletâneas, inclusive de uma dupla, bem abrangente da carreira do grupo.
Xanadu (1980) ***
Tirando o delicioso guilty pleasure que é o lado de Olivia Newton John, o lado do ELO é bem bacana, ainda que nada acrescente ao repertório do grupo. "I'm Alive" é o destaque.
Time (1981) ****1/2
O disco que tem a introdução do robozinho. Como tocava nas rádios brasileiras a brilhante e deliciosamente brega "Twilight" e com o prólogo, limado das rádios no resto do mundo. Brasileiros têm bom ouvido para o pop (isso me lembra que a melhor versão de Skyline Pidgeon, de Elton John, só fez sucesso no Brasil). O disco ainda tem a bela "Ticket to the Moon", uma balada que pode levar às lágrimas, com vocal adocicado na medida. E ainda tem as geniais "Here is the News", "Rain is Falling" e "21st Century Boy".
Secret Messages (1983) ****
Um disco que segue Time em muitos pontos, mas parece apontar para uma estafa criativa. Seus momentos bons, entretanto, são tão bons, que garantem o interesse. Na verdade, quase tudo que entrou no disco é muito bom. É que a intenção era fazer outro álbum duplo, idéia abortada pela gravadora, com Lynne concordando, já que as extra tracks são decepcionantes e bem mais fracas que qualquer coisa que entrou para o disco. Destaques: Secret Messages, Train of Gold, Four Little Diamonds e Danger Ahead.
Balance of Power (1986) *
Um desastre. Só "Getting to the Point" se salva, o que é muito pouco.
Zuma (2000) ****
Creditado como ELO, mas na verdade um disco solo de Jeff Lynne, tão bom quanto o festejado Armchair Theatre (de 1991 ****). Como não tenho o disco em mãos, não lembro quais as melhores, mas deve-se salientar que a mão de Lynne está muito boa.
Esqueçam a segunda incarnação da banda, sem Jeff Lynne, e que fez shows pelo Brasil (com Lynne aparecendo nas fotos promocionais - santa picaretagem).
quinta-feira, junho 17, 2004
Electric Light Orchestra: o preconceito que a maravilhosa banda de Jeff Lynne sempre sofreu parece que se arrefeceu em algum momento nos anos 90. O filme Boogie Nights se encerra com um de seus hits (fui motivo de gozação por isso - pô, logo na hora que o cara mostra o documento vão tocar uma banda que eu adoro...), a revista Mojo colocou Out of the Blue entre os melhores discos dos anos 70, Macca capitulou às insistências de George (que já havia trabalhado com a produção do mago Lynne) para a escolha do produtor da série Anthology (adivinhem quem...). Falta ainda reconhecer o quanto a banda seguiu nos caminhos traçados pelos Beatles, e pavimentados por Raspberries, Badfinger, Moody Blues e outros. ELO é "wall of sound". ELO é a batida quatro por quatro, o desbunde da Disco Music em sua versão mais roqueira, ELO é, acima de tudo, a deliciosa levada de "If I Fell" (do A Hard Day's Night) relida, estudada e redimensionada. As letras falam de ritos de passagem, de dificuldades nos relacionamentos. "Starlight", "Strange Magic", "It's Over", "Mr. Blue Sky", "Diary of Horace Wimp", "Twilight", "Turn to Stone", "One Summer Dream", "Mr.Radio", "Kuyama", "Showdown"...clássicos do power pop que deveriam fazer parte do repertório da festa da Contracampo, mas acho que o Ruy não deixaria.
quarta-feira, junho 16, 2004
Na revista Mosh que está prestes a ser lançada, foi requisitada uma lista dos 50 piores discos de rock pop já feitos. Claro que privilegiamos (a lista foi assinada pela Jardim Elétrico, ou seja, eu e meu irmão) discos de bandas que gostamos, pra ficar mais picante a seleção. Ei-la:
(sem ordem de "preferência")
1- Cardigans - long gone before daylight
2- manowar - fighting the world
3- judas priest - turbo
4- suede - a new morning
5- beach boys - beach boys (1985)
6- earth wind & fire - touch the world
7- santana - shaman
8- rolling stones - undercover
9- clash - cut the crap
10- queen - innuendo
11- grand funk - grand funk lives
12- yes - tormato
13- cirith ungol - prêmio especial para o conjunto da obra
14- metallica - st. anger
15- red hot chili peppers - by the way
16- status quo - spare parts
17- duran duran - liberty
18- black sabbath - headless cross
19- iron maiden - x factor
20- paul mccartney - give my regards to brodway street
21- george harrison - gone troppo
22- u2- pop
23- scorpions - eye 2 eye
24- van halen - III
25- genesis - calling all stations
26- gentle giant - giant for a day
27- king crimson - three of a perfect pair
28- neil young - landing on water
29- david bowie - never let me down
30- eric clapton - august
31- massive attack - 100th window
32- cocteau twins - four calendar cafe
33- oasis - be here now
34- ozzy osbourne - the ultimate sin
35- elvis - o seresteiro de acapulco
36- renaissance - time line
37- ac/dc - blow up your video
38- uriah heep - equator
39- stevie wonder - characters
40- kansas - the spirit of things
41- rush - roll the bones
42- jethro tull - A
43- deep purple - bananas
44- camel - a single factor
45- eloy - oceans 2
46- doobie brothers - one step closer
47- dream theater - awake
48- helloween - keeper of the seven keys part 2
49- the cult - sonic temple
50- engenheiros do hawaii - o papa é pop
Ofensas serão compreendidas.
(sem ordem de "preferência")
1- Cardigans - long gone before daylight
2- manowar - fighting the world
3- judas priest - turbo
4- suede - a new morning
5- beach boys - beach boys (1985)
6- earth wind & fire - touch the world
7- santana - shaman
8- rolling stones - undercover
9- clash - cut the crap
10- queen - innuendo
11- grand funk - grand funk lives
12- yes - tormato
13- cirith ungol - prêmio especial para o conjunto da obra
14- metallica - st. anger
15- red hot chili peppers - by the way
16- status quo - spare parts
17- duran duran - liberty
18- black sabbath - headless cross
19- iron maiden - x factor
20- paul mccartney - give my regards to brodway street
21- george harrison - gone troppo
22- u2- pop
23- scorpions - eye 2 eye
24- van halen - III
25- genesis - calling all stations
26- gentle giant - giant for a day
27- king crimson - three of a perfect pair
28- neil young - landing on water
29- david bowie - never let me down
30- eric clapton - august
31- massive attack - 100th window
32- cocteau twins - four calendar cafe
33- oasis - be here now
34- ozzy osbourne - the ultimate sin
35- elvis - o seresteiro de acapulco
36- renaissance - time line
37- ac/dc - blow up your video
38- uriah heep - equator
39- stevie wonder - characters
40- kansas - the spirit of things
41- rush - roll the bones
42- jethro tull - A
43- deep purple - bananas
44- camel - a single factor
45- eloy - oceans 2
46- doobie brothers - one step closer
47- dream theater - awake
48- helloween - keeper of the seven keys part 2
49- the cult - sonic temple
50- engenheiros do hawaii - o papa é pop
Ofensas serão compreendidas.
segunda-feira, junho 14, 2004
O prazer de reouvir a banda galesa Budgie em vinil importado é inigualável. Dois exemplares recém adquiridos: Never Turn a Back on a Friend(1973****1/2), o terceiro, é sensacional, como sempre achei. Mas não consegui destacar música alguma. O disco tem uma coesão espantosa, e Burke Shelley, o baixista vocalista, dá mais munição para quem sabe que o Rush foi buscar 80% de sua sonoridade no Budgie (e a semelhança entre os dois vocalistas, tanto na voz, quanto na aparência física é algo a se estudar). Sua voz está mixada bem baixinho, sendo quase soterrada por seu próprio baixo e pela batida suingada. Por falar em suingue, Bandolier (1975*****), o quinto, prossegue na crescente busca pela batida sacolejante perfeita, que iria culminar no delicioso Impeckable (1978****1/2). O disco é perfeito, com baladas (Napoleon Bona - Part One) e rockões de primeira. E tem uma das melhores faixas da carreira do gurpo, a inacreditável "I Ain't No Mountain", de onde o AC/DC tirou a levada de baixo de "Love Hungry Man". A faixa possui um dos refrões que fariam a alegria daqueles que, como eu, babam por uma bela e inusitada melodia. Fora isso, Bandolier possui faixas de nomes bizarros como: "Slipaway/A Parrot Fashion Ball" e "Breaking All the House Rules and Learning All the House Rules", além da infame piada napoleônica (uma faixa dividida em duas partes: "Napoleon Bona - Part One" e "Napoleon Bona - Part Two"). É preciso muita coragem pra ser tão imbecil, mas o disco é fenomenal, independente disso.
segunda-feira, junho 07, 2004
Sábado na MTV: clip do Right Said Fred, a banda armação que revolucionou o pop safado com um disco de estréia sensacional, Up. O segundo não é tão bom, mas os hits do primeiro são inesquecíveis. "I'm Too Sexy", a música do clip visto, é um clássico com referências a vários clichês dos anos 80 (alguém lembra do pop aeróbico de Michael Sembello?). O clip não fica atrás, recriando cenas do imaginário da geração saúde que tomou as praias e clubes naquela década. Um revival satírico mais do que necessário em um dos clipes mais geniais já feitos. "i'm too sexy for my hat, too sexy for my hat, what you think about that?..."
sexta-feira, junho 04, 2004
THE WHO:
My Generation (65) ****1/2
A Quick One (66) ****
Sell Out (67) *****
Tommy (69) ****
Who's Next (71) *****
Quadrophenia (73) *****
Who by Numbers (75) ****
Who Are You (78) ****
Face Dances (80) ****
It's Hard (82) ****
ou seja...um mar de estrelas. Deixei propositalmente de fora as coletâneas e discos ao vivo.
My Generation (65) ****1/2
A Quick One (66) ****
Sell Out (67) *****
Tommy (69) ****
Who's Next (71) *****
Quadrophenia (73) *****
Who by Numbers (75) ****
Who Are You (78) ****
Face Dances (80) ****
It's Hard (82) ****
ou seja...um mar de estrelas. Deixei propositalmente de fora as coletâneas e discos ao vivo.
quinta-feira, junho 03, 2004
The Who - Quadrophenia (1973) * * * * *
Este é o verdadeiro duplo clássico do Who, superior ao aclamado Tommy (1969 * * * *). Pete Townshend brinca com os sintetizadores o tempo todo, mas o som está tão cheio, com a banda tocando sempre no máximo, e John Entwistle arrasando, que fica difícil não se entregar ao disco. O falecido Entwistle é um dos nomes mais injustiçados do rock. É influência confessa de vários baixistas geniais como Lemmy Kilmister e Chris Squire, mas raramente é lembrado em listas. Quadrophenia vem logo depois de seu segundo e genial disco solo, Whistle Rhymes, e tem a mesma sonoridade grave. Townshend gostava de manter o baixão lá em cima, apesar de muitas vezes ele sobrepujar sua guitarra. Canções clássicas sobram no LP: "Is it me?", "The Real Me", "Cut my Hair", "5:15", "Sea and Sand", "Bell Boy", e a fenomenal "Doctor Jimmy (and mister Jim)", faixa que abre o derradeiro lado do álbum duplo. Tenho amigos tecnocratas que não gostam do Who por achar que lhes falta técnica...pfui.
Este é o verdadeiro duplo clássico do Who, superior ao aclamado Tommy (1969 * * * *). Pete Townshend brinca com os sintetizadores o tempo todo, mas o som está tão cheio, com a banda tocando sempre no máximo, e John Entwistle arrasando, que fica difícil não se entregar ao disco. O falecido Entwistle é um dos nomes mais injustiçados do rock. É influência confessa de vários baixistas geniais como Lemmy Kilmister e Chris Squire, mas raramente é lembrado em listas. Quadrophenia vem logo depois de seu segundo e genial disco solo, Whistle Rhymes, e tem a mesma sonoridade grave. Townshend gostava de manter o baixão lá em cima, apesar de muitas vezes ele sobrepujar sua guitarra. Canções clássicas sobram no LP: "Is it me?", "The Real Me", "Cut my Hair", "5:15", "Sea and Sand", "Bell Boy", e a fenomenal "Doctor Jimmy (and mister Jim)", faixa que abre o derradeiro lado do álbum duplo. Tenho amigos tecnocratas que não gostam do Who por achar que lhes falta técnica...pfui.
terça-feira, junho 01, 2004
Na lista de discussão Rock Antigo, andaram esnobando o elenco do Rock in Rio - Lisboa. Pouparam apenas Peter Gabriel, artista que adoro, mas que nada de bom nos deu desde Us. Ovo era uma repetição preguiçosa de Passion e Up é uma tentativa de se manter moderno. Já Macca anda atirando para vários lados, mas sempre com resultados interessantes, seja em sua carreira dita "séria", com o fenomenal Driving Rain, seja em seus projetos (Fireman é o mais interessante, mas o álbum Run Devil Run é bem bacana). Atravessou os 90s em alto estilo, ao contrário de Gabriel. Já Britney, estrela máxima do evento, tem feito uma carreira de pop safado muito boa, com destaque para "Toxic", que como já disse, é o hino pop do século 21. A seleção, no entanto, é bem irregular mesmo, e deve desagradar muita gente em Lisboa.
Entrou um lote enorme de LPs, a maioria de Heavy Metal e de Prog. Entre as moscas brancas, Novalis (brandung), Gentle Giant (power and the glory), Jethro Tull (Aqualung e Stand up - sendo que o último com os bonecos dobrados), Loudness (thunder in the east), Trust (trust - o que tem antisocial), Lou Reed (Street Hassle), CSN, coletânea dupla do Buffalo Springfield, Deep Purple original inglês (fireball)...todos importados. Estão rendendo reaudições valiosíssimas. No momento, escuto street hassle, um disco pouco falado de Lou Reed, mas que está entre os melhores. É de 1978 e tem Dirt, clássico da sujeira comum às canções dele. O lote ainda renderá mais posts.
sábado, maio 22, 2004
Danny Kirwan é genial. Quando assumiu a maior parte das composições do Fleetwood Mac, possibilitou a melhor fase da banda. A fase que vai de Kiln House (1970) ao Heroes are Hard to Find (1974), antes de Stevie Nicks e Lindsey Buckinghan dominarem a sonoridade da banda, fazendo discos mais comerciais como Rumours (1977). Bare Trees (1972, o terceiro sem Peter Green) é o melhor disco deles. Danny Kirwan arrasa com todas as que compõe, principalmente com "Dust" e "Bare Trees". E Bob Welch comparece com a maravilhosa "Sentimental Lady", a melhor balada da banda, e uma das melhores baladas já feitas. A fase blues, com Peter Green, come poeira na comparação.
quarta-feira, maio 19, 2004
Engraçado como Throwing Muses é injustiçado pelo público indie brasileiro. Na época de Hunkpapa até conseguiram uma certa notoriedade, por conta das excelentes críticas em jornais e na Bizz (que na época era formadora de opiniões). Depois, pouco tempo depois, já cairam no ostracismo, mesmo realizando excelentes discos, em especial o que ouço agora "The Real Ramona". É mais variado que hunkpapa, mesmo assim, tem mais coesão, vai do começo ao fim sem que se ouça uma música fraca sequer. Uma autêntica obra-prima, só igualada pelo homônimo disco de 2003.
sexta-feira, maio 07, 2004
Por causa de um período bem conturbado, está sendo meio difícil a atualização deste blog, o que deve melhorar no meio da semana que vem. Este post é só pra informar que o blog do Ruy (pra coisa nenhuma) voltou a ser atualizado. Vale a pena a visita.
quinta-feira, abril 22, 2004
A revista Zero está com uma matéria interessante sobre a maldição do segundo disco. Por isso, imitando a matéria, coloco aqui o meu Top 10 (na revista são 5) dos melhores segundos LPs da história da música popular. Posso esquecer algum, mas por hoje é isso:
1) The Zombies - Odessey and Oracle (1968)
2) Raspberries - Fresh (1974)
3) Os Novos Baianos - Acabou Chorare (1972)
4) Queen - Queen II (1974)
5) Caetano Veloso - Caetano Veloso (1969)
6) Os Mutantes - Os Mutantes (1969)
7) Velvet Underground - White Light White Heat (1968)
8) The Kinks - Kinda kinks (1965)
9) David Bowie - The Man Who Sold the World (1970)
10) Pixies - Doolittle (1990)
Lembrem-se que Come on Pilgrim é EP.
Queria colocar um de Jazz, mas a discografia é muito confusa, não sei quais os segundos discos dos meus jazzistas preferidos.
É óbvio que ficou muita coisa de fora. Amanhã a lista seria outra. Ou como disse o Chiko, discordo da minha própria lista.
1) The Zombies - Odessey and Oracle (1968)
2) Raspberries - Fresh (1974)
3) Os Novos Baianos - Acabou Chorare (1972)
4) Queen - Queen II (1974)
5) Caetano Veloso - Caetano Veloso (1969)
6) Os Mutantes - Os Mutantes (1969)
7) Velvet Underground - White Light White Heat (1968)
8) The Kinks - Kinda kinks (1965)
9) David Bowie - The Man Who Sold the World (1970)
10) Pixies - Doolittle (1990)
Lembrem-se que Come on Pilgrim é EP.
Queria colocar um de Jazz, mas a discografia é muito confusa, não sei quais os segundos discos dos meus jazzistas preferidos.
É óbvio que ficou muita coisa de fora. Amanhã a lista seria outra. Ou como disse o Chiko, discordo da minha própria lista.
terça-feira, abril 20, 2004
o melhor de Byrds, banda injustiçada:
Mr. Tambourine Man (1965) * * * *
Turn Turn Turn (1965) * * * * 1/2
Fifht Dimension (1966) * * * * 1/2
Younger Than Yesterday (1967) * * * * *
Notorious Byrd Brothers (1968) * * * * *
Sweetheart of the Rodeo (1968) * * * *
Dr Byrds and Mr Hyde (1969) * * * * 1/2
The Ballad of Easy Rider (1969) * * * *
Untlited/ Unissued (1970) * * *
Byrdmaniax (1971) * * *
os que não estão listados eu nunca ouvi.
Mr. Tambourine Man (1965) * * * *
Turn Turn Turn (1965) * * * * 1/2
Fifht Dimension (1966) * * * * 1/2
Younger Than Yesterday (1967) * * * * *
Notorious Byrd Brothers (1968) * * * * *
Sweetheart of the Rodeo (1968) * * * *
Dr Byrds and Mr Hyde (1969) * * * * 1/2
The Ballad of Easy Rider (1969) * * * *
Untlited/ Unissued (1970) * * *
Byrdmaniax (1971) * * *
os que não estão listados eu nunca ouvi.
sábado, abril 17, 2004
Ouvindo agora o primeiro Cornershop, Hold On It Hurts (1993****). Não sabia que era pós-punk. Pouco a ver com o desbunde dançante de When I Was Born for the 7th Time, seu disco mais famoso. O que esperar de uma estréia que tenha uma música com o seguinte título: "Born Disco, Died Heavy Metal". Desde já um dos clássicos da década. O álbum está muito mais pra Joy Division e The Fall do que pra qualquer banda de Manchester (em 1993, começava o britpop, muito influenciado pela onda de Manchester). O CD que tenho em mãos, contém o primeiro EP (Lock Stock & Double-Barrel) de bônus. Altamente recomendável.
quarta-feira, abril 14, 2004
Beach Boys again. Ouvindo M.I.U Album, de 1978, fica difícil acreditar que no ano seguinte eles fariam o terrível L.A. (Light Album). E que passariam a década de 80 com discos fracos e sem inspiração. MIU é o fino, nas melodias, nos arranjos vocais característicos. Brian Wilson voltou a gravar com a banda (no anterior, o igualmente ótimo Love You, ele só compôs pois não conseguia sair da cama). Empresta sua voz para algumas belas canções de sua autoria. Mas brilha mesmo com uma composição, "My Diane", cantada pela voz grave e sem igual de Dennis Wilson. Ouvindo essa música, fico pensando como eles conseguiam colocar a tristeza em notas simples, mas de uma menira mágica, isso porque eles ficaram conhecidos como banda alegre de surf music. Pobres coitados que nunca ouviram "Time to Get Alone" (do disco 20/20, de 1969) vão ficar repetindo essa asneira até quando?
A banda foi progressivamente, à partir de Friends (1968), abandonando as experimentações geniais de Brian para se dedicar ao mais perfeito formato pop. Álbuns como Sunflower e Surf's Up parecem súmulas de seus trabalhos nos anos 60, só que de forma mais simples, com menos requintes nos arranjos. Mesmo assim, não dá pra dizer que a banda caiu depois de Pet Sounds. OK, o disco é uma obra-prima. Mas tem muito mais: Wild Honey (1967), Smiley Smile (1967), Friends (1968), Sunflower (1970). E este MIU que não consigo parar de escutar (pois adquiri o vinil para a loja) quase chega lá. Além da estupenda "My Diane", ainda tem "Pitter patter", "Hey Little Tomboy" e "Match Point of Our Love". O disco saiu meses depois de Pacific Ocean Blue, a pérola de Dennis Wilson, triste e deflagradora ao mesmo tempo. Com esses dois discos, os irmãos Wilson, por vias tortuosas, resumem esse período musical de forma brilhante. Foram-se os arranjos psicodélicos dos 60s, entram os arranjos dançantes dos 70s. M.I.U., ainda que ligeiramente inferior à obra-prima de Dennis Wilson, capta ainda melhor essa mudança. E prova, após várias audições, o descontentamento dos irmãos com os rumos da música pop em 1977. Descontando Bamboo (álbum de raridades de Dennis) e a ressurreição de Brian Wilson em 1988, pode-se dizer que os dois álbuns (MIU e Pacific...) são testamentos de suas carreiras. Como se eles quisessem mesmo o abandono. Triste, mas compensador.
A banda foi progressivamente, à partir de Friends (1968), abandonando as experimentações geniais de Brian para se dedicar ao mais perfeito formato pop. Álbuns como Sunflower e Surf's Up parecem súmulas de seus trabalhos nos anos 60, só que de forma mais simples, com menos requintes nos arranjos. Mesmo assim, não dá pra dizer que a banda caiu depois de Pet Sounds. OK, o disco é uma obra-prima. Mas tem muito mais: Wild Honey (1967), Smiley Smile (1967), Friends (1968), Sunflower (1970). E este MIU que não consigo parar de escutar (pois adquiri o vinil para a loja) quase chega lá. Além da estupenda "My Diane", ainda tem "Pitter patter", "Hey Little Tomboy" e "Match Point of Our Love". O disco saiu meses depois de Pacific Ocean Blue, a pérola de Dennis Wilson, triste e deflagradora ao mesmo tempo. Com esses dois discos, os irmãos Wilson, por vias tortuosas, resumem esse período musical de forma brilhante. Foram-se os arranjos psicodélicos dos 60s, entram os arranjos dançantes dos 70s. M.I.U., ainda que ligeiramente inferior à obra-prima de Dennis Wilson, capta ainda melhor essa mudança. E prova, após várias audições, o descontentamento dos irmãos com os rumos da música pop em 1977. Descontando Bamboo (álbum de raridades de Dennis) e a ressurreição de Brian Wilson em 1988, pode-se dizer que os dois álbuns (MIU e Pacific...) são testamentos de suas carreiras. Como se eles quisessem mesmo o abandono. Triste, mas compensador.
terça-feira, abril 13, 2004
ouvindo o mediano Should the World Fail to Fall Apart, o primeiro solo de Peter Murphy, fica claro que quem era bam bam bam no Bauhaus era Daniel Ash. O pior disco do Love and Rockets (sweet FA) é do nível do melhor de Murphy (Love Hysteria). Assim como Burning from the Inside, o quarto disco do Bauhaus, é o melhor, pois Daniel está mais participativo.
quinta-feira, abril 08, 2004
Daevid Allen - now is the happiest time of your life (1977) *****
Para quem gosta de Gong, é obrigatório conferir, além das primeiras viagens de Steve Hillage (fish rising, principalmente) os discos solos do doidão Daevid Allen, mentor e principal compositor do Gong, antes de sua debandada e da consequente usurpação do trono por Pierre Moerlen, que progressivamente foi tornando a banda jazz-rock com muito pouco sal. Allen era de gênio criativo semelhante ao de Frank Zappa. Tinha um ouvido privilegiado para timbres e melodias, mas ao contrário do bigodudo não era virtuose. Este disco é perfeito para os órfãos do Gong de Angel's Egg e You. As mesmas viagens espaciais, os mesmos vocais debochados e meio infantis, como se estivesse ninando uma criança. Além da sintética exploração de elementos do rock'roll dos fifties (a música "see you in the moontower" é o maior exemplo disso). Chego da Santa Efigênia, onde fui procurar um cabo para o aparelho de som, depois de dois chopes no bar do Léo e me deparo com este vinil, esperando uma limpeza para ser colocado à venda. Um belo presente de fim de tarde. E saudades do meu antigo CD. Agora tenho que me contentar com os MP3 completos da família GONG. Pensando bem...uma maravilha.
Para quem gosta de Gong, é obrigatório conferir, além das primeiras viagens de Steve Hillage (fish rising, principalmente) os discos solos do doidão Daevid Allen, mentor e principal compositor do Gong, antes de sua debandada e da consequente usurpação do trono por Pierre Moerlen, que progressivamente foi tornando a banda jazz-rock com muito pouco sal. Allen era de gênio criativo semelhante ao de Frank Zappa. Tinha um ouvido privilegiado para timbres e melodias, mas ao contrário do bigodudo não era virtuose. Este disco é perfeito para os órfãos do Gong de Angel's Egg e You. As mesmas viagens espaciais, os mesmos vocais debochados e meio infantis, como se estivesse ninando uma criança. Além da sintética exploração de elementos do rock'roll dos fifties (a música "see you in the moontower" é o maior exemplo disso). Chego da Santa Efigênia, onde fui procurar um cabo para o aparelho de som, depois de dois chopes no bar do Léo e me deparo com este vinil, esperando uma limpeza para ser colocado à venda. Um belo presente de fim de tarde. E saudades do meu antigo CD. Agora tenho que me contentar com os MP3 completos da família GONG. Pensando bem...uma maravilha.
eis o que o crítico Ted Mills escreveu sobre o fantástico Mark of the Mole, dos Residents:
After Eskimo, the band's attempt to sonically recreate Inuit tales through sound, the Residents began to undertake a similar project that would color the rest of their career. The Mark of the Mole trilogy would result in three albums and a world tour that would nearly bankrupt the band and Ralph Records, and cause (rumor has it) two of the original members to leave the band. It was also the beginning of the band's desire (often detrimental) to broaden their scope, to construct long concept albums, or imagine series of albums that would never be completed. Mark of the Mole imagines a race of mole workers who live underground and worship darkness and work (they're the heroes). When a flood forces them to flee their home, they migrate across the desert to the land of the Chubs, who subjugate them and cause war to break out. This is some of the grimmest, most discordant, rough hewn music the band has set down on record, with a grinding piece called "It Never Stops" summing up the tone of the record perfectly. Perversely, there is much to enjoy in this trip to the group's dark side, and the album's resolution truly feels like a breath of fresh air. — Ted Mills
´
É uma das bandas mais enigmáticas da história da vanguarda musical. É norte-americana. Seu Commercial Album é recheado de 40 canções de um minuto, de acordo com a idéia de que uma canção pop tem duas partes que são repetidas três vezez cada. Cortando-se as repetições, sobra o esqueleto de uma música pop.
O All Music Guide (apelidado de Some Music Guide), apesar das falhas evidentes, ainda é o melhor lugar para se pesquisar música lançada em CD. O site é mantido pelo AEC One Stop Group, responsável pelo AMIGO, o grande distribuidor de discos dos EUA.
After Eskimo, the band's attempt to sonically recreate Inuit tales through sound, the Residents began to undertake a similar project that would color the rest of their career. The Mark of the Mole trilogy would result in three albums and a world tour that would nearly bankrupt the band and Ralph Records, and cause (rumor has it) two of the original members to leave the band. It was also the beginning of the band's desire (often detrimental) to broaden their scope, to construct long concept albums, or imagine series of albums that would never be completed. Mark of the Mole imagines a race of mole workers who live underground and worship darkness and work (they're the heroes). When a flood forces them to flee their home, they migrate across the desert to the land of the Chubs, who subjugate them and cause war to break out. This is some of the grimmest, most discordant, rough hewn music the band has set down on record, with a grinding piece called "It Never Stops" summing up the tone of the record perfectly. Perversely, there is much to enjoy in this trip to the group's dark side, and the album's resolution truly feels like a breath of fresh air. — Ted Mills
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É uma das bandas mais enigmáticas da história da vanguarda musical. É norte-americana. Seu Commercial Album é recheado de 40 canções de um minuto, de acordo com a idéia de que uma canção pop tem duas partes que são repetidas três vezez cada. Cortando-se as repetições, sobra o esqueleto de uma música pop.
O All Music Guide (apelidado de Some Music Guide), apesar das falhas evidentes, ainda é o melhor lugar para se pesquisar música lançada em CD. O site é mantido pelo AEC One Stop Group, responsável pelo AMIGO, o grande distribuidor de discos dos EUA.
segunda-feira, abril 05, 2004
quinta-feira, abril 01, 2004
Creedence Clearwater Revival. bela trinca escutei agora. primeiro Pendulum (1971****1/2), com suas aberturas para o space rock (ok...aberturas bem tímidas). um discaço, apesar de Molina. o último grande disco da banda. depois, Willie and the Poor Boys (1970*****), algo como uma declaração de intenções. country-rock definitivo e antenado. a obra-prima do grupo. por último: green river (1969***1/2), grande álbum, mas um tanto derivativo de Bayou Country (1968****). Eles iriam repetí-lo em melhor embalagem como Cosmo's Factory (1969****1/2), encerrando o rock-rural e iniciando uma nova fase, contemplativa e espelhada no que estava rolando na época.
nas viagens para Maringá escuto Air (Moon Safari) e Four Tet (rounds). AIR é delicioso com sua mistura de soft pop com eletrônica. em alguns momentos parecemos escutar ELO, principalmente pelos vocoders (aquela voz de robôzinho). Four Tet foi indicação do amigo Ruy Gardnier e lhe sou eternamente grato. Trata-se de um dos discos mais geniais que ouvi nos últimos anos. com uma batida ora jazz-funk ora hip-hop, barulhos eletrônicos e acústicos (teclas e cordas em perfeita harmonia com ruídos industriais diversos), o som é um mantra que te leva pra uma outra dimensão. música sensorial da melhor espécie. desbancou radiohead do primeiro lugar em 2003 na minha lista. saiu no Brasil pela Trama. Altamente recomendável que se compre dois, um pra dar de presente.
sexta-feira, março 26, 2004
dica: como um frank zappa menos bem-humorado e bem menos erudito, Todd Rundgren sempre quis arriscar em tudo que é estilo. nesse sentido, é obrigatório ter em qualquer discoteca que se preze o álbum Todd, de 1974. não é lírico como something anything, nem enigmático como wizard, a true story, mas compensa com o que de melhor rolava na época na música pop. pode-se ouvir, no disco, de coisas à lá badfinger (grupo produzido por ele) a hard grandfunkiano (também produziu). álbum duplo essencial.
quinta-feira, março 25, 2004
ainda não comentei o lançamento em CD (finalmente) dos quatro discos que Neil Young não deixava lençarem, por não acreditar que os discos ficassem bons em formato digital. on the beach (1974 *****), american stars and bars (1977 ****), re-ac-tor (1981 ****1/2) e hawks and doves (1981****). são quatro discaços, principalmente on the beach que é um dos melhores discos do bardo (e consequentemente um dos melhores discos de rock de todos os tempos). mas reactor, que é esquecido e tido como menor, é uma pequena obra-prima, suja e melodiosa, com o crazy horse inspirado. é um disco bem paradigmático de sua carreira, talvez por isso mesmo subestimado. O que NY mostrou no recente Rock in Rio estava aqui em plena ebulição, mas nada tem de novo para quem o acompanhava desde os idos do buffalo springfield, o que causou menosprezo entre os cri-cris. ouça "opera star" ou qualquer faixa do lado 2 (as 4 últimas do cd descontando as bônus) e você vai entender. hawks and doves e american stars and bars são dois discos estranhos, que não se definem muito bem entre o country acústico e o rock sulista, mas encantam sem que se possa dizer porquê.
"Para alcançar toda beleza, três coisas me parecem fundamentais: esperança, luta e conquista."
A frase de Luis Buñuel é muito bonita. Mas não estou nem um pouco disposto a batalhar pra poder ver Pixies em Curitiba. É uma de minhas bandas prediletas, mas não tenho paciência pra mega-eventos. Os ingressos, dizem, acabaram em duas horas de venda pela internet. Eu nem fiquei sabendo que já estava vendendo. Desisto. Não gosto de shows concorridos.
A frase de Luis Buñuel é muito bonita. Mas não estou nem um pouco disposto a batalhar pra poder ver Pixies em Curitiba. É uma de minhas bandas prediletas, mas não tenho paciência pra mega-eventos. Os ingressos, dizem, acabaram em duas horas de venda pela internet. Eu nem fiquei sabendo que já estava vendendo. Desisto. Não gosto de shows concorridos.
quarta-feira, março 24, 2004
escuto neste exato momento o último do Church, forget yourself. bom, adoro a banda. apesar de raramente me surpreender com um lançamento deles (e a exceção foi the box of birds, álbum só de covers, uma mais bizarra que a outra) sempre gosto de seus discos. acho que as mudanças de sonoridades foram todas graduais. não houve rompimento algum com discos imediatamente anteriores. desde gold afternoon fix, um dos melhores, eles foram deixando o som mais etéreo, mais viajante, sem prejuízo das belas melodias compostas por kilbey e wilson-piper. essas mudanças culminaram naquele que, para mim, é seu melhor trabalho, magicians among the spirits, cujas comparações com hawkwind e dead can dance não me parecem levianas.
forget yourself segure na mesma toada, como todos os outros. mais um grande disco sem que grandes mudanças acontecessem. seguem uma fórmula, mas seguem-na tão bem que é difícil condená-los por entregar mais do mesmo. grande banda. vai merecer revisão disco a disco logo logo.
forget yourself segure na mesma toada, como todos os outros. mais um grande disco sem que grandes mudanças acontecessem. seguem uma fórmula, mas seguem-na tão bem que é difícil condená-los por entregar mais do mesmo. grande banda. vai merecer revisão disco a disco logo logo.
quinta-feira, março 18, 2004
18 de março, Dia Internacional do Saco Cheio
U2:
Boy (1980) ****
October (1981) ****
War (1983) ***1/2
Under the Blood Red Sky (1983) ***
The Unforgettable Fire (1984) ***1/2
Wide Awake in America (1984) ***
The Joshua Tree (1986) ***
Rattle and Hum (1988) **
Achtung Baby (1991) **
Zooropa (1993) ***
PoP (1997) *1/2
All That You Can't Leave Behind (2000) ***
U2:
Boy (1980) ****
October (1981) ****
War (1983) ***1/2
Under the Blood Red Sky (1983) ***
The Unforgettable Fire (1984) ***1/2
Wide Awake in America (1984) ***
The Joshua Tree (1986) ***
Rattle and Hum (1988) **
Achtung Baby (1991) **
Zooropa (1993) ***
PoP (1997) *1/2
All That You Can't Leave Behind (2000) ***
quarta-feira, março 17, 2004
lote gigante de LPs de heavy metal. portanto, dia de voltar a adolescência com Savatage, Manowar (os maiores picaretas da música), Motorhead e quejandos. a relação sentimental com uma época bacana me ajuda a continuar gostando dessas bandas. o duro é limpar tudo e pôr pra vender. vai demorar cerca de um mês.
sexta-feira, março 12, 2004
já que o dia está para listas, mando mais um Top 5: os 5 melhores discos de bandas brit-pop após a decadência do gênero.
1) SUEDE - Head Music
2) BLUR - 13
3) SUPERGRASS - Supergrass (o terceiro)
4) the BLUETONES - the return of the last chance sallon
5) BLUR - Think Tank
e os 5 melhores de brit-pop mesmo:
1) BLUR - Parklife
2) BLUR - The Great Escape
3) SUEDE - suede
4) MANIC STREET PREACHERS - Everything Must Go
5) PULP - Different Class
1) SUEDE - Head Music
2) BLUR - 13
3) SUPERGRASS - Supergrass (o terceiro)
4) the BLUETONES - the return of the last chance sallon
5) BLUR - Think Tank
e os 5 melhores de brit-pop mesmo:
1) BLUR - Parklife
2) BLUR - The Great Escape
3) SUEDE - suede
4) MANIC STREET PREACHERS - Everything Must Go
5) PULP - Different Class
quinta-feira, março 11, 2004
MC5. grande banda de Detroit. Proto-punk segundo muitos. Rock 'n' roll no que a palavra tem de melhor. O superestimado Kick Out the jams (1968 ***1/2) nem dá muita idéia do que estaria por vir. gravado ao vivo, com muita energia e barulhos mil, algo como um Sonics melhor produzido, mas bem menos inspirado. Um disco forte e inusitado para a época, não há dúvida, mas com o passar do tempo virou peça de museu ultrapassada por uma melhor utilização (inclusive por eles mesmos) do furor dos 20 anos. Com Back in the USA (1970 *****) eles cravariam de vez o nome na história do rock. Um disco imprescindível, com iguais medidas de fúria, melodia e suingue. Rob Tyner começa a cantar bem melhor e Dennis Thompson revela uma levada peculiar, principalmente em "Teenage Lust" e "Looking at You", as melhores do disco. High Time (1971****1/2) é o canto de cisne da banda, não alcançou sucesso algum e forçou a saída do selo Atlantic. Mas é um grande disco, um pouco mais pop que o anterior, ainda que faixas porradas como "sister anne" e "gotta keep movin" seguem a linha estabelecida em Kick Out the Jams. A banda estaria terminada, com ainda um apanhado póstumo de raridades em Babes in Arms (1983 ****1/2). Imperdível, já que a Trama (gravadora que a cada mês tem preços diferentes) lançou no Brasil.
quinta-feira, março 04, 2004
caroline now! the songs of brian wilson and the beach boys (2000 ****)
interessante disco-tributo ao genial brian wilson, privilegiando faixas pouco conhecidas. uma das melhores é a versão de alex chilton para "i wanna pick you up", faixa escondida no belo love you (1977). outras versões de destaque são: "lady" por eugene kelly, "all i wanna do" por june & the exit wounds, "go away boy" por the pearlfishers e "almost summer" por kim fowley. mas todas são pelo menos dignas, o que faz dessa coletânea lançada pelo selo alemão Marina uma bela pedida.
interessante disco-tributo ao genial brian wilson, privilegiando faixas pouco conhecidas. uma das melhores é a versão de alex chilton para "i wanna pick you up", faixa escondida no belo love you (1977). outras versões de destaque são: "lady" por eugene kelly, "all i wanna do" por june & the exit wounds, "go away boy" por the pearlfishers e "almost summer" por kim fowley. mas todas são pelo menos dignas, o que faz dessa coletânea lançada pelo selo alemão Marina uma bela pedida.
quarta-feira, março 03, 2004
ouvindo lodger (1979), de sir david bowie. sempre achei um disco menor, mas, nesta onda de mudança de opinião que me assola, estou quase considerando tão bom quanto heroes e low. a mesma verve experimentadora está no disco. pode ser considerado um ensaio para o mais redondinho scary monsters (1980). os únicos hits do disco são "look back in anger" e "dj", mas tem muito mais. "move on" é fantástica e, como outras, guarda semelhança com o que os talking heads estavam fazendo naquele momento (leia-se fear of music). a conexão é óbvia: brian eno.
terça-feira, março 02, 2004
guerra das estrelas: radiohead (com digressões meio viajantes - bom, foi o que saiu)
pablo honey (1993 **) - tem creep. OK. algo mais?
the bends (1995 **1/2) - um ensaio meio tímido para o desbunde no disco seguinte. fake plastic trees? chata e piegas.
OK computer (1997 *****) - a obra-prima. três músicas finais de fazer desmaiar de tão belas. sucesso completo no que eles perseguiam: melodia e desenvolvimento climático de mãos dadas.
kid A (2000 ****) - um tapa na cara de ok computer. ode ao experimentalismo nem sempre bem-sucedido, mas sempre interessante.
amnesiac (2001****1/2) - um passo em direção ao meio termo entre a vanguarda e a consolidação de um estilo.
i might be wrong (2001 ***1/2) - disco ao vivo que não capto muito bem, mas gosto.
hail to the thief (2003 *****) - perfeita adequação entre a vontade de experimentar e a necessidade de emocionar. a continuação não-ortodoxa de uma busca.
pablo honey (1993 **) - tem creep. OK. algo mais?
the bends (1995 **1/2) - um ensaio meio tímido para o desbunde no disco seguinte. fake plastic trees? chata e piegas.
OK computer (1997 *****) - a obra-prima. três músicas finais de fazer desmaiar de tão belas. sucesso completo no que eles perseguiam: melodia e desenvolvimento climático de mãos dadas.
kid A (2000 ****) - um tapa na cara de ok computer. ode ao experimentalismo nem sempre bem-sucedido, mas sempre interessante.
amnesiac (2001****1/2) - um passo em direção ao meio termo entre a vanguarda e a consolidação de um estilo.
i might be wrong (2001 ***1/2) - disco ao vivo que não capto muito bem, mas gosto.
hail to the thief (2003 *****) - perfeita adequação entre a vontade de experimentar e a necessidade de emocionar. a continuação não-ortodoxa de uma busca.
reouvindo Killing Joke com dave ghrol. o caos. um disco bem mais nervoso que qualquer outro da banda. mas, definitivamente, não é dos melhores da banda. fica léguas atrás do genial pandemonium. e é claramente inferior a democracy. pra encerrar, a adorada por muitos "you'll never get to me" é uma pálida repetição das faixas mais acessíveis dos KJ de Extremities pra cá...
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