terça-feira, março 23, 2010

Ode ao Moody Blues

Não é de hoje que The Moody Blues é uma das minhas bandas favoritas. Meu irmão diz que é som de velho, depois completa: "mas eu gosto!!!" Não sei. A parede sonora que eles fazem é tudo, menos som de velho. Mas entendo que as melodias compostas por Hayward, e de certo modo também as de Pinder, pareçam saídas da mente de um velho sábio.

Days of Future Passed(1967) * * * *

As passagens orquestradas atrapalham um pouco a fruição deste disco cheio de melodias inspiradas, que marca o verdadeiro início de carreira da banda (a encarnação anterior, com Pinder e Danny Laine - sim, aquele do Wings - dando as cartas é sub-beat sem maior interesse).

Destaques: Forever Afternoon (Tuesday?), Time To Get Away, Nights in White Satin.


In Search of the Last Chord (1968) * * * 1/2

Um claro retrocesso em relação ao primeiro LP, e certamente o álbum mais fraco deles no período clássico (1967-1972). Algo não vai bem com as melodias do disco, que parecem sufocadas num desejo de experimentar com texturas que também não vai muito longe. É o disco psicodélico da banda.

Destaques: Ride My See-Saw, Voices in the Sky, The Best Way to Travel, The Actor.


On the Threshold of a Dream (1969) * * * * *

A inspiração volta com tudo neste disco brilhante, espacial, cheio de introduções e belas canções que se fundem. Não existe uma única faixa que não seja extraordinária. Curiosamente, atrás da parede sonora que eles criam, as melodias parecem datadas, como se fossem compostas no início do psicodelismo, em 1966. Esse talvez seja o maior charme dessa fase da banda. Sem contar que "Lazy Day" é a melhor composição da carreira de Ray Thomas (sem contar a monumental "Watching and Waiting", que compôs em parceria com Hayward) empatada com "For My Lady", do Seventh Sojourn.

Destaques: Lonely to See You, Send Me No Wine, So Deep Within You, Lazy Day.


To Our Children's Children's Children (1969) * * * * 1/2

Este talvez seja o disco mais melancólico do Moody Blues, banda melancólica por excelência. Isto talvez explique o fato de ter sido o álbum menos bem sucedido em vendas em sua fase áurea. O duelo entre as composições de Lodge e Hayward fica ainda mais claro aqui, como se Brian Wilson e Paul McCartney fossem da mesma banda.

Destaques: Out and In, Gypsy, Candle of Life, Watching and Waiting.


A Question of Balance (1970) * * * * *

Um disco mais direto - roqueiro, alguns diriam, sem muitas delongas. Aqui não há espaço para introduções poéticas de Edge, a não ser na excelente "The Balance", em que ele está bem contido. Em compensação, a exemplo de On the Threshold of a Dream, fica difícil destacar faixas. Todas são magníficas.

Destaques: Question, Don't You Feel Small, It's Up to You, Dawning is the Day.


Every Good Boy Deserves Favour (1971) * * * * 1/2

Tirando a dispensável "Procession", é uma espécie de continuação de A Question of Balance, e tão inspirado quanto em alguns momentos. "The Story in Your Eyes" é uma das três ou quatro melhores canções do repertório da banda, e dá para dizer o mesmo de "Emily's Song". Graças a essas duas, o disco merece a meia estrela a mais e a quarta posição num ranking Moody Blues.

Destaques: The Story in Your Eyes, Emily's Song, You Can Never Go Home, My Song.


Seventh Sojourn (1972) * * * * 1/2

O canto do cisne dessa primeira fase - disparada a melhor da banda. Hayward e Pinder matam a pau. Lodge compõe a estranha "Isn't Life Strange", que está belíssima no ao vivo de 2005. Trata-se de um disco mais direto, com arranjos mais simples e melodias, como sempre, impressionantes.

Destaques: Lost in a Lost World, New Horizons, For My Lady, When You're a Free Man, The Land of Make-Believe.


Caught Live + 5 (1977) * * * *

Três lados ao vivo no período de 1967 a 1969 + um lado de outtakes gravados por volta de 1967. É um belo disco de retrospectiva, melhor ainda pelas cinco brilhantes faixas de estúdio (incrível que três delas tenham ficado fora dos discos de carreira) que encerra a fase mais rica da banda, e prepara o terreno para a volta com o irregular Octave.

Destaques: Gypsy (live), Are You Sitting Confortably? (live), Nights in White Satin (live), Please Think About it, Long Summer Days, King and Queen.


Octave (1978) * * 1/2

Depois de um intervalo de seis anos, a banda volta com este disco que finalmente mostra a predominância de canções de Justin Hayward, responsável pela maior parte das grandes composições dos Moodies até então. Infelizmente, Hayward já não é o mesmo, como já assinalava o projeto Blue Jays (com Lodge) e seu disco solo Songwriting (lançado um ano antes de Octave). Os destaques aqui seriam as músicas mais fracas de qualquer disco deles entre 1969 e 1972.

Destaques: Steppin' in a Slide Zone, Had to Fall in Love, I'm Your Man.


Long Distance Voyager (1981) * * * *

Sai Mike Pinder, entra Patrick Moraz. Nenhuma grande mudança na sonoridade em relação a Octave. A diferença está nas melodias. Um sopro forte de inspiração de apoderou de Hayward e Lodge, e eles compuseram canções à altura da fase clássica da banda. Deixo vocês com o excelente texto do All Music Guide:

http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&sql=10:w9fuxqw5ldke

Destaques: The Voice, Talking Out of Turn, In My World, Nervous.


The Present (1983) *

Fico deprimido quando resolvo dar nova chance a este disco. Como puderam descer tão baixo? Sem destaques.


The Other Side of Life (1986) * *

Daria um bom EP, o que é muito mais do que se pode dizer de The Present. Os arranjos ainda estão bregas, mas as composições são melhores que as do álbum anterior. O problema é que não há a menor possibilidade de surpresa. Parecem máquinas de fazer pop de FM, com melodias requentadas de um passado glorioso.

Destaques: Wildest Dreams, The Other Side of Life, It May be a Fire.


Sur la Mer (1988) * * 1/2

Os anos 80 foram terríveis para a maior parte das bandas formadas durante os anos 60. Por isso Long Distance Voyager soou tão bem em 1981 - foi um disco que soube se adaptar à nova era. Sur la Mer, como vem sendo desde The Present, mostra uma banda envelhecida, com ferrugem. Mas percebe-se uma massa musical mais empolgante, algo como um Electric Light Orchestra na fase Secret Messages. Isso dá uma certa esperança de que eles voltem à forma de 1981.

obs: neste disco deram um tapa nos demais membros da banda. Só entraram composições de Hayward e Lodge.

Destaques: I Know You're Out There Somewhere, Want to be With You, River of Endless Love.


Keys of the Kingdom (1991) * 1/2

Com um som menos encorpado que o do disco anterior, Moody Blues faz sua entrada nos anos 90 com muito mais cautela do que havia mostrado quando entrou nos anos 80. KOTK é mais direto, como um Seventh Sojourn empobrecido espiritualmente. Infelizmente, poucas canções se livram do mar de ruindade em que eles mergulharam neste disco. Ray Thomas consegue o ponto mais baixo de sua carreira com "Celtic Sonant", e algumas outras faixas estão no mesmo nível. Uma pena.

Destaques: Bless the Wings, Is This Heaven?


Strange Times (1999) * * *

Estranho como, após mais um hiato, desta vez de oito anos, a banda volta soando mais como o a-ha do que como seu disco anterior, Keys of the Kingdom. Ouça as duas primeiras do disco para comprovar, duas composições de Justin Hayward: "English Sunset" e, principalmente, "Haunted". Nesta segunda o vocal de Hayward até se parece com o de Morten Hacket, da banda norueguesa. Isso dá um sopro de vitalidade à banda, que pela primeira vez faz um som mais próximo do moderno. Mas nada disso adiantaria se as composições não fossem inspiradas. Felizmente, a maior parte delas são. Infelizmente, o disco tem quase uma hora de duração, e fica mais difícil não ser irregular com 14 faixas. Sorte que as canções boas são as melhores desde Long Distance Voyager.

Destaques: Love Don't Come Easy, Strange Times, The One, Nothing Change.


December (2003) * *

Músicas natalinas intercaladas com composições próprias. Ora, que ideia...

Destaques: Don't Need a Reindeer, In the Quiet of Christmas Morning (Bach 147).


Lovely to See You - Live (2005) * * * *

Este é o melhor disco ao vivo deles desde Caught Live, lançado em 1977. Não duvido que seja o melhor de toda a carreira dos moodies. A banda soa com muita energia, o que faz muito bem às composições costumeiramente cheias de Hayward e Lodge e também aos arroubos poéticos de Edge.

Destaques: The Actor, Talking Out of Turn, The Story In Your Eyes, Higher and Higher, Are You Sitting Confortably?, Questions.


sábado, março 13, 2010

Hot Chip e o revival oitentista

Outro dia o Álvaro Pereira Junior falou de uma resenha de Andrew Mueller, da Uncut, sobre o novo disco do Hot Chip. A resenha é realmente boa, como quase tudo na Uncut, a melhor revista musical de longe (e tem gente que perde tempo com a Pitchfork). Resolvi escutar os discos da banda londrina, que não conhecia, e me surpreendi com a sonoridade oitentista (da segunda metade), realmente muito calcada em um aspecto da obra do Depeche Mode (principalmente nos últimos LPs). Belíssima banda que cobriu uma lacuna que eu nem sabia existir em minha parca formação musical para bandas deste século.



Coming on Strong (2005) * * * 1/2

A faixa de abertura lembra 10cc - ou as coisas que Godley and Creme fizeram ao sair da banda. Depois começa a alternância entre uma batida levemente dançante, meio lounge, com faixas bem melodiosas, com um belo trabalho vocal e leves texturas eletrônicas. A comparação com OMD, neste primeiro LP, ainda procede.

Destaques: Down With Prince, Shining Escalade, Baby Said.


The Warning (2006) * * * 1/2

Mantendo a mesma proposta de Coming on Strong, mas acentuando a batida, Hot Chip chega a este segundo LP despertando comparações diversas com bandas mais contemporâneas, sobretudo com o inferior Postal Service. É um disco que retrata um momento de indefinição, no qual as faixas mais dançantes são também as mais fortes.

Destaques: Over and Over, Look After Me, No Fit State.


DJ Kicks (2007) * * * 1/2

Algo tão eclético não tinha como não ser irregular. Mas alguns momentos deste disco de remixes são fortes o suficiente para manter o interesse até o fim.

Destaques: Like You (Gramme), My Piano (Hot Chip), On Just Foot (Black Devil Disco Club).


Made in the Dark (2008) * * * *

Desde a primeira faixa fica claro que este é o disco que veio para fincar pé nesta espécie de revival oitentista que a banda ajuda a promover. Claro que nesse revival a referência óbvia é o Depeche Mode de Black Celebration, com suas texturas progressivas e batidas dançantes aprofundadas num formato pop irresistível. Mas as referências não param por aí. Bomb the Bass, Clock DVA, Was Not Was e outras coisas dispersas ajudam a moldar o som do Hot Chip sem que eles pareçam, no entanto, uma banda na cola de outras. A identidade está ali, forte, pulsante, e vai desde as escolhas dos ingredientes até a dosagem com que esses ingredientes são apresentados, mesclando os mais referenciais com as esquisitices. Um discaço, pop e cheio de estranheza ao mesmo tempo, como a faixa "Don't Dance" sintetiza muito bem..

Destaques: Out at the Pictures, Ready for the Floor, One Pure Thought.


One Life Stand (2010) * * * *

Com o estrondo chamado "Thieves in the Night" começa este novo disco dos Hot Chips, o quarto LP de carreira, sem contar EPs e o disco de remixes DJ Kicks. Como o páreo é duríssimo, não vou dizer ainda que é o melhor disco da banda. Mas é bem possível que seja. Aqui o que chama a atenção são as melodias, as melhores que a banda já fez, e a diferença se sente nas baladas, inspiradíssimas. É um disco mais fácil de ser gostado do que o estranho Made in the Dark, e por isso prefiro cautela antes de carimbá-lo como superior.

Destaques: Thieves in the Night, One Life Stand, Take it In.

quarta-feira, março 10, 2010

Savatage

Numa recente viagem, reouvi os discos desta banda da Flórida, até Streets, último que tem vocal principal de Jon Oliva. A partir de Edge of Thorns, a banda consolidou um estilo, mas se tornou comum. Uma boa banda comum.

Sirens (1983) * * * * 1/2
Um OVNI a guitarra de Criss Oliva. Um amigo/vizinho que tocava guitarra muito bem dizia que sua afinação era uma oitava acima, o que produzia aquele som estranho, que eu nunca tinha ouvido, de uma guitarra ácida, meio psicodélica, cheia de eco, que combinava direitinho com o vocal sujo de Jon Oliva, seu irmão. A sonoridade de Sirens seria aos poucos domesticada nos álbuns seguintes, até sumir por completo. Criss Oliva foi podado, provavelmente em nome do estrelato. Um crime.
Destaques: Sirens, I Believe, Out on the Streets.

The Dungeons are Calling EP (1985) * * * * 1/2
Uma belíssima sequência do álbum de estreia, ainda mais pesado e ácido.
Destaques: The Dungeons are Calling, By the Grace of the Witch.

Power of the Night (1985) * * * * *
Versão para FM do clássico Sirens. Por incrível que pareça, deu certo. Talvez porque eles miraram em alguma FM menos comercial. Percebe-se a formatação mais límpida, mas a guitarra mágica de Criss Oliva ainda reina soberana, intocável.
Destaques: Power of the Night, Unusual, Fountain of Youth.

Fight for the Rock (1986) * * * 1/2
Algumas covers e uma regravação sem noção podem confundir os incautos, mas o fato é que Fight for the Rock pode muito bem ser um retrocesso, mas ainda assim é um disco digno.
Destaques: Red Light Paradise, Hyde, Lady in Disguise.

Hall of the Mountain King (1987) * * * *
Saudado na época como uma continuação de Sirens, o retorno ao som mais pesado, este quarto LP mostra uma banda completamente redonda, com tudo bem lapidado, o que inclui uma sonoridade menos agressiva e estranha da guitarra de Criss. As composições, ainda bem, continuam inspiradas.
Destaques: 24 Hours Ago, Legions, Strange Wings.

Gutter Ballet (1989) * * * 1/2
O começo da guinada prog-metal que a banda daria nos álbuns posteriores. Não um prog-metal à Dream Theater (ainda bem), mas inclinado ao Pink Floyd, como o Queensrÿche.
Destaques: Gutter Ballet, Thorazine Shuffle, Of Rage and War.

Streets - A Rock Opera (1991) * * *
Pink Floyd encontra o metal americano. Sinaliza uma direção perigosa, que a banda saberia seguir com destreza, ainda que sem o mesmo encanto de outras épocas. As baladas são todas bregas, mas uma delas é belíssima: "A Little to Far".
Destaques: Jesus Saves, A Little too Far, Ghost in the Ruins.

Edge of Thorns (1993) * * *
Com novo vocal, um disco menos baladeiro que Streets. Criss Oliva já completamente domesticado.

Handful of Rain (1994) * * *
Com a segunda morte de Criss Oliva (desta vez definitiva), a banda encontra um substituto de peso: Alex Skolnick (Testament). Talvez por isso este disco seja o mais pesado da carreira da banda.

Dead Winter Dead (1995) * * * 1/2
Com a chegada de Al Pitrelli e Chris Caffery e a volta de Jon Oliva, mais nos teclados e no vocal de apoio, a banda vira um sexteto, e faz seu álbum mais poderoso desde Gutter Ballet.

The Wake of Magellan (1997) * * * 1/2
Ainda como sexteto, é o disco cuja turnê veio ao Brasil, para deleite de poucos e fiéis fãs. Este disco marca o ápice da sonoridade iniciada em Streets.

Poets and Madmen (2001) * * *
Novamente como quarteto, fazem um disco decente, mas sem maiores novidades. É o derradeiro de uma banda que poderia ter feito história se tivesse ousado manter a guitarra com aquela sonoridade.

domingo, fevereiro 28, 2010

Não dou nem bom dia para quem não gosta de U2

A frase do título é uma homenagem ao Régis Tadeu, que a cunhou, ou a propagou no orkut.

Como passei a limpo a discografia em estúdio do U2, não resisti de anotar algumas impressões e dar as tão famigeradas cotações para todos esses discos. Boa leitura:

Boy (1980) * * * * *

Meu preferido de outrora é meu preferido hoje, depois de um longo período de soberania do disco de 1984, The Unforgetable Fire. The Edge já mostra a que veio, forjando uma sonoridade única, que algumas bandas tentaram imitar (The Alarm, Simple Minds circa 1984, etc.), sem alcançar 10% da mesma força. "Scarlet and Tall Trees" é provavelmente a melhor balada do grupo.

Destaques: I Will Follow, An Cat Dubh, Scarlet and Tall Trees.


October (1981) * * * 1/2

Um lado A excepcional, um lado B preocupante. A banda voltaria a mostrar sinais de decadência em Rattle and Hum, só que alí não foi por timidez e falta de inspiração, mas por excesso de pretensão.

Destaques: Gloria, Tomorrow, I Fall Down.


War (1983) * * * * 1/2

Praticamente um álbum de power pop, War foi o grande responsável pelo estouro da banda no mundo inteiro. Marca, também, o término da forte influência de suas raízes punks, e a intensificação das texturas que seriam mais exploradas nos dois álbuns seguintes.

Destaques: A New Years Day, Seconds, Two Hearts Beat as One.


The Unforgettable Fire (1984) * * * *

Já foi meu preferido por muito tempo, mas reescutado agora revela-se irregular, com a pegada incisiva da banda sendo administrada demais por Brian Eno. Se é o disco que tem a clássica "Pride", uma das mais belas canções já feitas, também tem a medíocre "Elvis Presley and America".

Destaques: Pride, The Unforgettable Fire, Bad.


The Joshua Tree (1987) * * * *

Da abertura grandiosa e impressionante de "Where the Streets Have no Name", do clima progressivo de "With or Without You" e do pop rasgado e melodioso de "In God's Country" nunca iremos nos esquecer. Essas canções marcaram não só uma época, como todo um estilo apoiado na guitarra mágica de The Edge, com suas texturas criadas em pedaleiras e demais aparelhos. O restante do disco não chega perto dessas três beldades em inspiração (apesar de "Trip Through Your Wires" chegar bem perto), mas impressiona pela sonoridade coesa.

Destaques: Where the Streets Have no Name, With or Without You, In God's Country.


Rattle and Hum (1988) * * 1/2

Na época, Rattle and Hum completou o que The Joshua Tree tinha começado a fazer comigo: me afastar de U2. Desde então, vibrei com alguns momentos de Achtung Baby e Zooropa, mas só fui cooptado pela banda novamente depois de ter montado a loja com meu irmão, a Jardim Elétrico, mais precisamente quando resolvi ouvir o disco All That You Can't Leave Behind, num belo dia em que esse disco sobrou no balcão. Reovindo, vinte e poucos anos depois, continua sendo um projeto grandiloquente demais (filme, ao vivo, inéditas de estúdio...), mesmo para os padrões da banda.

Destaques: Angel of Harlem, Pride (live), God Part 2.


Achtung Baby (1991) * * * * 1/2

Após o cansaço de Rattle and Hum, a reinvenção completa com Achtung Baby. Ainda que uma coisa curiosa se observe. A reaudição dos álbuns em ordem cronológica hoje, quase vinte anos depois da mudança operada neste disco, revela mais semelhanças do que diferenças. Ainda assim, é um grande disco, que comprovou a enorme capacidade da banda em remodelar seu estilo. Pelo grande número de hits, no que se compara a The Joshua Tree, pode até ser considerado uma coletânea involuntária.

Destaques: Even Better Than the Real Thing, Until the End of the World, Misterious Ways.


Zooropa (1993) * * *

O caminho mais dançante ensaiado em Achtung Baby encontra o ápice neste e no próximo discos. Ainda que tenha algumas melodias marcantes, o álbum falhou em manter o U2 dentro de um alto panteão crítico. Basta ver os destaques. Todas as faixas destacadas em Zooropa perdem para todas as faixas destacadas em Boy, War ou Achtung Baby, por exemplo.

Destaques: Zooropa, Stay (Faraway so Close), Some Days are Better Than Others.


Pop (1997) * * 1/2

Ainda mais dançante e desigual que Zooropa. Se por um lado tem uma canção belíssima como "If You Wear That Velvet Dress", e baladas legais como "Staring at the Sun", tem também a ridícula "Miami".


All That You Can't Leave Behind (2000) * * *

Mais baladeiro e orientado para FMs do que qualquer outro disco da banda (mais até do que Pop). Foi o que achei na época do lançamento. Mas gostei do que ouvi. Foi minha reconciliação com a banda, ainda que hoje já não ache tão melhor assim que Pop. Tem açucar demais.

Destaques: Elevation, Grace, When I Look at the World.


How to Dismantle an Atomic Bomb (2004) * * *

"Vertigo" é o rockão moderno que eu esperava ouvir da banda desde 1992. Estaria o U2 de volta da hibernação em terreno seguro? "Voltar o relógio e agir como se os anos 1990 nunca tivessem existido", diz o editor do All Music Guide, Stephen Thomas Erlewine. Não sei se é bem assim. As baladas, por exemplo, reservam alguma coisa que estava bem presente em Zooropa e Pop, e por isso não dá para dissociar este disco dos outros dois completamente. Além disso, eles ainda estão longe de uma regularidade em todas as faixas.

Destaques: Vertigo, Love and Peace or Else, City of Blinding Lights.


No Line on the Horizon (2009) * * * *

Novamente um começo marcante com a faixa título, e a nova esperança de um discaço, à altura de Achtung Baby. Desta vez eles demonstram um fôlego muito maior, já que até a quarta faixa seguram um nível dos mais altos na carreira da banda. No balanço geral, um disco que não está à altura de AB, mas que chega bem perto disso, com canções inspiradas como "Stand Up Comedy", "Moment of Surrender", "Cedars of Lebanon" e "Get On Your Boots", além dos destaques abaixo. Longa vida ao U2.

Destaques: No Line on the Horizon, Magnificent, Breathe.

sábado, fevereiro 20, 2010

Slayer é um santo remédio


Há muito tempo descobri que é muito mais fácil trabalhar com música. Ultimamente, descobri que é melhor ainda com Slayer. Por isso reescutei todos os discos, em ordem cronológica. Inevitável, então, comentar por aqui, né? Escrevo sob influência de Berrah de Alencar, Wilson Dias Lúcio, Eduardo Souza Bonadia, Antonio D. Pirani e outros, que eram os caras que escreviam na Rock Brigade no auge da minha fúria metal. Aproveito para pedir desculpas pelo abandono deste blog. Espero nunca mais deixá-lo tanto tempo à míngua.

Show no Mercy (1983) * * * * 1/2
Mais power metal do que verdadeiramente thrash metal. Tem até espaço para melodia assobiável ("Tormentor"). Mas a música de abertura é "Evil Has No Boundaries", que é uma paulada como eu nunca tinha ouvido. Lembro da reação que tive ao ouvir este disco pela primeira vez, no fim de 1983. Meses depois, eu trocaria meus Judas, Scorpions e Saxons por Anthrax, Metallica, Destruction. Foi o princípio da radicalidade que durou até 1985.
Destaques: Evil Has No Boundaries, Die By The Sword, Fight Till Death.

Haunting the Chappel EP (1984) * * * * 1/2
Quatro faixas ferozes como nenhuma banda conseguia ser, com destaque para "Chemical Warfare". Neste EP a banda completaria sua revolução no metal.

Hell Awaits (1984) * * * * *
O nome da faixa que encerra o disco já diz tudo: "Hardening of the Arteries". É preciso ser forte para "encarar o demônio de frente" e "dançar na propriedade do sobrenatural" (obrigado, velha e boa Rock Brigade). O que Araya e comparsas estavam fazendo era algo inacreditável, comparável a cuspir na água benta e urinar no altar da música pop. Hell Awaits inaugura a cadência clássica do Slayer, que seria imitada por zilhões de bandas mundo afora.
Destaques: Hell Awaits, Praise of Death, Kill Again.

Live Undead EP (1985) * * * *
Os caras simplesmente quebrando tudo ao vivo. Não dá para resistir. É bangear até morrer.

Reign in Blood (1986) * * * * *
Se existe um disco avassalador na história do metal, certamente e este. Outros mais pesados e velozes vieram, mas nenhum com tanta nitidez em cada instrumento. É certamente o manto sagrado do Thrash, do Death, do Speed, do Black e de tudo quanto é metal.
Destaques: Angel of Death, Epidemic, Raining Blood.

South of Heaven (1988) * * * *
Depois de Reign in Blood, é covardia. Mas deixando a poeira assentar e voltando à cadência de Hell Awaits, SOH é um grande disco, com uma cover de Judas Priest, a foderosa "Dissident Agressor". Em CD, costumava circular com uma versão dispensável para In-a-Gadda-da-Vida, do Iron Butterfly.
Destaques: South of Heaven, Live Undead, Ghosts of War.

Seasons in the Abyss (1990) * * * * 1/2
Mesclando o peso de South of Heaven com um pouco (é impossível ter tudo) da fúria de Reign in Blood, foi considerado um retorno à forma na época, depois de um disco menos agressivo.
Destaques: War Ensemble, Spirit in Black, Skeletons of Society.

Decade of Agression (1993) * * * *
Retrospectiva da carreira, ao vivo. Matador, obviamente.

Divine Intervention (1994) * * *
Em meados da década de 90, só o Slayer ainda chamava o capeta para dançar. Infelizmente, sem tanta inspiração. Como sempre, a faixa de abertura já nos lança no âmago da guerra, ansiando por sangue. Dave Lombardo disse adeus. Em seu lugar, estreia o insano Paul Bostaph.
Destaques: Killing Fields, Sex-Murder-Art, Mind Control.

Undisputed Attitude (1996) * * 1/2
Várias versões legais de músicas de bandas muito legais (Minor Threat, Stooges...). No entanto, cansa um pouco, por parecer tudo igual.

Diabolus in Musica (1998) * * * *
A fúria dos deuses do metal assassino está de volta. Um disco que remete a Seasons in the Abyss e ao mesmo tempo aponta para algo inédito na carreira da banda: a procura de uma atualização da sonoridade (algo que não se confirmaria, contudo).
Destaques: Bitter Peace, Love to Hate, Perversions of Pain.

God Hates us All (2001) * * * *
Muito provavelmente é o disco mais feroz desde Reign in Blood, o que extasia e convida à batalha, mais uma vez. Último disco com Bostaph na batera.
Destaques: Disciple, War Zone, Threshold.

Christ Illusion (2006) * * * *
A volta de Lombardo não trouxe muita mudança. O inferno continua expurgando todo o mal do mundo, e as pessoas continuam acreditando na religião como porta de salvação. À espreita, esses quatro californianos raivosos continuam arrebentando tudo.

World Painted Blood (2009) * * * * 1/2
Sem palavras. É o Slayer novamente galgando a trilha para o panteão de melhor banda furiosa que existe, pau a pau com o Killing Joke. Lúcifer foi aos céus armado com seus tridentes e jorrando sangue pela crostra terrestre (nofa!!!).

sábado, junho 06, 2009


Ouvindo The Cure ultimamente. Curioso como algumas coisas não mudam. Meus preferidos continuam os mesmos, as músicas de que mais gosto dentro deles também. A partir de Wild Mood Swings, disco de 1996, ouvi muito pouco, e só na época que saiu. As cotações e comentários são frutos da minha memória confusa. Não citei alguns discos porque nem me lembro o que achei deles.
Three Imaginary Boys (1979) * * * *
Estreia inspirada, crua, e desajeitada. ou seja, cheia de charme.
Destaques: 10:15 Saturday Night, Accuracy, Fire in Cairo.
Seventeen Seconds (1980) * * * * *
A entrada de Simon Gallup ajudou Robert Smith a encontrar o Cure sound. Disco fenomenal.
Destaques: Play for Today, In Your House, M.
Faith (1981) * * * *
Começa a jornada para terreno tenebroso, completada no incrivelmente lúgubre Pornography.
Destaques: The Holy Hour, Other Voices, Faith.
Pornography (1982) * * * * *
Discaço que foi fundo na melancolia e no desespero.
Destaques: One Hundred Years, The Hanging Garden, The Figurehead.
Japanese Whispers EP (1983) * * * *
Junção de EPS que deixa esta coletânea com um ecletismo nunca visto antes nos discos da banda.
Destaques: The Wall, Let's Go To Bed, Speak My Language.
The Top (1984) * * * * *
The Cure entrando de cabeça na onda neo-psicodélica dos anos 80 e mostrando como se faz um discaço.
Destaques: Piggy in the Mirror, Bananafishbones, The Top.
The Concert (1984) * * * *
A melhor versão de Shake Dog Shake está aqui. O que não é pouco para uma canção retirada do excepcional The Top.
Destaques: Shake Dog Shake, Charlote Sometimes, 10:15 Saturday Night.
The Head on the Door (1985) * * * * *
Mais uma obra-prima, desta vez com um inegável charme pop FM.
Destaques: The Baby Screams, A Night Like This, Sinking.
Standing on a Beach - The Singles (1986) * * * * *
Deu sorte quem encontrou a fita cassete na época. Vinha repleta de B sides raríssimos.
Destaques: Charlote Sometimes, Play for Today, Killing an Arab.
Kiss me Kiss me Kiss me (1987) * * * 1/2
Álbum duplo um tanto irregular, mas com grandes momentos. Daria um belíssimo álbum simples.
Destaque: Why Can't I Be You, Catch, Like Cockatoos.
Disintegration (1989) * * * * 1/2
De volta à atmosfera pesada de Pornography.
Destaques: Lullaby, Plainsong, Disintegration.
Entreat (1990) * * *
Coletânea de lados b dos singles de Disintegration ao redor do mundo. Faixas ao vivo.
Mixed Up (1990) * * 1/2
Disco de remixes que vale mais pela inédita "Never Enough".
Wish (1992) * * * *
Outro disco eclético, confuso, mas que abre e fecha com duas das mais fantásticas canções da banda.
Destaques: Open, High, End.
Wild Mood Swings (1996) * *
Sim, é o pior disco do Cure. Ouvi algumas vezes, mas nunca consegui pescar uma só faixa que não fosse burocrática. Precisaria reovuir, mas não dá vontade.
Galore (1997) * * * *
Coletânea que pega o período após Standing on a Beach.
Destaques: Catch, Lullaby, High.
Bloodflowers (2000) * * 1/2
Uma das inúmeras ressurreições da banda após Wish. Disco regular, sem maiores destaques.
The Cure (2004) * * * 1/2
O melhor da fase das ressurreições. Mas precisaria reouvir para apontar destaques.
4:13 Dream (2008) * * *
A banda mais uma vez se repetindo com certa graça.

sexta-feira, maio 08, 2009

Depeche Mode - Sounds of the Universe * * * *

Há algo de estranho com o Depeche Mode. Algo que não sei explicar.

Desde Songs of Faith and Devotion seus discos, por melhores que pareçam na primeira audição, deixam sempre uma vontade louca de se voltar a eles, não para repetir alguma sensação de maravilhamento, algum êxtase sonoro, mas para descobrir o que se esconde nas entranhas, as sutilezas que sempre se inserem em uma ou outra faixa, os climas que, ora se revelam cortantes e sombrios, ora se mostram de maneira clara como algo delicioso de se ouvir num momento ensolarado qualquer.

Essa mudança de perspectiva a cada audição é o mistério da banda. O que faz com que seja uma das melhores em atividade.

Sounds of the Universe talvez fique um pouco abaixo de Playing the Angel, o disco anterior. Isso se comprovará em audições futuras, e poderá ser desmentido em seguida. Não importa. O que importa é que Dave Gahan agora compõe muito bem, e suas músicas estão em pé de igualdade com as de Martin Gore, como prova "Come Back", canção digna de um disco soberano como Violator.

Contudo, minha preferida, por enquanto, é a sétima faixa do disco, a belíssima "Peace", escrita por Gore.

O primeiro hit é certeiro: "Wrong". Remete ao estranho Exciter.

Sounds of the Universe se junta a Yes, do Pet Shop Boys, e a Together Through Life, de Bob Dylan, como o que de melhor se fez até agora em 2009.

segunda-feira, abril 13, 2009

100 melhores de 1983 - segundo Sérgio Alpendre


Num ano de muitos discos experimentais, alguns realmente bons, a maioria superestimada pela crítica, notei que minha lista tem poucos deles. Gosto do primeiro Swans, da estreia do Wolfgang Press (banda que adoro), do Einstürzende Neubauten do ano, dos trabalhos eruditos cheios de guitarra de Glenn Branca, e de vários outros (alguns escutei pela primeira vez para fazer esta lista), mas não eram bons o suficiente para figurarem entre os melhores de 1983. Um ano dominado em parte pelo Heavy Metal, que vai do tradicional ao Thrash Metal que acabava de surgir com força, e pelos resquícios da new wave, do pós punk e do tecno-pop de muitas bandas boas que infelizmente ficaram de fora (lembro do Freur, do Kissing the Pink e de John Foxx, mas tem mais...), além da impossibilidade de colocar o Hüsker Dü - pois seria condescendência colocar qualquer coisa que tenham lançado antes de Zen Arcade, de 1984. Enfim, mais uma lista pessoal, que busca, além do divertimento do concordo/não concordo, fazer um mapeamento do que de melhor se produziu no ano e não tenha ficado de fora da minha cuidadosa (mas, infelizmente, imperfeita) peneira.


Accept - Balls to the Wall * * * *
Após o retumbante Restless and Wild a banda alemã lança este álbum mais redondo, ainda que não seja tão bom quanto o anterior.

AC/DC - Flick of the Switch * * * *
A produção de Mutt Lange parecia engessar o disco anterior, For Those About to Rock. Apesar de muitos serviços prestados à banda (inclusive ter produzido dois de seus melhores discos, Highway to Hell e Back in Black), Lange caiu fora porque a banda decidiu se auto-produzir. O resultado foi o melhor disco deles após Back in Black.

Acid - Maniac * * * *
Poucos meses separam este segundo LP da banda belga Acid do primeiro, homônimo, também lançado em 1983. Mas é impressionante a superioridade de Maniac. A voz de Kate é estranha, mas uma vez que nos acostumamos a ela o conjunto flui que é uma beleza. É deste disco a clássica "Max Overload", assim como "Black Car", duas canções que já se enturmavam com a crescente onda de speed metal vinda do outro lado do Atlântico. Pena que o disco seguinte, Engine Beast (1985), volte a demonstrar uma banda pouco inspirada.

Alice Cooper - DaDa * * * *
É o The Elder de tia Alice. Um dos discos em que Cooper volta a encher suas canções de elementos externos à sua música, como já havia feito nos clássicos da primeira metade dos anos 70. Faixas como "Scarlet and Sheba", "Fresh Blood", "Enough 's Enough" e "Former Lee Warmer" parecem bactérias contaminando a sonoridade artista e a levando a lugares inimagináveis. Na música pop, quando isso acontece, quase sempre é positivo.

Anvil - Forged in Fire * * * * *
Discaço da sempre menosprezada banda canadense que realizou alguns outros belos discos, mas nada que se compare a este. Forged in Fire é um caldeirão de inúmeros invasores na receita do "true metal" que começaria a ficar em voga naqueles tempos, e essa mistura toda deu em um dos discos mais ecléticos e inspirados do gênero.

Axe - Nemesis * * * 1/2
Não tão bom quanto o anterior, o poderoso Offering, mas ainda bom o suficiente para queimar neurônios por aí. Um AOR vitaminado, com alguns insights heavy metal, fazem desta banda da Flórida uma das mais divertidas da época.

Bad Brains - Rock for Light * * * *
Uma faixa reggae para cada quatro hardcore. Assim era - mais ou menos - a fórmula desta banda americana seminal, neste segundo disco produzida por Ric Ocasek

Bauhaus - Burning from the Inside * * * *
Prefiro Love & Rockets a Bauhaus. Por isso meu disco preferido da banda é este, o quarto, no qual Daniel Ash e David Jor dominam. Peter Murphy ficou doente, e não participou de boa parte das gravações.

Bi Kyo Ran - Parallax * * * *
Este segundo disco do King Crimson japonês não é tão bom quanto o primeiro, mas vale cada centavo investido. Esses caras tocam um prog nervoso e barulhento, e são o que de melhor o Japão produziu no gênero.

Black Sabbath - Born Again * * * * 1/2
O último grande disco da banda conta com um feroz Ian Gillan no vocal. Bem estranho se comparado a tudo que lançaram antes todos os envolvidos, e dessa estranheza surge um interesse que eles nunca mais conseguiram despertar. A não ser que você tenha se deixado enganar pelo Dehumanizer.

Cabaret Voltaire - The Crackdown * * * * *
Se quiser entrar de cabeça na difícil carreira (para o neófito) da banda, comece por este ou por Red Mecca, ou ainda por The Covenant, the Sword and the Arm of the Lord. Se não gostar, desista. Ou tente o Code, que é muito bom, apesar de bem mais comercial.

Caetano Veloso - Uns * * * *
Um passo na frente de Cores Nomes (1982), mas ainda um passo atrás de Velô, do ano seguinte.

The Chameleon - Script of the Bridge * * * *
Anos antes da onda de Manchester vem esta banda pós-punk psicodélica justamente da cidade cinzenta que já deu ao mundo o VdGG. Os dois discos que eles fizeram a seguir são ainda melhores.

Charlie Garcia - Clics Modernos * * * *
A experiência com o Seru Giran, excelente banda argentina que não era tão pop, ensinou Garcia (líder do Sui Generis nos anos 70) a fazer pop safado dos melhores, como neste disco contaminado pela new wave.

Clock DVA - Advantage * * * *
Bagunça experimental, meio dançante, meio tribal, com pitadas discretas de um pop bem rasteiro, este disco vence pelo ecletismo e pelo estranhamento.

Cocteau Twins - Head Over Heels * * * *
Inferior ao que veio antes (Garlands, de 1982) e, principalmente, ao que veio depois (Treasure, de 1984), mas um grande e difícil segundo LP. Tente encontrar a versão em CD que contém o belo EP Sunburst and Snowblind, que por pouco não entra nesta lista também.

The Cramps - Smell of Female EP * * * *
Delicioso EP da banda do falecido Lux Interior. Uma porrada sonora, mas com melodia.

The Creatures - Feast * * * *
Quem chega ao primeiro disco dos Creatures via Siouxie and the Banshees tem um choque de cara. Música tribal, experimental e pouco melodiosa feita por Budgie e Siouxie, baseada em instrumentos percussivos e muito rica, se dado o devido tempo para que o disco seja digerido com calma.

The Cure - Japanese Whispers * * * *
Um EP gigante ou um LP pequeno? O que importa é que esta coletânea de singles realizados entre Pornography (1982) e The Top (1984) indicava uma mudança radical de percurso, com hits radiofônicos como Let's Go to Bed e The Lovecats.

Cybotron - Enter * * * *
Todo mundo que mexe com instrumentos eletrônicos é filho de Kraftwerk, mas talvez o filho mais legítimo seja esta banda de Detroit, que lançou este belo álbum robótico em 1983.

David Bowie - Let's Dance * * * *
Após a obra-prima Scary Monsters, Bowie iniciava sua decadência dos anos 80. Como é um dos maiores, o começo da decadência ainda é ótimo, com canções inspiradas como "Modern Love" e "Cat People".

Def Leppard - Pyromania * * * * *
Nunca sei dizer se a obra máxima da banda é este disco ou o primeiro, On Through the Night. Alguns anos depois eles fariam Hysteria, para estourar no mercado americano. Daí em diante não foi a mesma coisa. Fizeram discos apenas bons como Slang ou Adrenalize.

Depeche Mode - Construction Time Again * * * * 1/2
Tão bom quanto o estupendo A Broken Frame, mas com a vantagem de ter dado uma cara definitiva e de preparar o terrreno para a obra-prima Black Celebration, três anos depois (passando pela relativa entressafra de Some Great Reward).

Diamond Head - Canterbury * * * *
Com um pé fincado no AOR, este disco desagradou em cheio os fãs da banda. Pior para eles, porque com o novo direcionamento musical ficou mais claro ainda o potencial criativo do Diamond Head.

Dio - Holy Diver * * * * 1/2
Com este excelente disco dava a impressão que Ronnie James Dio faria uma banda de carreira impecável. The Last in Line, o disco seguinte, serviu para botar água no chope, e era o melhor entre todos que ele fez depois desta estréia inspirada.

Duran Duran - Seven and Ragged Tiger * * * *
Claro que é inferior aos dois primeiros discos, e também ao disco seguinte, o subestimado Notorious. Mas é um legítimo Duran em sua tentativa de se aproximar de um pop mais abrangente, funkeado, refletindo novas tendências das paradas.

ELO - Secret Messages * * * *
Esqueçam o disco seguinte, o desastroso Balance of Power. O mínimo que aceitamos de Jeff Lynne é um disco como este, cheio de belas melodias com arranjos preguiçosos. As melodias, contudo, são tão especiais, que tudo se encaixa. Ah, fizeram bem de não lançar o planejado álbum duplo, pois o que ficou de fora iria enfraquecer de fato este álbum.

Elvis Costello - Punch the Clock * * * * 1/2
Do tipo que só agrada em cheio aos Costellianos. Tais felizardos são contemplados com o melhor pop que este planeta já produziu.

Ensemble Pittoresque - For This is Past * * * *
Tecno pop na essência, experimental por vocação, muito bom de se escutar. Banda holandesa de carreira curta e conturbada, que deixou este disco de estréia muito bom e um segundo disco impos´sivel de se encontrar, Frequenz.

Eppu Normaali - Aku ja Köyhät Pojat * * * *
Sim, aqui quase adotei um critério de desempate bem pessoal e polêmico, o exotismo. O fato de ser uma banda finlandesa, com letras em finlandês e uma sonoridade que lembra um pouco a dos Leningrad Cowboys. Não precisei do desempate porque na lista entraram alguns poucos discos com cotação inferior a 4 estrelas. O Eppu Normaali tem um rock balançado bem bacana, ainda que sua carreira se desenvolva desde 1978 de maneira irregular. Este de 1983 é dos melhores, e quem não tiver ojeriza de escutar letras em outra língua que não seja o predominante inglês deve curtir um bocado.

Exciter - Heavy Metal Maniac * * * *
Muito superior a tudo que a banda fez depois, incluindo os superestimados Violence and Force (1984) e Long Live the Loud (1985), esta estréia do power trio canadense é um dos discos que ajudaram a firmar o thrash metal no mercado independente, comendo pelas beiradas deixadas pelos pesos pesados Metallica e Slayer.

Fastway - Fastway * * * *
O grande guitarrista "Fast" Eddie Clark espirrou do Motorhead, mas não se fez de rogado: montou logo uma nova banda, que iniciou da melhor maneira possível, com um petardo hard que fazia brilhar sua guitarra veloz. O vocalista David King era muito comparado a Robert Plant, mas também há ecos de Vince Neil (do Mötley Crue). Pena que no segundo álbum a banda já amarela um pouquinho e vira mais uma no cenário rico do metal da época.

Frank Zappa - The Man From Utopia * * * *
Entre dois discos essenciais, You Are What You Is (1981) e Them Or Us (1984), Zappa lançaria algumas brincadeiras como esta, que reserva momentos de seu gênio, como "The Dangerous Kitchen" e "We are Not Alone".

Fun Boy Three - Waiting * * * *
Da costela dos Specials sai esta banda que fez um pop interessantíssimo com quase nada do ska genial da antiga banda. Este é o segundo e último disco deles, com destaque para "Our Lips are Sealed", que já havia sido interpretada com muito êxito pelas Go-Go's.

Gang 90 - Essa Tal de Gang 90 e Absurdettes * * * *
Melhor exemplar da new wave à brasileira, com o visionário Júlio Barroso capitaneando um rock descompromissado e delicioso para bailinhos.

Gazebo - Gazebo * * * 1/2
Em matéria de Italo-Disco não tem para ninguém. Gazebo e seu mega-hit "I Like Chopin" arrasa. O disco, por incrível que pareça, não tem fillers, uma faixa insossa sequer.

The Glove - Blue Sunshine * * * *
Projeto paralelo de vida curta com Robert Smith (The Cure) e Steven Severin (Siouxie and the Banshees). É claramente um produto da neo-psicodelia daqueles tempos, com várias músicas excelentes e um vocal maravilhoso (principalmente nas duas primeiras faixas) de Jeanette Landray.

The Go-Betweens - Before Hollywood * * * *
Quem gosta de belas melodias não tem como não curtir este disco, que talvez seja o melhor da banda.

The Golden Palominos - The Golden Palominos * * * * 1/2
Fred Frith, Bill Laswell, Arto Lindsay, John Zorn... Com tantas feras, não é de se estranhar que este primeiro disco do grupo capitaneado por Anton Fier seja sensacional.

Green on Red - Gravity Talks * * * *
The Byrds e Neil Young na cabeça.

Hawaii - One Nation Underground * * * *
Marty Friedman provavelmente deve se envergonhar deste disco. Quando esteve no Brasil e deu uma passada pela Nuvem Nove eu mostrei o segundo LP do Hawaii, o menos tosco The Natives are Restless, e ele tirou o sarro. O fato é que esta estreia da banda é muito interessante em sua indecisão entre o hard e o trash metal que estava surgindo com força em 1983.

Heavy Load - Stronger Than Evil * * * 1/2
Estranha banda vinda da Suécia em seu último LP. Os dois maiores trunfos: as melodias ganchudas e o vocal estranho e diferenciado de Ragne Wahlquist.

Howard Devoto - Jerky Versions of the Dream * * * *
Devoto (ex-Buzzcocks e Magazine) lançou este curioso disco solo, perdido em algum lugar entre Roxy Music e Soft Cell.

Iron Maiden - Piece of Mind * * * * *
Um dos discos que explica o fascínio que a banda ainda exerce, junto de Killers (1981) e Powerslave (1984), um dos grandes LPs do gênero, com faixas inesquecíveis como "Where Eagles Dare", "Revelation" e "To Tame a Land".

Itamar Assumpção - Às Próprias Custas * * * * 1/2
Esqueçam Cazuza. O verdadeiro poeta urbano é Itamar Assumpção, que lançou um clássico atrás do outro sem nunca ter tido sua genialidade emplamente reconhecida.

James Blood Ulmer - Odyssey * * * *
Jazz, folk e uma pitada da faceta "Waiting on a Friend" dos Rolling Stones fazem deste disco uma excelente pedida para roqueiros que querem sair um pouco da redoma.

Killing Joke - Fire Dances * * * * 1/2
A guinada pop/prog que a banda iria dar nos anos seguintes fez deste disco um ponto especial para entendermos o caminho que ela percorreu, e o posterior retorno à ferocidade com o despertar da década de 90.

The Legendary Pink Dots - Basilisk * * * * 1/2
The Legendary Pink Dots - Curse * * * *
Deu para notar que adoro essa banda? Eles são de Londres, lançaram, no início dos anos 80, uma série de discos lançados unicamente em cassetes, que só seriam relançados nos anos 90, direto em CD. Basilisk e Chemical Playschool 3+4 (que caiu na última hora) são dois desses cassetes. Ambos espetaculares em suas ousadias progressivas e melodias kraftwerkianas. Curse é o segundo LP da banda, e se é inferior ao sensacional primeiro LP, Brighter Now, de 1982, ainda assim guarda interesse pelo que vem depois. Uma banda inigualável.

The Lords of the New Church - Is Nothing Sacred? * * * *
Com esses nomes, banda e disco, espera-se algo mais gótico, não? O fato é que tem até ska no caldeirão pop dos Lords, e este disco, se é ligeiramente inferior ao primeiro, ainda nos entrega boas doses de inspiração.

Marc & the Mambas - Torment and Toreros * * * * 1/2
Projeto paralelo de Marc Almond, do Soft Cell. A sonoridade lembra muito mais Dead Can Dance ou This Mortal Coil, e em alguns momentos Jacques Brel e Scott Walker, do que a banda original de Almond. É estranho em diversos momentos, e essa estranheza cerca o disco de um mistério pra lá de interessante. O que quer Marc Almond? Por que fazer este disco tão maluco, criativo e arriscado? Por que negligenciar ligeiramente o caminho seguro do Soft Cell? Sem respostas por enquanto. O fato é que este disco duplo é mais uma bola super dentro de um dos artistas mais geniais dos anos 80.

Metallica - Kill em' All * * * * *
Um marco, de qualquer forma que se encare este disco. O surgimento, com força, do thrash metal; a decadência da NWOBHM e das bandas que não souberam sair desse rótulo, arrasado pelo surgimento de bandas da costa leste americana, ou o estopim para tudo que foi feito no rock dos anos seguintes, servindo até de inspiração para a reação do grunge ao hair metal e à acid house. São mais de 50 minutos de riffs antológicos.

Midnight Oil - 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1 * * * *
Esqueçam a balela de ser a melhor banda do mundo. Durou pouco, pouca gente acreditou, e estava longe de ser verdade mesmo. A verdade é que a banda australiana lançou, sim, alguns discos bem legais, dos quais o melhor provavelmente é este aqui, com a capa branca e a contagem regressiva.

Minor Threat - Out of Step EP * * * 1/2
Esta banda é tida como um dos pilares do hardcore straight-edge (nada de álcools e drogas) do início dos anos 80, e este disco é considerado por meio mundo o clássico da banda. Talvez seja o melhor disco deles mesmo, e certamente é melhor que qualquer disco do Fugazi (a banda seguinte do vocalista MacKaye) que eu tenha escutado (ainda que eu deva reescutá-los, por uma questão de justiça).

Minutemen - What Makes a Man Start Fires? * * * *
Minutemen - Buzz or Howl Under the Influence of Heat EP * * * * 1/2
Só a faixa "Cut" já valeria sua inclusão aqui, mas o fato é que os Minutemen são injustiçados porque fizeram o melhor punk do planeta e raramente são reconhecidos por isso, e estes dois discos (LP e EP) são sensacionais, com a sonoridade urgente e esquisita que é marca registrada do trio.

Motley Crue - Shout at the Devil * * * * 1/2
Em relação ao primeiro LP, Too Fast For Love, este segundo perde um pouco da aparência de garagem, com as guitarras de Mick Mars soando mais polidas. Em compensação, ganha pela força das melodias, com destaque para "Too Young to Fall in Love" e a belíssima balada "Danger".

Motorhead - Another Perfect Day * * * * 1/2
Um grande disco da banda de Lemmy Kilmister, o único a contar com o playboy Brian Robertson na guitarra. Sem ver o visual ridículo dele, dá para compensar a sentida debandada de Fast Eddie Clark.

New Order - Power Corruption & Lies * * * * 1/2
Na discografia do New Order, este segundo LP só perde para Brotherhood e Get Ready, o que dá uma noção de seu poder. Começa com a capa, a melhor que a banda já fez.

Night Ranger - Midnight Madness * * * *
Junto com Double Vision e 4, do Foreigner; Abominog, do Uriah Heep; e do primeiro do Asia, os dois primeiros LPs da subestimada Night Ranger estão entre o que de melhor o AOR deu ao mundo. Este é o segundo álbum da banda que teve Brad Gillis, aquele guitarrista que substituiu Randy Rhoads por um tempo na banda de Ozzy Osbourne.

Oz - Fire in the Brain * * * *
Esta banda dinamarquesa se encaixa perfeitamente na expressão "guilty pleasures". Sei que é ridícula, mas não consigo deixar de gostar.

Ozzy Osbourne - Bark at the Moon * * * *
Tão bom quanto o disco de estréia, Blizzard of Ozz, este terceiro disco de estúdio de Ozzy vem com Jake E. Lee, e a difícil tarefa de substituir Randy Rhoads.

Paul McCartney - Pipes of Peace * * * *
Depois da obra-prima Tug of War, Macca desce um pouco ao nível dos mortais e lança este belo disco pop, com participação de Michael Jackson em duas faixas.

Peter Hammill - Patience * * * *
Em duas faixas, dá para sentir um gostinho de VdGG: na sorumbática e inacreditavelmente bela "Just Good Friends" e na nervosa "Jeunesse Dorée. Mais um belo disco de um dos grandes compositores do século XX.

Picture - Eternal Dark * * * *
Outro guilty pleasure, este é o melhor disco da banda holandesa Picture. A música título fez muito sucesso na 97 FM, uma rádio dedicada ao rock que infelizmente durou pouco.

Pink Floyd - The Final Cut * * * *
Muito menos pop do que se esperaria de um sucessor do monumental The Wall, The Final Cut é cheio de beladas que atingem em cheio os que resistirem à decepção inicial (sim, eu também fiquei decepcionado na primeira vez que ouvi).

The Police - Synchronicity * * * * 1/2
Durante muito tempo este canto de cisne foi meu Police preferido. Agora é Zenyatta Mondatta. Mas Synchronicity é um duro concorrente, sempre, assim como Ghost in the Machine..

Premeditando o Breque - Quase Lindo * * * *
Não tão bom quanto o primeiro disco deles, mas essencial para se entender a vanguarda paulistana da época.

Psychic TV - Dreams Less Sweet * * * * 1/2
Banda de Genesis P. Orridge após o essencial Throbbing Gristle, o Psychic TV se aproximou bastante do progressivo praticado por bandas como Neu!, Faust e Gong nos anos 1970. Um pé nas baladas especiais, outro no experimentalismo, em mais um discaço que tem Orridge por trás.

Rainbow - Bent Out of Shape * * * *
É o disco AOR do Rainbow (que desde a saída de Ronnie James Dio tinha um pé no AOR), e aquele em que o vocal irritante de Joe Lynn Turner cai melhor.

Ratt - Ratt EP * * * * *
Este EP que apresenta o Ratt ao mundo é seu disco mais redondo, com as guitarras de garagem soando perfeitamente nas melodias roqueiras. São seis faixas de puro deleite rock'n'roll, mas tem quem prefira acreditar que a banda é farofa.

R.E.M. - Murmur * * * * *
Clássico álbum de estreia de uma das bandas mais influentes dos últimos trinta anos. Após um belíssimo EP chamado Chronic Town, este Murmur já tem todas as qualidades que seriam melhor enxergadas nos discos do fim da década de 80, e fariam a banda conhecer um estrelato que eles nunca imaginaram.

Richard Thompson - Hand of Kindness * * * *
Uma única canção, digna do melhor que o Fairport Convention (banda clássica de Thompson) produziu, bastaria para colocar este álbum na lista, a fenomenal "Where the Wind Don't Whine". Como existem outras, a presença era barbada. Como tem duas ou três canções que não dizem muito, não recebe cotação maior.

Riot - Born in America * * * * 1/2
O melhor disco da banda com o vocalista Rhett Forrester. Fica pau a pau com Fire Down Under, o melhor com Guy Speranza no vocal. Depois disso, com outros vocalistas, nada que seja do nível do simpático disco solo de Forrester.

Rumo - Diletantismo * * * *
Luiz Tatit e companhia e a música criativa da vanguarda paulistana no início da década de 80.

Sad Lovers and Giants - Feeding the Flame * * * * 1/2
Uma pitada de Smiths, sobretudo no vocal - antes de Morrissey dizer a que veio -, mais um pouco de Chameleons e muito do Felt. Temos assim muma combinação que pode não ser muito original, mas que é uma delícia de se escutar, ao menos para quem curte o pós-punk/pop/gótico da época.

Satan - Court in the Act * * * * *
Clássico da NWOBHM, com um dos melhores vocalistas do estilo, Brain Ross, mais o guitarrista Steve Ramsey e o baixista Graeme English, que depois montaram a boa banda Skyclad. Este disco é pesado e rápido em alguns momentos, melodioso e malemolente em outros. Top 10 do heavy metal, sem exagero.

Savatage - Sirens * * * * 1/2
Criss Oliva, esse era o nome. O timbre de sua guitarra era inigualável. Somado a voz única de seu irmão Jon, dava a sonoridade perfeita para uma banda que desejava ser diferente dentro de um cenário propício para o metal. E pensar que o disco seguinte, Power of the Night, é ainda melhor. Pena que Criss tenha falecido em 1993, vítima de um acidente automobilístico.

Saxon - The Power and the Glory * * * * *
Simplesmente o melhor disco de uma das melhores bandas de rock. Sem mais palavras.

Slayer - Show no Mercy * * * * 1/2
Com este disco, mais a estréia do Metallica, Kill 'em All, surgia o Thrash Metal, que naquela época se confundia com Speed Metal. Classificações à parte, este disco de estréia do Slayer é fundamental para qualquer pessoa em dias de vacas magras. E essencial para todos que gostem de guitarras distorcidas e muita rapidez.

Soft Cell - The Art of Falling Apart * * * * 1/2
Depois da obra-prima Non Stop Erotic Cabaret, este segundo disco do duo inglês chega para confirmar Marc Almond como uma das melhores cabeças da época. É o Lou Reed do synth-pop.

Solaris - Marsbéli Krónikák * * * * 1/2
Este é disparado o melhor disco da banda húngara, cheio de teclados - o que afasta os maníacos por guitarra - mas repleto de melodias tocantes, muito bonitas mesmo. (muitos lugares apontam este disco como lançado em 1984, mas no CD oficial só aparece a data 1983).

Split Enz - Conflicting Emotions * * * *
Considerado um dos discos mais fracos deste genial combo new wave (na verdade, muito mais do que isso), é prova definitiva que a banda dos irmãos Finn é a melhor coisa a ter surgido na Oceania, quiçá no hemisfério sul. Ou seja: se este é dos mais fracos (e eu concordo que seja), o ouvinte pode imaginar como seriam os melhores.

Stray Cats - Rant n' Rave * * * *
Páreo duro entre este terceiro e o primeiro disco da banda que fez um new-wave voltado para os anos 50 (ao contrário da maior parte dos grupos de new wave, voltados para a primeira metade dos anos 60).

Tears for Fears - The Hurting * * * * *
Numa das maiores decadências da música pop, a banda de Curt Smith e Roland Orzabal fizeram esta obra-prima de estréia, mas depois o apenas bom Songs from the Big Chair (1985), o mediano The Seeds of Love (1989), e daí para baixo, numa descida de dar dó.

The The - Soul Mining * * * *
Matt Johnson, que nesse mesmo ano participou do projeto Marc & the Mambas, com Marc Almond, inicia sua nova banda com um disco inspirado de bom pop.

Thin Lizzy - Thunder and Lightning * * * *
1983 também foi o ano em que bandas mais pesadas flertaram com o AOR. A banda de Phil Lynott já havia flertado com o AOR em anos anteriores, e neste disco teve sua musicalidade vitaminada pela entrada de John Sykes, se aproximando, num sentido contrário, do hard rock mais pesado. Não só é o melhor Lizzy desde Black Rose (o que, convenhamos, seria bem fácil), como é um dos cinco melhores discos da banda.

Tim Maia - Descobridor dos Sete Mares * * * *
O mestre da voz em seu último grande disco.

Todd Rundgren - The Ever Popular Tortured Artist Effect * * * *
Disco que começa estranho, parece que não vai engrenar. A partir da quinta faixa, a monumental "Tin Soldier", releitura de Small Faces, o álbum se transforma numa festa maluca, cheia de pirações. Aí podemos apreciar melhor até a faixa "Drive", que é bem comercial, e inspirada.

Tom Waits - Swordfishtrombones * * * * 1/2
Um dos melhores discos de um dos músicos mais criativos, com uma voz rasgada como poucos tinham. Este disco único vem recheado de músicas curtas, melancólicas, que parecem ter saído de um outro tempo.

The Triffids - Treeless Plain * * * *
No All Music Gude alguém falou em antecipação do Alt Country, o que me pareceu justo, ainda que os australianos do The Triffids tenham muito mais graça do que 95% dos artistas que se beneficiaram do rótulo difundido nos anos 90. Este é o primeiro LP deles.

U2 - War * * * *
Melhor que October, mas inferior a Boy, este terceiro disco começa o caminho terminado com louvor no fenomenal disco seguinte de estúdio, The Unforgettable Fire.

The Undertones - The Sin of Pride * * * * 1/2
Tido quase que unanimemente como o disco mais fraco dos Undertones, é, pelo contrário, um grande disco de uma banda que ousou fazer diferente do que se esperava dela. Mais soul, mais pop, mais melancólico, um disco surpreendente.

Univers Zéro - Crawling Wind * * * * 1/2
EP de apenas três faixas que ganhou lançamento posterior em CD com faixas bonus (que desconheço, por sinal). Com pouco menos de 20 minutos de duração total (das três faixas do EP lançado em 1983), um arraso sonoro de fazer o queixo cair.

Was (Not Was) - Born to Laugh at Tornadoes * * * 1/2
Há uns três ou quatro anos formulei uma pequena tese de que o pop safado dos anos 2000 era melhor que o dos anos 90 e dos 80s. Reouvindo algumas coisas como DeBarge, Gazebo, Naked Eyes e este disco do Was (Not Was) começo a perceber que estava redondamente enganado. O pop safado (alguns querem descartável, mas creio que com essas medodias provaram que não é bem assim) dos anos 80 é tão bom quanto o dos anos 70. E tenho dito.

The Waterboys - The Waterboys * * * * 1/2
Talvez este seja o melhor disco da banda de Mike Scott, ainda que os três seguintes sejam muito bons também. Aqui, o folk-pop da banda está intacto, mais cru e apaixonante do que nos outros discos.

Witchfinder General - Friends of Hell * * * *
Em 1983, quem gostava da voz de Zeeb Parkes gostava bastante deste segundo LP da banda. Quem não suportava seu timbre, que era semelhante ao de Brian Ross, outro bastião do NWOBHM, não podia nem chegar perto. Um clássico do metal tradicional inglês.

X - More Fun in the New World * * * * 1/2
Uma das grandes bandas americanas... ever... A combinação das vozes de Exene Cervenka e John Doe era perfeita, e a banda gravou três discaços antes deste sensacional LP. Difícil escolher o melhor entre eles.

Yes - 90125 * * * 1/2
Com este disco a banda acaba, pois o que se ouviu depois, com a exceção dos Keys to Ascension, não é digno de levar o nome Yes.

Zapp - Zapp III * * * *
Em matéria de funk sintetizado o Zapp foi uma das melhores bandas a aprender a lição de George Clinton e seu Funkadelic. Este terceiro disco pode perder para os dois primeiros da própria lavra, mas é superior ao que a banda clássica de Clinton fez após o seminal Uncle Jam Wants You (1979).


LIMADOS NOS DOIS ÚLTIMOS CORTES

10,000 Maniacs - Secrets of the I Ching

A Flock of Seagulls - Listen

Baron Rojo - Metalmorfosis

Bob Dylan - Infidels

The Church - Seance

Culture Club - Colour by Numbers

DeBarge - In a Special Way

G.B.H. - City Baby's Revenge

Godley and Creme - Birds of Prey

Heaven 17 - The Luxury Gap

Jean-Luc Ponty - Individual Choice

Judas Priest - Defenders of the Faith

The Legendary Pink Dots - Chemical Playschool 3 + 4

Loudness - Law of Devil's Land

Marco Antônio Araujo - Entre um Silêncio e Outro

Mercyful Fate - Melissa

Naked Eyes - Burning Bridges

O.M.D. - Dazzle Ships

Paul Rodgers - Cut Loose

Pekka Pohjola - Jokamies

P-Funk All Stars - Urban Dancefloor Guerillas

Philip Glass - The Photographer

Rain Parade - Emergency Third Rail Power Trip

Raven - All for One

The Replacements - Hootenanny

Robert Plant - The Principle of Moments

Satan Jokers - Les Fils du Metal

Savage - Loose 'n' Lethal

Sérgio Sampaio - Sinceramente

Shriekback - Care

Social Distortion - Mommy's Little Monster

The S.O.S. Band - On The Rise

Spinetta Jade - Bajo Belgrano

The Stranglers - Feline

Suicidal Tendencies - Suicidal Tendencies

Tom Tom Club - Close to the Bone

Twisted Sister - You Can't Stop Rock 'n' Roll

V8 - Luchando por El Metal

Yello - You Gotta Say Yes to Another Excess


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Esquecimentos da lista de 1977
(* que talvez ficassem de fora no último corte)


* Billy Cobham - Magic

Cameo - Cardiac Arrest

* Cluster & Eno

* Ornette Coleman - Dancing in Your Head

The Runaways - Queens of Noise

Spinetta - A 18 Minutos del Sol