É uma espécie de terapia montar essas listas anuais que me obrigam a ouvir discos que há mais de vinte anos eu não ouvia, e a conhecer outros que sempre quis conhecer, mas que iam para o fim da fila por motivos diversos.
A dificuldade vem do conflito de datas. Por exemplo, em diversos lugares o disco Out of Step, do Minor Threat aparece como de 1983. Em outros, incluindo o livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, aparece como de 1984. Qual é o certo? Em qual informação confiar? All Music Guide, Rate Your Music, Music Brainz e Discogs não são 100% confiáveis. Mas são os melhores para se consultar.
Fora esse problema, ainda tem uma quantidade imensa de dúvidas, como por exemplo quanto ao disco que escuto agora, For to Next/And Not Or, de Steve Hillage. A parte For to Next deixa a desejar, mas a parte And Not Or, toda instrumental e bem parecida com o que o Gong fez no auge, é bem legal. Os dois discos já foram pensados para lançamento em conjunto, mas se fossem separados, certamente o segundo entraria na lista de 1983.
Existem também as surpresas e decepções. para desencargo de consciência, fui reouvir dois discos que odiei na época, e que a memória e audições futuras não sanaram: os discos de 1983 do De Barge (In a Special Way) e do Culture Club (Colour by Numbers). Dois belos discos, que talvez fiquem de fora da lista final por muito pouco.
No terreno das decepções, a mais marcante talvez seja a do disco de Lionel Richie, Can't Slow Down. Conhecia só os hits do disco, as excelentes "All Night Long" e "Hello", e me decepcionei bastante ao descobrir que o restante não só fica abaixo dessas duas como fica bem aquém do que se espera de um disco pensado para competir com Thriller.
Enfim, provavalmente no início de abril a lista fica pronta, e é postada aqui. Até lá, fico com a difícil tarefa de escolher 100, quando, nesse ano específico, seria muito mais fácil deixar só 50 ou escolher 150 de uma vez.
dividir impressões musicais com outros melômanos. boa leitura! *****obra-prima - ****ótimo - ***bom - **hummm - *pfui - mico. agora valem as meias cotações.
terça-feira, março 31, 2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Os 100 melhores discos de 1977



Mais uma vez reaproveitando material arquivado do site Tem Que Acontecer, projeto quixotesco que desenvolvi em 2003 e que foi sabotado pela venda da HPG. Claro que alguns discos saíram da lista, outros foram acrescentados, de acordo com minhas audições de lá pra cá. O mais curioso foi notar que alguns medalhões da MPB tiraram férias durante o ano de 1977. Assim, não consta na lista Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Jorge Ben, e Chico Buarque aparece só com uma trilha sonora. Outras bandas são tão boas que conseguiram emplacar discos menos inspirados na década, como é o caso do Earth & Fire, do 10cc e do Ohio Players. E algumas ausências podem ser tristes, como Tom Waits, cujo álbum de 1977, Foreign Affairs, é claramente de entressafra. O mesmo se pode dizer do Queen com News of the World, um bom disco, mas aquém do potencial da banda e dos 100 que entraram nesta lista final. Idem com o primeiro do Clash, que depois faria discos excepcionais. Vários outros bons artistas ficaram de fora, muitos com discos 3 estrelas (às vezes 3 1/2). A lista final não saiu sem certa dor, mas essa é grande parte da graça. No fundo, dói mais saber que devo ter esquecido vários outros discos muito bons.

10cc - Deceptive Bends * * * *
Sem Godley e Creme, Goldman e Stewart tentam se reafirmar, à sombra dos quatro excelentes discos anteriores, e fazem um disco pop delicioso, o último antes da decadência definitiva de Bloody Tourists (1978).
Abba - The Album * * * *
O filme voltou a passar nos cinemas graças ao projeto Moviemobz. A banda, contudo, não precisa de mais nada além de suas belas melodias.
Aerosmith - Draw the Line * * * *
Superior a Toys in the Attic (1975) e Rocks (1976), Draw the Line é, sem dúvida, o melhor disco do Aerosmith ao lado de Get Your Wings (1974).
The Alan Parsons Project - I Robot * * * *
O segundo álbum do projeto de Alan Parsons conta com quase toda a banda Pilot, mais alguns convidados de luxo. Melodias brilhantes e experimentos com um progressivo espacial fariam a graça de muitos fãs até 1985, pelo menos.
Almôndegas - Alhos com Bugalhos * * * *
Terceiro disco da banda gaúcha de Kleiton e Kledir. Vários achados regionais escondidos no meio de muita melodia inspirada.
Banda Black Rio - Maria Fumaça * * * *
Funk instrumental brasileiro que voltou a se tornar cult por causa do relançamento em CD nos anos 1990.
The Beach Boys - Love You * * * * *
Dizer que é sensacional é chover no molhado. Brian Wilson melhora seu estado de sáude e coloca a massa cinzenta para criar as melodias irresistíveis que só ele sabe fazer. Na década de 70, este disco, dentro da carreira dos Beach Boys, só perde para Sunflower (1970).
Beto Guedes - A Página do Relâmpago Elétrico * * * * 1/2
Primeiro e melhor disco do compositor mineiro. Coquetel de beatlemania com progressivo e MPB que caiu nas graças de muito hippie da época
Blondie - Plastic Letters * * * *
Bem melhor que o primeiro LP, desta vez o Blondie vem disposto a conquistar o mundo, o que conseguiria, definitivamente, com o disco seguinte, a obra-prima Parallel Lines (1978)
Blue Oyster Cult - Spectres * * * * *
Da chamada equivocadamente de "fase metal", que compreende de Agents of Fortune (1976) a Revolution by Night (1983), Spectres é o melhor disco, mesmo concorrendo com pérolas como Cultossaurus Erectus (1980) e Fire of Unknown Origin (1981). Justiça seja feita: é o melhor disco do B.O.C.
Brian Eno - Before and After Science * * * *
Um disco de Eno, mesmo quando superestimado, é capaz de dar nós em nossos ouvidos.
Bryan Ferry - In Your Mind * * * *
Grande Ferry, cunhando melhor que todos o Rock 'n' Roll soul.
Caetano Veloso - Bicho * * * * *
Disco que parece um greatest hits, de tantas músicas que fizeram sucesso. De fato, muita gente pensa que é coletânea, até hoje.
Cartola - Verde que te Quero Rosa * * * * *
Terceiro disco de Cartola, compositor que dispensa comentários.
Cheap Trick - In Color * * * *
Os dois discos seguintes, Heaven Tonight (1978) e Dream Police (1979) são os melhores que a banda gravou. Mas as sementes estão neste ótimo disco de 1977.
Chic - Chic * * * *
Nile Rodgers e Bernie Edwards chegam com produção e seus instrumentos (guitarra e baixo, respectivamente), para mexer com o mundo funk, em plena era Disco. Fariam, no ano seguinte, a obra-prima C'est Chic.
Chico Buarque - Os Saltimbancos * * * *
Escondido entre duas obras-primas de Chico, Meus Caros Amigos (1976) e Chico Buarque (1978), este disco infantil que conta com participações de Miúcha e MPB-4 é uma delícia de se escutar.
Chrome - The Visitation * * * * 1/2
Ainda sem Helios Creed, que redefiniria o som da banda, o que temos neste disco de estréia é um Roxy Music inicial apontando para direções oitentistas interessantíssimas, mas com um pé forte no início dos 70s.
Colosseum II - Electric Savage * * * *
Este é o melhor disco da segunda formação de banda capitaneada por Jon Hiseman. Aqui, Gary Moore e Don Airey dão o ar da graça em um jazz rock nervoso.
Commodores - Commodores * * * *
Além de ter canções racha-assoalho, é o disco que contém a faixa "Easy", o maior sucesso comercial do grupo (seguido de perto pela belíssima "Three Times a Lady", balada do disco seguinte).
Daevid Allen - Now It's the Happiest Day of Your Life * * * * *
Allen sai do Gong, mas não abandona suas idéias poético-psicodélicas. Delicioso de se ouvir.
The Damned - Damned Damned Damned * * * * 1/2
Álbum de estréia de uma das bandas mais inspiradas do punk rock inglês.
David Bowie - Heroes * * * * *
Entre os discos que Bowie lançou na fase-Berlim, quando contou com a parceria de Brian Eno, Heroes é o melhor.
David Bowie - Low * * * * 1/2
Outro da fase Berlim, com um lado bem diferente do outro. A fórmula seria aperfeiçoada no disco seguinte, Heroes.
Dennis Wilson - Pacific Ocean Blue * * * * *
O talento está mesmo no sangue da família Wilson. Dennis já havia contribuido com algumas canções primorosas nos discos dos Beach Boys, mas este sensacional disco solo comprova definitivamente seu talento melancólico.
Earth & Fire - Gate to Infinity * * * *
Quinto e último grande disco da banda holandesa responsável por algumas das mais belas melodias dos anos 70. Daí em diante, a mistura de pop-disco-progressivo iria desandar, porque tenderia de vez ao pop mais comercial possível.
Earth Wind and Fire - All 'n' All * * * * 1/2
Um dos grandes discos de uma das melhores bandas de soul/jazz/funk que o planeta já viu.
Eddie Hazel - Game, Dames and Guitar Thangs * * * *
O disco solo do exímio guitarrista Eddie Hazel não se iguala a nenhum do Funkadelic com sua presença, mas quem disse que é fácil se igualar aos magos do funk psicodélico?
Electric Light Orchestra - Out of the Blue * * * * *
A questão aqui é reconhecer que Jeff Lynne é um compositor de melodias do nível de Paul McCartney e Brian Wilson. Uma vez reconhedido isso, não há como não se deliciar com este disco, um dos melhores da década.
Elvis Costello - My Aim is True * * * * *
Estréia excepcional de um músico que ainda é subestimado em certos círculos. Muito pop para ser abraçado integralmente pelos punks, muito arrojado para ganhar a simpatia do roqueiro mais conservador. Felizmente, as barreiras são fáceis de serem quebradas por este disco.
Fela Kuti - Shuffering and Shmiling * * * *
+ Fela Kuti - Zombie * * * * 1/2
Fela Kuti tem muitos discos e entre os que lançou em 1977 (dos quais só conheço três) estes dois são os escolhidos para entrarem na lista.
Frank Marino & Mahogany Rush - World Anthem * * * *
Um Jimi Hendrix servindo ao metal tradicional é o que temos com este disco.
Frankie Miller - Full House * * * *
Soul-rock cantado por um vocalista cujo timbre lembra muito o de Rod Stewart. Não tem como ser ruim.
Gal Costa - Caras e Bocas * * * *
Provavelmente o último grande disco de Gal Costa, lançado em um ano que ouviu muitos últimos grandes discos e vários grandes primeiros discos.
Gentle Giant - Playing the Fool * * * *
GG em processo de decadência é melhor do que 99% do que se faz em música pop ou rock. A partir deste disco, eles tentariam dar novos rumos à sua música, e nunca mais fizeram um grande trabalho. Este, no entanto, é facilmente um dos melhores duplos ao vivo que foram feitos no rock.
Gerson King Combo - Gerson King Combo * * * * 1/2
Funk nervoso de primeira.
Gilberto Gil - Refavela * * * *
Nas pegadas de Refazenda (1975), só que comendo poeira. Ainda assim, é um grade disco do ex-ministro.
Gong - Live Etc. * * * *
Duplo ao vivo que contém alguns dos melhores momentos (gravados entre 1973 e 1975, quase todos ainda com Daevid Allen) do prog-psicodélico da banda, lançado em uma época em que eles já estariam indo na direção do jazz-rock sob a orientação de Pierre Moerlen.
Heatwave - Too Hot to Handle * * * *
Rod Temperton é um dos maiores compositores de soul-music que existiram, e esta banda serve-se muito bem de seu talento neste disco de estréia e no igualmente brilhante Central Heating (1978).
Ian Dury - New Boots and Panties * * * *
Neste disco com a fenomenal banda The Blockheads, Ian Dury entrega mais uma mistura de ritmos amarrados pelo rock.
Iggy Pop - Lust for Life * * * *
Melhor que o outro disco lançado pelo iguana em 1977, The Idiot, Lust for Life é o melhor exemplo do som que ele estava buscando desde que os Stooges viraram História.
The Jacksons - Goin' Places * * * *
Michael Jackson já não era mais criança, e estaria a poucos anos de se tornar um dos maiores astros da música.
Jacques Brel - Brel * * * * 1/2
Gravado depois que o cantor passou alguns anos navegando pelo mundo em seu iate, Brel é o canto de cisne desse artista único, atemporal, como podemos ver na maior parte das faixas deste disco.
Jan Hammer Group - Melodies * * * *
Hammer tentando encontrar novos rumos para seu jazz-rock
Jane - Between Heaven and Hell * * * * 1/2
A excelente banda alemã Jane desenvolveu uma carreira bem interessante, mudando sempre de formação e de sub-estilo, dentro de um hard-progressivo totalmente tingido pelo que o Krautrock entregou ao mundo no início dos anos 70. Este BHAH é um de seus melhores discos, cheio de melodias inspiradas e um prog-soft inofensivo, mas bem agradável de se escutar.
Jean-Luc Ponty - Enigmatic Ocean * * * *
Provavelmente o melhor disco do violinista, contando com Daryl Stuermer, Allan Holdsworth e Allan Zavod.
Jethro Tull - Songs from the Wood * * * * 1/2
Após aproximações com o pop no disco anterior, JT chega muito próximo do que o Gentle Giant fazia nos anos anteriores. Claro, é inferior que qualquer disco do Giant até o duplo ao vivo, mas é melhor que Missing Piece, disco de estúdio do GG em 1977).
João Bosco - Tiro de Misericórdia * * * * *
Sem dúvidas o melhor disco deste excepcional compositor.
João Gilberto - Amoroso * * * * *
João já era grande, e de quebra nos presenteia com este disco formidável, um dos melhores já feitos em nosso país.
João Nogueira - Espelho * * * *
Compositor um tanto injustiçado, Nogueira estava inspirado quando gravou Espelho.
John Martyn - One World * * * *
Em 1977, este disco suave de Martyn, contendo sua voz única (em algum lugar entre Chris Rea, Richard Heavens e Bryan Ferry) soa como um OVNI em meio a obras Disco, punk ou hard rock.
Kansas - Point of Know Return * * * * 1/2
A banda começou progressiva, mas sempre alternando momentos de hard rock e pop. talvez a mistura tenha atingido o ponto máximo neste disco, que contém a clássica "Dust in the Wind" e a impecável "Closet Chronicles".
Kayak - Starlight Dancer * * * * *
A banda holandesa chefiada por Tom Scherpenzeel teve uma carreira bem irregular, mas quando acerta sai de baixo. Acertou em cheio três vezes nos anos 70: no disco de estréia, See See the Sun (1973), em Kayak II (1974) e neste estupendo Starlight Dancer, que se renova sem abandonar as raízes, e tem melodias espetaculares pelo disco todo.
Kiss - Love Gun * * * *
Pode não ter o mesmo nível de Kiss (1973), o álbum de estréia, de Destroyer (1976) ou mesmo de Dressed to Kill (1975), mas está longe de ser o disco de entressafra que muitos sugerem até hoje. Só "I Stole Your Love" já derruba qualquer disposição contrária.
Kraftwerk - Trans Europe Express * * * * *
Primeira obra-prima da banda alemã que no ano seguinte faria mais uma: Man Machine. Só "Hall of Mirrors" já valeria o disco, e tem muito mais.
La Máquina de Hacer Pájaros - Películas * * * *
Disco prog da banda de Charlie Garcia que há muito tempo não escuto. A presença aqui tem boa dose de confiança na minha memória de que a inspiração de Garcia estava em alta.
Leonard Cohen - Death of a Ladies' Man * * * *
Produzido por Phil Spector, mostra o bardo canadense tentando se reencontrar após a obra-prima New Skin for the Old Ceremony (1974).
Locanda Delle Fate - Forse le Lucciole non si Amano Più * * * *
Com um dos títulos mais bonitos do rock, este disco da banda italiana de vocal operístico (e de nome bonito também) impressiona pelas melodias e pelo piano fluente em toda sua duração.
Maneige - Ni Vent ni Nouvelle * * * *
Quem gosta de Gentle Giant, xilofones e fusion não tem como não gostar deste disco do Maneige. Quem não gosta está perdendo.
Metro - Metro * * * *
Alguns lugares apontam este disco como lançamento do fim de 1976, mas o All Music e o Rate Your Music, que estão longe de serem infalíveis, apontam 1977. Que seja. De qualquer forma, o disco é excelente, e merece figurar nesta lista.
Moraes Moreira - Cara e Coração * * * * 1/2
Grande disco de Moreira, ex-Novos Baianos, que no ano seguinte faria o igualmente belo Auto Falante.
National Health - National Health * * * *
Banda de Dave Stewart (ex-Khan, Egg, Arzachel) que é praticamente uma continuação do Hatfield and the North (sem os irmãos Sinclair e com os mesmos Phil Miller e Pip Pyle, e pratica uma mistura bem interessante de progressivo com jazz e experimentalismo.
Ohio Players - Angel * * * *
Não tão bom quanto os clássicos Skin Tight e Fire (ambos de 1974), mas Ohio Players é uma das bandas mais talentosas do funk setentista, e este talvez seja o último grande disco deles.
Parliament - Funkentelechy vs. the Placebo Syndrome * * * * 1/2
Junto do Funkadelic, que não lançou disco em 1977, o Parliament, também uma criação de George Clinton, é das coisas mais interessantes que surgiram na música entre o fim dos anos 60 e o começo dos 70.
Pekka Pohjola - Keesojen Lehto * * * *
Os vinis do finlandês Pohjola, e da banda da qual fez parte, Wigwam, valiam fortunas tempos atrás. Lançamentos em CD na Europa acabaram com a festa dos especuladores, e tornaram possível que muito mais gente conhecesse o prog-jazza-pop envolvente do músico.
Percy Thrillington - Thrillington * * * *
Músicas de Paul McCartney recebendo versões lounge em plena era punk? Isso pode ser bom? Por incrível que pareça, pode sim, pois Percy Thrillington é ninguém menos do que o próprio Macca em curioso projeto paralelo.
Peter Gabriel - Peter Gabriel * * * *
Em carreira solo, Gabriel ainda se sairia melhor com o terceiro e o quarto disco de sua carreira, em 1980 e 1982. Esta estréia, entretanto, é superior ao segundo disco dele, e tem a clássica canção "Solsbury Hill".
Peter Hammill - Over * * * * 1/2
Um dos melhores discos da carreira solo de Hammill.
Pilot - Two's a Crowd * * * * *
Um dia esta excelente banda terá o reconhecimento que merece. Este é o quarto e último disco deles.
Pink Floyd - Animals * * * *
Depois de um disco irregular, Wish You Were Here (1975), a banda volta com força em um álbum mais direto, cheio de influências de folk e blues, e com faixas enormes, mas com um pé forte no mercado.
Ramones - Leave Home * * * *
Simplesmente o melhor disco da banda.
Recordando o Vale das Maçãs - Crianças da Nova Floresta * * * *
Banda de um disco só, que mesclava progressivo com folk e MPB.
Renaissance - Novella * * * * 1/2
Excelente disco de apenas cinco faixas, sendo uma delas a antológica "The Sisters"
The Residents - Fingerprince * * * * 1/2
Lançado em tiragem limitada e autografada ainda em dezembro de 1976, obteve lançamento "oficial" no ano seguinte, se tornando um dos discos fundamentais pelo que o Residents viria a ser reconhecido.
Roberto Carlos - RC 77 * * * * *
Outro disco que mais parece uma coletânea, de tantas músicas antológicas. Seria a última obra-prima do Rei.
Robin Trower - In City Dreams * * * *
Trower saiu do Procol Harum e desenvolveu carreira solo mais interessante do que a do grupo nos anos 70, como comprova este ótimo disco.
Rush - A Farewell to Kings * * * *
Fãs de Rush são como fãs de Iron Maiden: se esforçam tanto para que todos gostem de suas bandas de coração que terminam por afastar-nos delas. Uma audição fria revela muitas qualidades em alguns álbuns desta banda canadense.
Scorpions - Taken by Force * * * * 1/2
Um dos melhores discos do Scorpions conta com Ulrich Roth ainda, pela última vez em estúdio.
Som Nosso de Cada Dia - Som Nosso (Sábado/Domingo) * * * * 1/2
Um lado prog, outro funk. Para desespero dos fãs antigos da banda, o lado funk é sensivelmente melhor.
Split Enz - Dizrythmia * * * * *
A banda neo-zelandesa que revelaria os irmãos Neil e Tim Finn para o mundo lançou vários discos de antologia, entre eles este impecável e estimulante disco de 1977.
Status Quo - Rockin' All Over the World * * * *
A banda que atravessou os anos 70 fazendo discos bem bacanas nos entrega mais um, que pode até ser considerado um dos cinco melhores de sua carreira. Em quinto, vá lá, já que não tem como ficar na frente de Hello (1973), Quo (1974), On the Level (1975) e o melhor de todos, Blue For You (1976).
Steely Dan - Aja * * * *
É curioso como este disco é sempre tido como o supra-sumo da música do SD. Vira e mexe aparece como um dos melhores discos dos anos 70. É um grande disco, mas a banda de Donald Fagen e Walter Becker fez pelo menos três discos melhores que este: Can't Buy a Thrill (1972), Pretzel Logic (1974) e Royal Scam (1976).
Steve Hillage - Motivation Radio * * * * *
Terceiro disco solo do ex-guitarrista do Gong e do Khan, é também o seu melhor, superando o progressivo ortodoxo, e muito bem feito, de Fish Rising (1975) e a agradável indecisão criativa de L (1976).
The Steve Miller Band - Book of Dreams * * * *
Mais fraco que Fly Like an Eagle (1976) ou The Joker (1973), ainda assim é mais uma prova do talento de Miller para fazer discos deliciosos sem que sua técnica prevaleça sobre as melodias.
Steve Winwood - Steve Winwood * * * *
Primeiro e inspirado disco solo de Winwood, com sua voz negra e aguda soando com toda a limpidez que lhe é característica.
The Stranglers - No More Heroes * * * * 1/2
Lançado poucos meses depois de Rattus Norvegicus, este disco sublime consegue ir além da estréia da banda, colocando-os sob os holofotes da recente onda punk-rock que assolou a Inglaterra
Suicide - Suicide * * * * *
Alan Vega e Martin Rev revolucionaram o punk e o synth pop que estava surgindo com o Kraftwerk, abrindo caminho para coisas pesadas que viriam em seguida. O primeiro e sensacional disco do Soft Cell pode ser considerado um dos maiores herdeiros desta pérola.
Talking Heads - 77' * * * * *
Primeiro e excepcional disco de uma das bandas mais importantes do cenário pós-punk/new wave que surgia com força a partir de Nova York.
Television - Marquee Moon * * * * *
Um dos clássicos dos anos 70. A guitarra de Verlaine ficaria para sempre marcada no mundo da música pop. Tem um pouco de progressivo, um pouco de glam rock, de punk, e muito de Velvet Underground. Isso dito, não tem na verdade nada do que foi citado, pois tudo junto dá numa das coisas mais originais que pudemos ouvir depois de... er... Velvet Underground.
Throbbing Gristle - Second Annual Report * * * * 1/2
Assim é que se faz música experimental.
Tim Maia - Tim Maia * * * *
Entre altos e baixos, qualquer disco de Tim Maia nos anos 70 tem que entrar em qualquer lista deste tipo. Esse de 1977, lançado na época pela Som Livre, traduz com precisão o porquê do cantor ser considerado um dos maiores de todos os tempos.
União Black - União Black * * * * 1/2
Funk à brasileira. Um dos discos essenciais da black music nacional, que não teve a projeção que merecia.
Uriah Heep - Firefly * * * *
+ Uriah Heep - Innocent Victim * * * *
De uma fase subestimada da banda, estes dois discos com John Lawton no vocal são melhores que os três anteriores, com David Byron. Difícil é o fã que tem disposição para descobrir isso.
Utopia - Ra * * * *
+ Utopia - Oops! Wrong Planet * * * *
Dois discos da banda montada em 1974 por Todd Rundgren, que não lançou disco solo em 1977. Como sempre, o ecletismo é a marca do sujeito. Ra tende para o progressivo, e Oops vai mais para o lado do pop, encerrando com um dos maiores sucessos da carreira de Todd, a balada "Love is the Answer".
Van der Graaf - The Quiet Zone / The Pleasure Dome * * * *
Não faz mal que é o disco mais fraco do VdGG (menos o segundo G, de Generator) junto de World Music (1976). Nele você pode ouvir algumas das faixas mais inspiradas do prog na segunda metade da década de 70, como "Cat's Eye", "Lizard Play" e "The Wave".
Wire - Pink Flag * * * * 1/2
Outro dia esbarrei em um debate na internet sobre qual é melhor, este ou o segundo, Chairs Missing (1978). Sinceramente, eu também não sei, pois cada vez que escuto os dois discos saio com um como superior ao outro, e isso sempre muda. O que importa é que a banda é excelente, e ainda tem um terceiro disco bacana, 154 (1979)
Yes - Going for the One * * * *
É o disco que marca a volta de Rick Wakeman. Continua na onda do progressivo total e barulhento inaugurado com o espetacular - e superior - Relayer (1974).
Limados no último corte:
Sem Godley e Creme, Goldman e Stewart tentam se reafirmar, à sombra dos quatro excelentes discos anteriores, e fazem um disco pop delicioso, o último antes da decadência definitiva de Bloody Tourists (1978).
Abba - The Album * * * *
O filme voltou a passar nos cinemas graças ao projeto Moviemobz. A banda, contudo, não precisa de mais nada além de suas belas melodias.
Aerosmith - Draw the Line * * * *
Superior a Toys in the Attic (1975) e Rocks (1976), Draw the Line é, sem dúvida, o melhor disco do Aerosmith ao lado de Get Your Wings (1974).
The Alan Parsons Project - I Robot * * * *
O segundo álbum do projeto de Alan Parsons conta com quase toda a banda Pilot, mais alguns convidados de luxo. Melodias brilhantes e experimentos com um progressivo espacial fariam a graça de muitos fãs até 1985, pelo menos.
Almôndegas - Alhos com Bugalhos * * * *
Terceiro disco da banda gaúcha de Kleiton e Kledir. Vários achados regionais escondidos no meio de muita melodia inspirada.
Banda Black Rio - Maria Fumaça * * * *
Funk instrumental brasileiro que voltou a se tornar cult por causa do relançamento em CD nos anos 1990.
The Beach Boys - Love You * * * * *
Dizer que é sensacional é chover no molhado. Brian Wilson melhora seu estado de sáude e coloca a massa cinzenta para criar as melodias irresistíveis que só ele sabe fazer. Na década de 70, este disco, dentro da carreira dos Beach Boys, só perde para Sunflower (1970).
Beto Guedes - A Página do Relâmpago Elétrico * * * * 1/2
Primeiro e melhor disco do compositor mineiro. Coquetel de beatlemania com progressivo e MPB que caiu nas graças de muito hippie da época
Blondie - Plastic Letters * * * *
Bem melhor que o primeiro LP, desta vez o Blondie vem disposto a conquistar o mundo, o que conseguiria, definitivamente, com o disco seguinte, a obra-prima Parallel Lines (1978)
Blue Oyster Cult - Spectres * * * * *
Da chamada equivocadamente de "fase metal", que compreende de Agents of Fortune (1976) a Revolution by Night (1983), Spectres é o melhor disco, mesmo concorrendo com pérolas como Cultossaurus Erectus (1980) e Fire of Unknown Origin (1981). Justiça seja feita: é o melhor disco do B.O.C.
Brian Eno - Before and After Science * * * *
Um disco de Eno, mesmo quando superestimado, é capaz de dar nós em nossos ouvidos.
Bryan Ferry - In Your Mind * * * *
Grande Ferry, cunhando melhor que todos o Rock 'n' Roll soul.
Caetano Veloso - Bicho * * * * *
Disco que parece um greatest hits, de tantas músicas que fizeram sucesso. De fato, muita gente pensa que é coletânea, até hoje.
Cartola - Verde que te Quero Rosa * * * * *
Terceiro disco de Cartola, compositor que dispensa comentários.
Cheap Trick - In Color * * * *
Os dois discos seguintes, Heaven Tonight (1978) e Dream Police (1979) são os melhores que a banda gravou. Mas as sementes estão neste ótimo disco de 1977.
Chic - Chic * * * *
Nile Rodgers e Bernie Edwards chegam com produção e seus instrumentos (guitarra e baixo, respectivamente), para mexer com o mundo funk, em plena era Disco. Fariam, no ano seguinte, a obra-prima C'est Chic.
Chico Buarque - Os Saltimbancos * * * *
Escondido entre duas obras-primas de Chico, Meus Caros Amigos (1976) e Chico Buarque (1978), este disco infantil que conta com participações de Miúcha e MPB-4 é uma delícia de se escutar.
Chrome - The Visitation * * * * 1/2
Ainda sem Helios Creed, que redefiniria o som da banda, o que temos neste disco de estréia é um Roxy Music inicial apontando para direções oitentistas interessantíssimas, mas com um pé forte no início dos 70s.
Colosseum II - Electric Savage * * * *
Este é o melhor disco da segunda formação de banda capitaneada por Jon Hiseman. Aqui, Gary Moore e Don Airey dão o ar da graça em um jazz rock nervoso.
Commodores - Commodores * * * *
Além de ter canções racha-assoalho, é o disco que contém a faixa "Easy", o maior sucesso comercial do grupo (seguido de perto pela belíssima "Three Times a Lady", balada do disco seguinte).
Daevid Allen - Now It's the Happiest Day of Your Life * * * * *
Allen sai do Gong, mas não abandona suas idéias poético-psicodélicas. Delicioso de se ouvir.
The Damned - Damned Damned Damned * * * * 1/2
Álbum de estréia de uma das bandas mais inspiradas do punk rock inglês.
David Bowie - Heroes * * * * *
Entre os discos que Bowie lançou na fase-Berlim, quando contou com a parceria de Brian Eno, Heroes é o melhor.
David Bowie - Low * * * * 1/2
Outro da fase Berlim, com um lado bem diferente do outro. A fórmula seria aperfeiçoada no disco seguinte, Heroes.
Dennis Wilson - Pacific Ocean Blue * * * * *
O talento está mesmo no sangue da família Wilson. Dennis já havia contribuido com algumas canções primorosas nos discos dos Beach Boys, mas este sensacional disco solo comprova definitivamente seu talento melancólico.
Earth & Fire - Gate to Infinity * * * *
Quinto e último grande disco da banda holandesa responsável por algumas das mais belas melodias dos anos 70. Daí em diante, a mistura de pop-disco-progressivo iria desandar, porque tenderia de vez ao pop mais comercial possível.
Earth Wind and Fire - All 'n' All * * * * 1/2
Um dos grandes discos de uma das melhores bandas de soul/jazz/funk que o planeta já viu.
Eddie Hazel - Game, Dames and Guitar Thangs * * * *
O disco solo do exímio guitarrista Eddie Hazel não se iguala a nenhum do Funkadelic com sua presença, mas quem disse que é fácil se igualar aos magos do funk psicodélico?
Electric Light Orchestra - Out of the Blue * * * * *
A questão aqui é reconhecer que Jeff Lynne é um compositor de melodias do nível de Paul McCartney e Brian Wilson. Uma vez reconhedido isso, não há como não se deliciar com este disco, um dos melhores da década.
Elvis Costello - My Aim is True * * * * *
Estréia excepcional de um músico que ainda é subestimado em certos círculos. Muito pop para ser abraçado integralmente pelos punks, muito arrojado para ganhar a simpatia do roqueiro mais conservador. Felizmente, as barreiras são fáceis de serem quebradas por este disco.
Fela Kuti - Shuffering and Shmiling * * * *
+ Fela Kuti - Zombie * * * * 1/2
Fela Kuti tem muitos discos e entre os que lançou em 1977 (dos quais só conheço três) estes dois são os escolhidos para entrarem na lista.
Frank Marino & Mahogany Rush - World Anthem * * * *
Um Jimi Hendrix servindo ao metal tradicional é o que temos com este disco.
Frankie Miller - Full House * * * *
Soul-rock cantado por um vocalista cujo timbre lembra muito o de Rod Stewart. Não tem como ser ruim.
Gal Costa - Caras e Bocas * * * *
Provavelmente o último grande disco de Gal Costa, lançado em um ano que ouviu muitos últimos grandes discos e vários grandes primeiros discos.
Gentle Giant - Playing the Fool * * * *
GG em processo de decadência é melhor do que 99% do que se faz em música pop ou rock. A partir deste disco, eles tentariam dar novos rumos à sua música, e nunca mais fizeram um grande trabalho. Este, no entanto, é facilmente um dos melhores duplos ao vivo que foram feitos no rock.
Gerson King Combo - Gerson King Combo * * * * 1/2
Funk nervoso de primeira.
Gilberto Gil - Refavela * * * *
Nas pegadas de Refazenda (1975), só que comendo poeira. Ainda assim, é um grade disco do ex-ministro.
Gong - Live Etc. * * * *
Duplo ao vivo que contém alguns dos melhores momentos (gravados entre 1973 e 1975, quase todos ainda com Daevid Allen) do prog-psicodélico da banda, lançado em uma época em que eles já estariam indo na direção do jazz-rock sob a orientação de Pierre Moerlen.
Heatwave - Too Hot to Handle * * * *
Rod Temperton é um dos maiores compositores de soul-music que existiram, e esta banda serve-se muito bem de seu talento neste disco de estréia e no igualmente brilhante Central Heating (1978).
Ian Dury - New Boots and Panties * * * *
Neste disco com a fenomenal banda The Blockheads, Ian Dury entrega mais uma mistura de ritmos amarrados pelo rock.
Iggy Pop - Lust for Life * * * *
Melhor que o outro disco lançado pelo iguana em 1977, The Idiot, Lust for Life é o melhor exemplo do som que ele estava buscando desde que os Stooges viraram História.
The Jacksons - Goin' Places * * * *
Michael Jackson já não era mais criança, e estaria a poucos anos de se tornar um dos maiores astros da música.
Jacques Brel - Brel * * * * 1/2
Gravado depois que o cantor passou alguns anos navegando pelo mundo em seu iate, Brel é o canto de cisne desse artista único, atemporal, como podemos ver na maior parte das faixas deste disco.
Jan Hammer Group - Melodies * * * *
Hammer tentando encontrar novos rumos para seu jazz-rock
Jane - Between Heaven and Hell * * * * 1/2
A excelente banda alemã Jane desenvolveu uma carreira bem interessante, mudando sempre de formação e de sub-estilo, dentro de um hard-progressivo totalmente tingido pelo que o Krautrock entregou ao mundo no início dos anos 70. Este BHAH é um de seus melhores discos, cheio de melodias inspiradas e um prog-soft inofensivo, mas bem agradável de se escutar.
Jean-Luc Ponty - Enigmatic Ocean * * * *
Provavelmente o melhor disco do violinista, contando com Daryl Stuermer, Allan Holdsworth e Allan Zavod.
Jethro Tull - Songs from the Wood * * * * 1/2
Após aproximações com o pop no disco anterior, JT chega muito próximo do que o Gentle Giant fazia nos anos anteriores. Claro, é inferior que qualquer disco do Giant até o duplo ao vivo, mas é melhor que Missing Piece, disco de estúdio do GG em 1977).
João Bosco - Tiro de Misericórdia * * * * *
Sem dúvidas o melhor disco deste excepcional compositor.
João Gilberto - Amoroso * * * * *
João já era grande, e de quebra nos presenteia com este disco formidável, um dos melhores já feitos em nosso país.
João Nogueira - Espelho * * * *
Compositor um tanto injustiçado, Nogueira estava inspirado quando gravou Espelho.
John Martyn - One World * * * *
Em 1977, este disco suave de Martyn, contendo sua voz única (em algum lugar entre Chris Rea, Richard Heavens e Bryan Ferry) soa como um OVNI em meio a obras Disco, punk ou hard rock.
Kansas - Point of Know Return * * * * 1/2
A banda começou progressiva, mas sempre alternando momentos de hard rock e pop. talvez a mistura tenha atingido o ponto máximo neste disco, que contém a clássica "Dust in the Wind" e a impecável "Closet Chronicles".
Kayak - Starlight Dancer * * * * *
A banda holandesa chefiada por Tom Scherpenzeel teve uma carreira bem irregular, mas quando acerta sai de baixo. Acertou em cheio três vezes nos anos 70: no disco de estréia, See See the Sun (1973), em Kayak II (1974) e neste estupendo Starlight Dancer, que se renova sem abandonar as raízes, e tem melodias espetaculares pelo disco todo.
Kiss - Love Gun * * * *
Pode não ter o mesmo nível de Kiss (1973), o álbum de estréia, de Destroyer (1976) ou mesmo de Dressed to Kill (1975), mas está longe de ser o disco de entressafra que muitos sugerem até hoje. Só "I Stole Your Love" já derruba qualquer disposição contrária.
Kraftwerk - Trans Europe Express * * * * *
Primeira obra-prima da banda alemã que no ano seguinte faria mais uma: Man Machine. Só "Hall of Mirrors" já valeria o disco, e tem muito mais.
La Máquina de Hacer Pájaros - Películas * * * *
Disco prog da banda de Charlie Garcia que há muito tempo não escuto. A presença aqui tem boa dose de confiança na minha memória de que a inspiração de Garcia estava em alta.
Leonard Cohen - Death of a Ladies' Man * * * *
Produzido por Phil Spector, mostra o bardo canadense tentando se reencontrar após a obra-prima New Skin for the Old Ceremony (1974).
Locanda Delle Fate - Forse le Lucciole non si Amano Più * * * *
Com um dos títulos mais bonitos do rock, este disco da banda italiana de vocal operístico (e de nome bonito também) impressiona pelas melodias e pelo piano fluente em toda sua duração.
Maneige - Ni Vent ni Nouvelle * * * *
Quem gosta de Gentle Giant, xilofones e fusion não tem como não gostar deste disco do Maneige. Quem não gosta está perdendo.
Metro - Metro * * * *
Alguns lugares apontam este disco como lançamento do fim de 1976, mas o All Music e o Rate Your Music, que estão longe de serem infalíveis, apontam 1977. Que seja. De qualquer forma, o disco é excelente, e merece figurar nesta lista.
Moraes Moreira - Cara e Coração * * * * 1/2
Grande disco de Moreira, ex-Novos Baianos, que no ano seguinte faria o igualmente belo Auto Falante.
National Health - National Health * * * *
Banda de Dave Stewart (ex-Khan, Egg, Arzachel) que é praticamente uma continuação do Hatfield and the North (sem os irmãos Sinclair e com os mesmos Phil Miller e Pip Pyle, e pratica uma mistura bem interessante de progressivo com jazz e experimentalismo.
Ohio Players - Angel * * * *
Não tão bom quanto os clássicos Skin Tight e Fire (ambos de 1974), mas Ohio Players é uma das bandas mais talentosas do funk setentista, e este talvez seja o último grande disco deles.
Parliament - Funkentelechy vs. the Placebo Syndrome * * * * 1/2
Junto do Funkadelic, que não lançou disco em 1977, o Parliament, também uma criação de George Clinton, é das coisas mais interessantes que surgiram na música entre o fim dos anos 60 e o começo dos 70.
Pekka Pohjola - Keesojen Lehto * * * *
Os vinis do finlandês Pohjola, e da banda da qual fez parte, Wigwam, valiam fortunas tempos atrás. Lançamentos em CD na Europa acabaram com a festa dos especuladores, e tornaram possível que muito mais gente conhecesse o prog-jazza-pop envolvente do músico.
Percy Thrillington - Thrillington * * * *
Músicas de Paul McCartney recebendo versões lounge em plena era punk? Isso pode ser bom? Por incrível que pareça, pode sim, pois Percy Thrillington é ninguém menos do que o próprio Macca em curioso projeto paralelo.
Peter Gabriel - Peter Gabriel * * * *
Em carreira solo, Gabriel ainda se sairia melhor com o terceiro e o quarto disco de sua carreira, em 1980 e 1982. Esta estréia, entretanto, é superior ao segundo disco dele, e tem a clássica canção "Solsbury Hill".
Peter Hammill - Over * * * * 1/2
Um dos melhores discos da carreira solo de Hammill.
Pilot - Two's a Crowd * * * * *
Um dia esta excelente banda terá o reconhecimento que merece. Este é o quarto e último disco deles.
Pink Floyd - Animals * * * *
Depois de um disco irregular, Wish You Were Here (1975), a banda volta com força em um álbum mais direto, cheio de influências de folk e blues, e com faixas enormes, mas com um pé forte no mercado.
Ramones - Leave Home * * * *
Simplesmente o melhor disco da banda.
Recordando o Vale das Maçãs - Crianças da Nova Floresta * * * *
Banda de um disco só, que mesclava progressivo com folk e MPB.
Renaissance - Novella * * * * 1/2
Excelente disco de apenas cinco faixas, sendo uma delas a antológica "The Sisters"
The Residents - Fingerprince * * * * 1/2
Lançado em tiragem limitada e autografada ainda em dezembro de 1976, obteve lançamento "oficial" no ano seguinte, se tornando um dos discos fundamentais pelo que o Residents viria a ser reconhecido.
Roberto Carlos - RC 77 * * * * *
Outro disco que mais parece uma coletânea, de tantas músicas antológicas. Seria a última obra-prima do Rei.
Robin Trower - In City Dreams * * * *
Trower saiu do Procol Harum e desenvolveu carreira solo mais interessante do que a do grupo nos anos 70, como comprova este ótimo disco.
Rush - A Farewell to Kings * * * *
Fãs de Rush são como fãs de Iron Maiden: se esforçam tanto para que todos gostem de suas bandas de coração que terminam por afastar-nos delas. Uma audição fria revela muitas qualidades em alguns álbuns desta banda canadense.
Scorpions - Taken by Force * * * * 1/2
Um dos melhores discos do Scorpions conta com Ulrich Roth ainda, pela última vez em estúdio.
Som Nosso de Cada Dia - Som Nosso (Sábado/Domingo) * * * * 1/2
Um lado prog, outro funk. Para desespero dos fãs antigos da banda, o lado funk é sensivelmente melhor.
Split Enz - Dizrythmia * * * * *
A banda neo-zelandesa que revelaria os irmãos Neil e Tim Finn para o mundo lançou vários discos de antologia, entre eles este impecável e estimulante disco de 1977.
Status Quo - Rockin' All Over the World * * * *
A banda que atravessou os anos 70 fazendo discos bem bacanas nos entrega mais um, que pode até ser considerado um dos cinco melhores de sua carreira. Em quinto, vá lá, já que não tem como ficar na frente de Hello (1973), Quo (1974), On the Level (1975) e o melhor de todos, Blue For You (1976).
Steely Dan - Aja * * * *
É curioso como este disco é sempre tido como o supra-sumo da música do SD. Vira e mexe aparece como um dos melhores discos dos anos 70. É um grande disco, mas a banda de Donald Fagen e Walter Becker fez pelo menos três discos melhores que este: Can't Buy a Thrill (1972), Pretzel Logic (1974) e Royal Scam (1976).
Steve Hillage - Motivation Radio * * * * *
Terceiro disco solo do ex-guitarrista do Gong e do Khan, é também o seu melhor, superando o progressivo ortodoxo, e muito bem feito, de Fish Rising (1975) e a agradável indecisão criativa de L (1976).
The Steve Miller Band - Book of Dreams * * * *
Mais fraco que Fly Like an Eagle (1976) ou The Joker (1973), ainda assim é mais uma prova do talento de Miller para fazer discos deliciosos sem que sua técnica prevaleça sobre as melodias.
Steve Winwood - Steve Winwood * * * *
Primeiro e inspirado disco solo de Winwood, com sua voz negra e aguda soando com toda a limpidez que lhe é característica.
The Stranglers - No More Heroes * * * * 1/2
Lançado poucos meses depois de Rattus Norvegicus, este disco sublime consegue ir além da estréia da banda, colocando-os sob os holofotes da recente onda punk-rock que assolou a Inglaterra
Suicide - Suicide * * * * *
Alan Vega e Martin Rev revolucionaram o punk e o synth pop que estava surgindo com o Kraftwerk, abrindo caminho para coisas pesadas que viriam em seguida. O primeiro e sensacional disco do Soft Cell pode ser considerado um dos maiores herdeiros desta pérola.
Talking Heads - 77' * * * * *
Primeiro e excepcional disco de uma das bandas mais importantes do cenário pós-punk/new wave que surgia com força a partir de Nova York.
Television - Marquee Moon * * * * *
Um dos clássicos dos anos 70. A guitarra de Verlaine ficaria para sempre marcada no mundo da música pop. Tem um pouco de progressivo, um pouco de glam rock, de punk, e muito de Velvet Underground. Isso dito, não tem na verdade nada do que foi citado, pois tudo junto dá numa das coisas mais originais que pudemos ouvir depois de... er... Velvet Underground.
Throbbing Gristle - Second Annual Report * * * * 1/2
Assim é que se faz música experimental.
Tim Maia - Tim Maia * * * *
Entre altos e baixos, qualquer disco de Tim Maia nos anos 70 tem que entrar em qualquer lista deste tipo. Esse de 1977, lançado na época pela Som Livre, traduz com precisão o porquê do cantor ser considerado um dos maiores de todos os tempos.
União Black - União Black * * * * 1/2
Funk à brasileira. Um dos discos essenciais da black music nacional, que não teve a projeção que merecia.
Uriah Heep - Firefly * * * *
+ Uriah Heep - Innocent Victim * * * *
De uma fase subestimada da banda, estes dois discos com John Lawton no vocal são melhores que os três anteriores, com David Byron. Difícil é o fã que tem disposição para descobrir isso.
Utopia - Ra * * * *
+ Utopia - Oops! Wrong Planet * * * *
Dois discos da banda montada em 1974 por Todd Rundgren, que não lançou disco solo em 1977. Como sempre, o ecletismo é a marca do sujeito. Ra tende para o progressivo, e Oops vai mais para o lado do pop, encerrando com um dos maiores sucessos da carreira de Todd, a balada "Love is the Answer".
Van der Graaf - The Quiet Zone / The Pleasure Dome * * * *
Não faz mal que é o disco mais fraco do VdGG (menos o segundo G, de Generator) junto de World Music (1976). Nele você pode ouvir algumas das faixas mais inspiradas do prog na segunda metade da década de 70, como "Cat's Eye", "Lizard Play" e "The Wave".
Wire - Pink Flag * * * * 1/2
Outro dia esbarrei em um debate na internet sobre qual é melhor, este ou o segundo, Chairs Missing (1978). Sinceramente, eu também não sei, pois cada vez que escuto os dois discos saio com um como superior ao outro, e isso sempre muda. O que importa é que a banda é excelente, e ainda tem um terceiro disco bacana, 154 (1979)
Yes - Going for the One * * * *
É o disco que marca a volta de Rick Wakeman. Continua na onda do progressivo total e barulhento inaugurado com o espetacular - e superior - Relayer (1974).
Limados no último corte:
Belchior - Coração Selvagem
Egberto Gismonti - Carmo
Francis Hime - Passaredo
Gryphon - Treason
Hawkwind - Quark Strangeness and Charm
Illusion - Out of the Mist
Jan Akkerman - Jan Akkerman
Judas Priest - Sin After Sin
Klaatu - Hope
Egberto Gismonti - Carmo
Francis Hime - Passaredo
Gryphon - Treason
Hawkwind - Quark Strangeness and Charm
Illusion - Out of the Mist
Jan Akkerman - Jan Akkerman
Judas Priest - Sin After Sin
Klaatu - Hope
Premiata Forneria Marconi - Jet Lag
----------------------------------------
Próximo ano: 1983
domingo, fevereiro 22, 2009


Em homenagem a O Lutador, belo filme "de" Mickey Rourke, atualizo este blog esquecido com as cotações de uma banda germânica clássica, que influenciou nove entre dez bandas de power metal dos anos 90 (Bling Guardian, Stratovarius, Rage, Morgana Lefay...): ACCEPT.
Accept (1979) * * * *
Começo cru, mas com melodias interessantes. Algumas composições são bem inspiradas. É como meu irmão disse há pouco: "quem iria apostar que uma banda com um front man desses (Udo) iria vingar?"
I'm a Rebel (1980) * * *
A maior força deste álbum é ser esquisito. Curiosamente e apaixonadamente esquisito. Metal com backing vocals punks, muito antes do estouro do crossover de meados da década de 80, é o que se pode ouvir na faixa título. Disco music é o que se pode ouvir em "I Wanna be no Hero".
Breaker (1981) * * *
Cada vez mais perto da sonoridade que iria marcar a banda e influenciaria quased todo o metal tradicional europeu daí em diante. Um Judas Priest vitaminado, mas ainda sem a força que teria nos discos seguintes.
Restless and Wild (1982) * * * * *
O clássico da banda. Nunca mais repetiram o feito. Aqui, nascia o power metal, em faixas como "Fast as a Shark" e "Ahead of the Pack". Ao mesmo tempo, a inspiração melódica e semi-épica de faixas como "Demon's Night", "Neon Nights" e "Princess of the Dawn" é inesquecível.
Balls to the Wall (1983) * * * *
Seguindo no caminho trilhado com perfeição no disco anterior, mas já dando sinais de um comercialismo preocupante (vide "Love Child"). As melhores são as duas primeiras, "Balls to the Wall" e "London Leatherboys", e a última, "Winter Dreams".
Metal Heart (1985) * *
Algumas faixas muito boas convivem com constrangimentos como "Living for Tonite". Extrapolaram na vontade de vender, desta vez, e fizeram um disco em que nada é de metal, muito menos o coração.
Kaizoku-ban (1985) * *
Mini-LP ao vivo, com a turnê de Metal Heart. Algumas faixas tem versões mais pesadas, mesmo assim o disco não convence.
Russian Roulette (1986) * * *
Mais pesado, mais inspirado, menos orientado para as FMs. Não uma volta ao passado, mas uma redirecionada de caminhos. Disco indeciso de certa forma, mas com momentos bem marcantes.
Eat the Heat (1989) * *
Como se adequar aos novos tempos? Eles só descobririam na década seguinte. Ainda assim, alguns momentos, como é de praxe em discos do Accept.
Staying a Life (1990) * * *
Um duplo ao vivo para satisfazer os que só encontravam registros decentes da banda no palco em produtos piratas.
Objection Overruled (1992) * * *
Qualquer objeção a este disco deve ser negada, pois é o melhor que eles lançaram desde Balls to the Wall. Quase uma volta definitiva à excelente forma do biênio 82/83.
Death Row (1994) * *
Estranhei demais este disco na única vez que o escutei. Nunca voltei a ele, infelizmente. Devo voltar por estes dias.
Predator (1996) * * *
O peso alcançado. A maneira de se adequar a novos tempos encarada com firmeza. Não vingou, mas é um disco bem digno.
All Areas - Worldwide (1997)
Ao vivo de despedida. Nunca o escutei. Nunca é tarde, e como no caso de Death Row, merecerá um update assim que for decifrado.
quarta-feira, dezembro 24, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
Tava reouvindo alguns discos da banda inglesa XTC. Impressionante como depois de acertar o prumo com Drums and Wires e Black Sea eles entraram em um período de indefinições e melodias estranhas - justamente a época do colapso nervoso de Andy Partridge, que quis sozinho imitar os Beatles e não fazer mais shows. Lançaram três discos irregulares, English Settlement, Mummer (um dos momentos mais fracos da carreira da banda) e The Big Express, um sinal de que a coisa estava já bem melhor.Em seguida, embarcaram nas gravações da obra-prima Skylarking, com produção do mago Todd Rundgren. Daí em diante só voltariam a fazer um disco que não fosse excelente em 2000, quando lançaram Wasp Star.
White Music (1978) * *
Go 2 (1978) * *
Drums and Wires (1979) * * * *
Black Sea (1980) * * * *
English Settlement (1982) * * *
Mummer (1983) * *
The Big Express (1984) * * *
Skylarking (1986) * * * * *
Oranges and Lemons (1989) * * * *
Nonsuch (1992) * * * *
Apple Venus Pt 1 (1999) * * * * *
Wasp Star (Apple Venus Pt 2) (2000) * * *
obs: ficaram de fora desta lista de cotações o projeto The Dukes of Stratosfear, que rendeu um EP e um LP entre 1984 e 1985 (ambos bem legais) e a coletânea de raridades Homegrown, que é bem interessante.
terça-feira, novembro 04, 2008

Ode ao Heavy Metal:
Não foi o primeiro álbum de metal que eu tive. Foi o quarto, se não me engano. Ou o primeiro, se levarmos em conta que Deep Purple e AC/DC não são metal. O fato é que British Steel, do Judas Priest, mudou minha vida em 1981.
Aquele foi o ano em que deixei de ouvir Queen, Rolling Stones e Beatles para buscar coisas mais pesadas. O ano da descoberta dos básicos do Rock pesado, um ano antes de quando vendi o Jazz, uma das obras-primas do Queen, com poster e tudo, por uma bagatela, para ir à Woodstock, que na época ficava na Rua José Bonifácio, comprar Scorpions (Blackout).
Foi assim, com os básicos do Heavy Rock, que segui vivendo feliz e pseudo-rebelde até o comecinho de 1985, quando a Globo criou a definição metaleiro e vários adolescentes descobriram que era legal curtir o estilo e deixar o cabelo crescer. Era a hora de radicalizar. Troquei meus discos do Saxon, Judas e Scorpions por coisas mais agressivas como Metallica, Anthrax e Destruction. Andava pelos corredores do Firmino de Proença - onde fiz todo o segundo grau - amaldiçoando fãs de Kiss, Aerosmith e outras coisinhas leves.
Nessa mesma época, fui com um vizinho e meu irmão ao Rock Show, um cinema que só passava shows de rock e que deve ter fechado pouco depois. Lembro que vimos uma turnê do Venom (do terceiro disco, At War With Satan), e voltamos para casa tarde da noite, descendo a rua abraçados e batendo o pé, cantando num uníssono embriagado não de bebida, mas de genuína felicidade: "countess... bathory" - uma das faixas do Black Metal, segundo álbum do Venom, e de onde saiu o nome de uma banda sueca (se não me engano) chamada Bathory (cujos dois primeiros discos eu achava antológicos na época - nunca mais os escutei).
Claro que essa fase não resistiu até o verão seguinte, quando caí de cabeça no tecno pop e no new romantic e passei a usar tênis iate e calças de popelina (lembram da Ron Jon?). Comecei a ouvir 14 Bis e pirei com o terceiro disco dos caras, Espelho das Águas.
Depois veio a fase progressivo, que consumiu vários anos da minha vida. Durante essa fase progressiva, descobri muitas coisas boas que não tinham nada a ver com progressivo, e que me deixaram com gosto musical bem eclético, exceto por não querer mais saber de metal (realmente, a Globo na época enchia o saco com aquele lance de metaleiros). Admirei as bandas grunge, mas nunca as comparei com o metal que eu adorava anos antes. Preferia voltar a Velvet Underground e Joy Division (mas Doors nunca fez minha cabeça)
Voltei a curtir metal como um doido quando comecei a trabalhar na Nuvem Nove, a loja de Cds e Lps do meu amigo José, em 1997. Nessa época vários discos raros começaram a sair em CD na Europa, e a paridade do real com o dolar permitia que eu tivesse todos eles, e relembrasse as audições em fitas sujas gravadas na galeria do Rock (Forged In Fire, do Anvil; The Natives are Restless, do Hawaii; Infernal Overkill, do Destruction; Fire in the Brain, do Oz, e tantos outros).
Em 2000, montei minha própria loja, e o que mais me satisfazia não era vender vários discos para um descolado qualquer que saísse vibrando com coleções quase completas do Pavement ou do Yo La Tengo (bandas boas, por sinal), mas um desconto caprichado para um morador de periferia que quisesse ter em sua coleção o primeiro Piledriver (Metal Inquisition = clássico), ou o primeiro do Metal Church, ou do Avenger alemão (que depois virou Rage). Era a felicidade desses fãs humildes que me emocionava. Era para eles que eu queria vender. Eles lembravam minha adolescência, quando um disco comprado era motivo para a maior felicidade do mundo, e quando eu lembrava onde e quando tinha comprado cada vinil de minha coleção.
De lá para cá, nunca mais deixei de escutar discos do estilo, pela energia que provocam, pela felicidade meio adolescente que fazem surgir mesmo nos dias mais tristes, pela fúria que jorra dos sulcos. Mas nunca mais tive o prazer de comprar um vinil desses, prazer que as facilidades do MP3 não traz de volta.
O que quero dizer com este post muito pessoal? Não sei. Só sei que em alguns dias a melhor coisa para se escutar é um bom e virulento disco do Slayer, por exemplo. Cura até gripe chata.
sábado, setembro 13, 2008
Ao contrário do que muita gente diz, o melhor da música nos anos 1970 está no pop descartável, não no punk-rock, no metal, ou no rock progressivo. Ouça os quatro discos do Pilot é você vai ter uma idéia do que estou falando. Acima estão os melhores: Morin Heights (1976), o terceiro, que contém o hit "Canada", que fez com que muita gente até hoje ache que a banda é canadense; e Two's a Crowd (1977), o quarto, e a obra-prima da banda. No All Music Guide diz que esse disco é brilhante mas não teve nenhum hit. Mas pelo menos no Brasil a faixa de abertura fez muito sucesso. Chama-se "Get Up and Go", e é uma entrada perfeita em um mundo de melodias abusadamente tolas, mas delirantemente irresistíveis.
-------------------------------------
Aqui http://www.youtube.com/watch?v=GDru_0QyMgA&feature=related um clip do primeiro disco deles.
-------------------------------------
From the Album of the Same Name (1974) * * * *
Second Flight (1975) * * *
Morin Heights (1976) * * * *
Two's a Crowd (1977) * * * * *
terça-feira, setembro 02, 2008
Lucifer Was, banda norueguesa que fazia um hard-prog no início dos anos 70, saiu de circulação, e voltou em 1997 com uma regravação de material antigo para um disco de estréia chamado Underground and Beyond. O disco não é grande coisa, mas tem ao menos duas grandes (digo, grandes mesmo) faixas: "Fandango" e "Out of the Blue".Muito melhor é o disco seguinte, cheio de material inédito e de um ecletismo quase suicida. In Anadi's Bower, de 2000, lembra Trouble, Candlemass, Jethro Tull, Kinks (em umas duas ou três faixas) e Manic Street Preachers (em uma faixa chamada "Ship on the Ocean"). Tamanha salada sonora não tinha muito como emplacar no restrito e pedante mercado do rock progressivo (que é onde eles, inevitavelmente, foram se inserir), mas até que fez certo barulho na época. Os discos seguintes não repetem a beleza de In Anadi's Bower, mas têm seus momentos. Ao menos Blues From Hellah, de 2004. O último, The Divine Tree (2007), é sensivelmente mais fraco, principalmente porque é comum.
Se você for do tipo que só baixa músicas, nunca um disco, escolha as seguintes, todas do segundo disco, In Anadi's Bower: "Behind Black Rider", "Darkness" e "Little Child", além da faixa título e das duas do primeiro disco citadas acima.
P.S. tentei reescutar o Screamadelica, do Primal Scream, e realmente não dá. Deve ser um dos discos mais superestimados da história. Pseudo-psicodelismo revestido de exotismo de maconheiro. Um porre. A banda é muito melhor em Xtrmntr (a obra-prima deles) e Evil Heat. Em Vanishing Point também, claro.
quinta-feira, agosto 28, 2008
(atendendo a pedidos) -----------------
cotações Rolling Stones:
---------------------------------------
The Rolling Stones (1964) * * *
The Rolling Stones Nº 2 (1965) * * * *
The Rolling Stones Now (1965) * * *
Out of Our Heads (1965) * * *
December's Children (1965) * * * *
Aftermath (1966) * * * * *
Got Live if You Want it (1966) * * *
Between the Buttons (foto) (1967) * * * * *
Flowers (1967) * * * * *
Their Satanic Majestie's Request (1967) * * * *
Beggar's Banquet (1968) * * * * *
Let it Bleed (1969) * * * *
Get Yer Ya Ya's Out (1970) * * * *
Sticky Fingers (1971) * * * * *
Exile on Main Street (1972) * * *
Goat's Head Soup (1973) * * *
It's Only Rock 'n' Roll (1974) * *
Black and Blue (1976) * * * *
Love You Live (1977) * *
Some Girls (1978) * * * * *
Emotional Rescue (1980) * * * *
Tattoo You (1981) * * * * *
Still Life (1982) * * * *
Undercover (1983) *
Dirty Work (1986) *
Steel Wheels (1989) * *
Flashpoint (1991) * *
Voodoo Lounge (1994) * *
Striped (1995) * *
Bridges to Babylon (1997) * * *
No Security (1998) * *
Love Licks (2004) * * *
A Bigger Bang (2005) * * *
--------------------------------------
obs: decidi manter algumas coletâneas dos anos 60 por terem músicas lançadas apenas em compactos, ou em edições para mercados específicos. São quase consideradas discos de carreira por isso.
obs-2: Let it Bleed e Emotional Rescue ficam sempre muito perto de ganhar a quinta estrela.
obs-3: Sim, é uma grande banda que perdeu o caminho no começo da década de 80.
sábado, agosto 16, 2008
"I'll show you where the white lillies growOn the banks of Italy
I'll show you where the white fishes swim
At the bottom of the sea"
O baixo, a levada agradável, a voz mágica de Maddy Prior...
"Demon Lover", sexta faixa do disco Commoner's Crown (1975), da banda Steeleye Span. É uma canção tradicional, como várias outras que o grupo interpretou. Se essa versão deles, essa pequena grande sexta faixa desse disco (de que, aliás, já gostei mais um dia - monstrou-se irregular nesta nova reaudição) tido como dos melhores do folk britânico, deve ser o pedaço de música pop mais bonito que eu já ouvi.
É para ouvir no mínimo dez vezes, como estou fazendo agora. Não há horário de trabalho que resista a coisa tão bela.
Depois vale colocar na segunda, "Bach Goes to Limerick", maravilha de instrumental.
terça-feira, agosto 12, 2008
Falando em NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), há uma distância entre um extremo e outro que daria para contornar todo o mapa do metal mundial. Do Quartz ao Atomkraft, por exemplo, dá para vislumbrar várias das tendências que dominaram o gênero nos anos 80. Costumo dizer que tirando algumas exceções, a maioria dos discos da NWOBHM conjugam o melhor e o pior do rock, muitas vezes dentro até de uma mesma faixa.No caso do Quartz isso fica mais evidente. Reouvi Stand Up and Fight (1980), e a impressão era a de ouvir um best of e um worst of ao mesmo tempo. Metal classicista, melódico, com muita influência dos anos 70, mas já buscando uma sonoridade oitentista (nos melhores momentos), e com o vocal de Mike Taylor soando parecido demais com o de Kevin DuBrow (do Quiet Riot), o que não é nada bom.
Atomkraft era da turma do Venom, e lembro também de alguma conexão com o Motorhead (mas não lembro qual). É considerado NWOBHM na BNR, mas é power metal, com quase ausência total de melodia, e muita fúria nas guitarras. Seu álbum de estréia, Future Warriors (1985), é bem coeso, mas não chega a empolgar como quando eu o escutava na época. Num canal a guitarra endiabrada, voando feito louca. No outro, a batida pontual e o baixo funcional. Era um power trio, mas o som era de quarteto (ao contrário do Venom, eles gravavam guitarras sobrepostas, falseando o que era para ser a sonoridade de um trio).
Discos de NWOBHM que não vingaram nas paradas, mas são fantásticos de cabo a rabo se contam nos dedos: Satan (Court in the Act), Blitzkrieg (A Time of Changes), Vardis (Quo Vardis), Raven (Rock Until You Drop)... e mais uns dois ou três que eu esteja esquecendo. O restante estourou como Saxon, Iron Maiden, Judas Priest, ou teve seus momentos, como Blind Fury, Nightwing, Girl e tantas outras bandas simpáticas.
sábado, agosto 09, 2008
Taxi de emergência para o Metrô. 8 minutos apenas. Entrei tava tocando a introdução de Joe's Garage, uma das obras-primas do Zappa ("this is the central scruuuuuutinizer..."). Emenda com "You Don't Remember, I'll Never Forget", uma das poucas coisas realmente boas de Yngwie Malmsteen (LP Trilogy), com o taxista empolgado, batucando no volante ao ritmo da música. Aí percebo que o cara é gigante, e tem um monte de tatuagens de caveira no braço. Pensei, deve vir mais metal em seguida. Que nada. "Kiss on My List", dos geniais Daryl Hall & John Oates.
segunda-feira, agosto 04, 2008
Um paralelo nada óbvio, mas impressionante. Tava ouvindo o compacto que Ney Matogrosso fez com Fagner em 1975, uma obra-prima. Foi inevitável pensar que a decadência da MPB é a maior decadência que eu já vi em qualquer forma artística. O que foi, e o que é hoje, quando Maria Rita é saudada como genial e um monte de outras cantoras que cantam quase igual surgem a cada mês com um repertório de fazer vergonha ao passado de nossas canções (salvo raras exceções).Aí penso no pop mais descartável feito para o mercado americano (seja nos EUA mesmo ou na Inglaterra), e percebo o quanto esse pop descartável se manteve digno de interesse. Um exemplo é Britney Spears, que após dois discos bem simpáticos, partiu para uma redefinição de si mesma, e de uma confrontação com os limites de sua estatura pop no terceiro e excelente Britney, de 2001, com a espetacular "Overprotected". No quarto, o In The Zone que ilustra este post, o mega-hit "Toxic", canção capaz de pulverizar nossos auto-falantes. Esse disco é uma consolidação do que ela ensaiava brilhantemente em Britney.
Em 2007, gorduchinha e vulgarizada, lança o impressionante Blackout, seu disco mais redondo (sem trocadilhos) até então. Tão redondo que nem sei quais canções destacar. Precisaria ouvir novamente. Também é o que tem menos momentos baixos, pelo mesmo motivo.
Agradecimentos aos novos e queridos amigos. Um me presenteou com boa parte do que escutei ontem e hoje, outra ofereceu o local para que Blackout ecoasse poderoso.
domingo, junho 29, 2008
Uma das minhas bandas favoritas do selo 4AD é o Dead Can Dance. Na verdade, é um duo australiano formado por Brendan Perry e Lisa Gerrard. Os que valem são os três primeiros, começando com o homônimo (1984), ainda pós-punk, mas já com algumas sacadas climáticas, meio progressivas, e uma levada jazz deliciosa em "East of Eden". A transição foi com o sensacional Spleen and Ideal (1985), muito mais carregado do clima soturno, já mais próximo de um progressivo oitentista (que teria, do outro lado da moeda, o Depeche Mode de Black Celebration). Encerrando a trinca genial com esse aí da foto, o terceiro Within the Realm of a Dying Sun (1987), que abre com a melhor faixa de toda a carreira do duo, mesmo quando separados: "Anywhere Out of the World".segunda-feira, abril 21, 2008

-------------------------
Roberto Carlos 1973
* * * *
É injusto comparar com os dois discos anteriores, das maiores obras-primas que o rei compôs. RC73 pode ser considerado um álbum de procura por novos caminhos. O medalhão que ele ostenta na contra-capa, e que pode ser visto em todos os discos seguintes até 1981 (com a exceção de RC1979 e RC 1980) talvez seja uma indicação dessa busca. Aqui começa também a parceria com uma das maiores compositoras que já tivemos, Isolda (que compunha junto de seu irmão, Milton Carlos). A faixa é "Amigos, Amigos", que é um pequeno sinal do que viria a seguir. As melhores do disco, no entanto, são "A Cigana", "Palavras", "Atitudes" (de Getúlio Cortes), "Proposta", "O Moço Velho" (de Sílvio Cesar), "O Homem" e "Rotina".
------------------------
Roberto Carlos 1974 (foto de baixo)
* * * * *
Não só a obra-prima da fase medalhão, como um dos melhores discos do Rei. Já começa com a belíssima "Despedida", com um ar melancólico difícil de descrever. É o disco que tem "O Portão", uma das canções mais belas da história da música popular, tanto pela letra, de uma poesia inimaginável, como pela melodia e pelo arranjo que não tem medo de flertar com o brega e até com o progressivo (o discreto moog que apita de vez em quando). Há ainda a inacreditável "A Estação", que retoma o padrão das músicas fortes de traumas iniciado com "Traumas" (em RC71) e que atingiu o pico em "Por Amor" e "O Divã" (ambas de RC 72). Quem ainda acha pouco, pode ouvir "Jogo de Damas", a melhor composição de Isolda e Milton Carlos (e uma das maiores canções já feitas) com uma interpretação de fazer chorar do Rei. Só essas quatro já serviriam para colocar o disco entre os melhores já lançados na Terra. Mas ainda tem "Eu Quero Apenas", "Resumo" (de Mário Marcos e Eunice Barbosa), "A Deusa da Minha Rua" (de Newton Teixeira e Jorge Faraj) e "Você". Realmente, um disco fora de série.
------------------------
Roberto Carlos 1975
* * * *
Um disco bem esquisito, talvez o mais fraco do período áureo (1967-1977). Mas conquista aos poucos. Depois da obra-prima anterior, afinal, poucos discos não iriam decepcionar. A faixa de Isolda e Milton Carlos (que já tinham se tornado habituées dos discos do Rei) é a belíssima "Elas Por Elas", que é mais fraca que "Jogo de Damas" (de RC74), mas quase todas as canções são. A mais estranha é "El Humahuaqueño" (de Zaldivar), que é bem divertida e bacana. As melhores são "O Quintal do Vizinho", "Olha" e "Mucuripe", a bela versão para a música de Fagner e Belchior.
------------------------
Roberto Carlos 1976
* * * *
Talvez seja o terceiro melhor da fase medalhão, RC76 é um disco mais roqueiro, tanto pela ótima faixa de abertura, "Ilegal, Imoral ou Engorda", como por "Minha Tia", deliciosa homenagem a um parente distante e a um tempo que se foi. A genial Isolda contribui com duas canções fantásticas: "Um Jeito Estúpido de Te Amar", de uma sensibilidade única, e "Pelo Avesso", que consegue ser ainda melhor, quase chegando perto da maior de todas "Jogo de Damas" (de RC74). Mas perdoem essa minha mania de hierarquizar tudo. RC76 é um disco tão gostoso de se ouvir que quase dá vontade de considerá-lo uma outra obra-prima, esquecendo das duas ou três faixas que só cumprem o papel de encher o LP. Ah, esqueci de dizer que o disco ainda tem "Os Botões" e "O Progresso".
------------------------
Roberto Carlos 1977 (foto de cima)
* * * * *
Segundo melhor disco da fase medalhão, e uma coletânea involuntátia, já que todas as canções fizeram sucesso na época. É um disco tão redondo que estabeleceria uma nova fórmula, derivada da anterior, mas ainda mais formatada e seguida à risca nos discos seguintes. A abertura animada de "Amigo" é a faixa mais fraca do disco, e por aí já dá pra medir o quão bom ele é. Minha preferida, se eu só puder escolher uma, é "Sinto Muito Minha Amiga", que tem uma frase que carregarei até o final da minha vida: "saber quem é culpado não resolve nossa vida", dita pela voz sentida e sofrida do Rei. Isolda contribui com a maravilhosa "Outra Vez", homenagem ao irmão falecido em acidente de carro. E o disco ainda tem a erótica e genial "Cavalgada", em que "estrelas mudam de lugar e chegam mais perto só pra ver". Outras que se destacam em um disco todo destacado são "Nosso Amor (de Mauro Motta e Eduardo Ribeiro), "Falando Sério" (de Maurício Duboc e Carlos Colla), "Não Se Esqueça de Mim", "Jovens Tardes de Domingo" e "Muito Romântico" (de Caetano Veloso).
------------------------
Roberto Carlos 1978
* * *
A fórmula aperfeiçoada no disco anterior começa a dar sinais de cansaço. tanto pela música de abertura ser a mais fraca em muitos anos, como pela irregularidade geral da coleção. É, ainda assim, um disco de momentos geniais. As melhores são "Lady Laura", "Vivendo por Viver" (de Marcio Greyck), "Música Suave", "Café da Manhã", "Tente Esquecer" (de Isolda) e "Todos os Meus Rumos" (de Fred Jorge), sendo que a primeira e a última citadas estão entre os grandes momentos de sua carreira.
------------------------
Roberto Carlos 1979
* * *
A fórmula continua, ainda com sinais de cansaço, mas desta vez a abertura é fenomemal: "Na Paz do Seu Sorriso", que é do nível de "Lady Laura" e "Todos os Meus Rumos", do disco anterior. Uma outra canção se iguala a essas, "Meu Querido Meu Velho Meu Amigo". Outras faixas que merecem destaque, ainda que estejam degraus abaixo, são "Abandono" (de Ivan Lancellotti), "Desabafo" e "Me Conte Sua História" (de Maurício Duboc e Carlos Colla).
------------------------
Roberto Carlos 1980
* *
Descendo a ladeira. É o disco mais fraco do rei desde sua estréia renegada. As únicas canções que não fariam feio no disco de 1977 são "Guerra dos Meninos", "Amante à Moda Antiga", e com certo jeitinho "Procura-se" (de Roberto e Ronaldo Bôscoli).
------------------------
Roberto Carlos 1981
* * * *
"As Baleias" é melhor do que qualquer música do disco anterior. Mas este encerramento da fase medalhão ainda nos reserva "Cama e Mesa", "Emoções", "Tudo Pára" e "Ele Está Pra Chegar", provando que a dupla de sempre está novamente inspirada. A fórmula ainda é a mesma, mas por uma arejada nos arranjos ela até parece um pouco modificada. É o melhor disco desde RC77.
----------------------------
obs: (Todas as faixas mencionadas foram compostas por Roberto e Erasmo Carlos, exceto quando incidado)
sábado, abril 05, 2008

O inglês Rod Temperton é um grande compositor injustiçado. Não bastasse ser o compositor de "Rock With You", "Off the Wall" e "Thriller", de Michael Jambers, Temperton é o homem por trás dos hist do Heatwave, banda de americanos que tomaram-no como uma espécie de mentor, sem que ele fosse conhecido. Mais tarde, Quincy Jones o incorporou a seu staff, e por isso ele compôs algumas faixas para Jambers. Muitos dizem que Jones o desprezava por achá-lo gênio e ameaçador demais... é, pode ser.
Os dois primeiros discos do Heatwave - Too Hot to Handle (1976) e Central Heating (1977) - têm funks chacoalhantes da melhor espécie. Esse da foto é o terceiro, Hot Property (1978), meu favorito de hoje (os outros dois também foram favoritos várias vezes). Depois, Temperton compôs menos para eles, mas ainda fizeram um belo quarto disco, Candles (1980), e um quinto que eu mal lembro como é, Current (1982).
Se quiser conhecer algumas faixas para começar, tente achar "Boogie Nights", "Razzle Dazzle", "Eyeballin'", "Central Heating", "Groove Line" e "Super Soul Sister", nessa ordem. Se até o minuto final de "Razzle Dazzle" você não estiver dançando, sinal de alerta. Se até a sexta faixa você não tiver sido conquistado, tente outro dia - você acordou com o pé esquerdo.
segunda-feira, março 17, 2008

Quem me conhece sabe que eu sou chegado num heavy metal. Também deve conhecer minha pequena e simplória teoria de que alguém só pode gostar de heavy metal depois de 22 anos se já gostava antes. Quem nunca curtiu metal na adolescência pode esquecer. No máximo vai gostar de alguns desses metais alternativos endeusados pela crítica, ou que fundem o estilo a outros, como industrial, doom ou música erudita.
O caso do Therion é mais ou menos esse. Muitos consideram Doom Metal, por causa das passagens climáticas. Mas é uma espécie de metal erudito, ou, como já li em algum site europeu, "operistic metal". É uma baita banda, que para mim se aproxima de um rock progressivo de tintas sombrias e pesadas. Um King Crimson escandinavo e mais chegado num coral litúrgico. Deggial (foto), de 2000, talvez seja o melhor momento da banda em disco. Mas Theli (1996) e Vovin (1998) não podem ser esquecidos. Ainda não ouvi os dois últimos discos deles, mas isso será corrigido em breve.
Ah, na adolescência eu tive uma fase heavy metal, de andar por aí com jaqueta cheia de patches de bandas, camiseta preta com caveiras e calças de jeans com tenis brancos. Meu patch do Powerslave, disco clássico do Iron Maiden fez sucesso no colégio em 1985. Essa fase não durou mais que dois anos, mas foi marcante, e até hoje me faz escutar o estilo com um sorriso nostálgico.
Discografia da banda em: http://www.bnrmetal.com/v2/bandpage.php?ID=Ther
sábado, março 15, 2008

Acima estão os dois melhores discos de Peter Gabriel. O de cima é o terceiro, de 1980, intitulado Peter Gabriel (também chamado de Peter Gabriel 3), e é geralmente tido como sua obra-prima. O de baixo é o meu preferido, Peter Gabriel (também chamado de Peter Gabriel IV), de 1982, que nos EUA foi chamado de Security.
O ótimo Stephen Thomas Erlewine, editor do All Music Guide, vai com a maioria, e acha que com o IV ele deu uma guinada em direção ao pop. Pois eu acho que essa guinada para o pop se deu desde seu último disco com o Genesis, o belo álbum duplo e conceitual chamado The Lamb Lies Down on Broadway (1974), que poderia muito bem se chamar Papai Maurice Ravel nos Mostrou o Caminho (e aqui eu brinco com a influência do músico francês e com o personagem retratado no disco, o portoriquenho Rael. Talvez esse IV seja o menos pop da carreira de Gabriel desde então. Cheio de sutilezas e texturas, explorando percussão e efeitos eletrônicos, com melodias se escondendo sob arranjos intrincados e geniais. Um discaço pra ninguém botar defeito. É sua verdadeira obra-prima, com composições sensacionais como "I Have the Touch", "The Family and the Fishing Net", Lay Your hands on Me", "Wallflower" e "Kiss of Life". O terceiro também seria, não fosse a faixa "Biko", que eu nunca tive a oportunidade de enjoar, pois nunca a admirei. Mas tem "I Don't Remeber", "Games Without Frontier", "Intruder" e "And Through the Wire".
Depois de So (1986) começa uma vagarosa e marcante decadência, culminando com o equívoco completo que foi Up (2002), disco que tenta, sem sucesso, acompanhar a linha evolutiva da música pop. Mas não se enganem, Peter Gabriel já foi dos maiores compositores que a música pop teve, com e sem o Genesis.
sexta-feira, março 07, 2008

Formada em 1979 por Geoff Downes e Trevor Horn, The Buggles ficou conhecida especialmente pelo hit "Video Killed the Radio Star", que saiu em compacto no final de 1979 e pouco depois seria o primeiro videoclipe veiculado pela nascente MTV americana. O primeiro disco deles, The Age of Plastic (1980) foi muito elogiado, e considerado uma das melhores coisas a surgir do questionamento tecnológico que se iniciou na virada dos 70s para os 80s. Confesso que acho o segundo disco deles, Adventures in Modern Recording (1981, lançado nos EUA no ano seguinte - foto do alto), tão bom ou igual à estréia. Pelo menos três faixas me fazem pensar isso: "Vermillion Sands", uma das mais esquizofrênicas composições do mundo pop, "Inner City", faixa climática e bem bonita, e "I Am a Camera", versão buggle para "Into the Lens", composta por Downes e Horn e incluida no álbum Drama, do Yes (é o álbum que tinha Downes substituindo Rick Wakeman e Horn no lugar de Jon Anderson - muito bom, mas obviamente injustiçado pelos fãs do Yes). O negócio de Trevor Horn era ser produtor, e foi o que ele fez a seguir. Geoff Downes montou o Asia, com John Wetton, Carl Palmer e Steve Howe. Fizeram um belíssimo disco de estréia em 1982, mas os outros são, no máximo, razoáveis.quarta-feira, fevereiro 27, 2008


É incrível como o primeiro disco do Soft Cell - Non Stop Erotic Cabaret (fotos das capas do vinil) -, de 1981, é uma obra-prima histórica. Uma viagem pelos pulgueiros sexuais mais baratos, sórdidos e sujos; uma ode à perversão e à libidinagem. As letras de Marc Almond são do nível das melhores que Lou Reed já fez. E as melodias até hoje me impressionam. Lembro de ter dito isso a um amigo certa vez, e ele me ridicularizou. Achava um absurdo que tal disco fosse tão bom. Jogando verde alguns meses depois, citei novamente o disco, e ele concordou que era uma obra-prima. É impressonante que nunca tenha sido lançado em CD no Brasil, e até outro dia não existia nos EUA também. Uma das maiores obras dos anos 80, em toda arte pop. Desculpe a empolgação, mas o disco é realmente demais.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008

São dois discos de 1983. Fazia uns vinte anos que eu não ouvia The Romantics, banda que começou meio hard rock poser punk e virou new-romantic com tintas de AOR (Adult Oriented Music). Motivado pelas vinhetas da VH1, resolvi ouvir o disco deles do tal ano, In The Heat (depois da virada de estilo), para comprovar que a úncia música boa (e, no caso, muito boa) é a da vinheta: "Talking In Your Sleep". As restantes são um arremedo do pior que se fazia na época, algo entre um Visage com defeito e um Adam & the Ants sem 1% da genialidade. Uma pena. Aí o jeito foi passar para outro disco de 1983, o clássico Thriller, de Michael Jackson, que acabou de sair em versão comemorativa de 25 anos, cheia de bônus e outras frescuras mais (para obrigar o fã que já havia comprado a remasterizada definitiva que saiu anos atrás comprar de novo - haja falta de respeito). Não é tão bom quanto Off the Wall (1979), mas é um belo disco. Só "Billy Jean", "The Girl is Mine" e "Human Nature" bastam para justificar a fama do disco. Serviu também para reabilitar o estranho ano de 1983 (decadência da new-wave, da black music e do pós-punk, ano de entressafas no Heavy Metal e de indecisões no hip-hop e no tecno-pop.
atualização: Thriller, na verdade, foi lançado em 1982. Minha memória é da época do lançamento nacional, e com isso não fui verificar. Foi mal. Obrigado ao leitor João Carls, que me avisou.
domingo, fevereiro 10, 2008
Redescobrindo Adam and the Ants. Lançaram três belos discos entre 1979 e 1981. O melhor deles é esse aí da foto, Kings of the Wild Frontier (1980). É nele que está "Antmusic", um hino do pós-punk tribal, a meio caminho da new-romantic que eles imortalizariam no álbum seguinte, Prince Charming (1981), com o hit "Stand and Deliver". Junto do Duran Duran, foram a banda chave do início dos anos 80 na Inglaterra, mas infelizmente ainda são subestimados. Procurem também Friend or Foe (1982), o primeiro e sensacional solo de Adam Ant. O grande hit do disco é "Goody Two Shoes".----------------------------------------------
adendo: descobri agora que a música "Relax, Take it Easy", do Mika, é um plágio descarado de "(I Just) Died in Your Arms", do Cutting Crew. Como o plágio é melhor, chamemos de folk process.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Prestando tributo a uma das melhores revistas que existem, a inglesa MOJO
(mas como eles cairam no conto do Oasis, valha-me Deus)
100 Modern Classics: Greatest Albuns of Mojo Lifetime
1
Jeff Buckley
Grace
1994
2
Johnny Cash
American recordings
1994
3
Radiohead
OK computer
1997
4
Bob Dylan
Time out of mind
1997
5
Oasis
Definitely maybe
1994
6
Flaming lips
The soft bulletin
1999
7
Radiohead
Kid A
2000
8
White stripes
Elephant
2002
9
Nirvana
Unplugged in New York
1994
10
Beck
Odelay
1996
11
Nick Cave and the Bad seeds
The boatman's call
1997
12
Spiritualized
Ladies and gentlemen we are floating in space
1997
13
Nirvana
In utero
1993
14
Massive attack
Mezzanine
1998
15
Bob Dylan
Love and theft
2001
16
Radiohead
The bends
1995
17
Johnny Cash
American III : Solitary man
2000
18
Teenage fanclub
Grand prix
1995
19
DJ Shadow
Endtroducing
1996
20
Bonnie 'Prince' Billy
I see a darkness
1999
21
Tom Waits
Mule variations
1999
22
Outkast
Speakerboxxx/the love below
2003
23
Buena vista social club
Buena vista social club
1997
24
Elliott Smith
Either/Or
1997
25
PJ Harvey
Stories from the city, stories from the sea
2000
26
Wilco
Yankee hotel Foxtrot
2002
27
Air
Moon safari
1997
28
White stripes
White blood cells
2001
29
Madonna
Ray of light
1998
30
Mercury rev
The deserter's song
1998
31
Lucinda Williams
Car wheels on a gravel road
1998
32
Beck
Mutations
1998
33
Strokes
Is this it
2001
34
Solomon Burke
Don't give up on me
2002
35
Portishead
Dummy
1994
36
Flaming lips
Yoshimi battles the pink robots
2002
37
Brian Wilson
Smile
2004
38
Belle and Sebastian
If you're feeling sinister
1997
39
Pulp
Different class
1995
40
PJ Harvey
To bring you my love
1995
41
Elvis Costello and the Imposters
The delivery man
2004
42
Jimmy Page & Robert Plant
No quarter
1994
43
Antony & the Johnsons
I am a bird now
2005
44
Super furry animals
Rings around the world
2001
45
Kate Bush
Aerial
2005
46
Supergrass
In it for the money
1997
47
Queens of the Stone age
Rated R
2000
48
Bruce Springsteen
Devils & dust
2005
49
Gillian Welch
Time (the revelator)
2001
50
Blur
Blur
1996
51
Franz Ferdinand
Franz Ferdinand
2004
52
Ryan Adams
Heartbreaker
2000
53
Björk
Post
1995
54
Beastie boys
Ill communication
1994
55
Beta band
The 3 ep's
1998
56
Pavement
Crooked rain, crooked rain
1994
57
Libertines
Up the bracket
2002
58
R.E.M.
New adventures in hi-fi
1996
59
Magnetic fields
69 love songs
1999
60
Arcade fire
Funeral
2004
61
Oasis
(What's the story) Morning glory?
1995
62
Wu-Tang clan
Enter the Wu-Tang (36 chambers)
1993
63
Morrissey
Vauxhal and I
1994
64
Tortoise
Millions now living will never die
1996
65
Primal scream
Exterminator
2000
66
Neil Young
Sleeps with angels
1994
67
Lauryn Hill
The miseducation of Lauryn Hill
1998
68
Jon Spencer blues explosion
Orange
1994
69
Aimee Mann
Lost in space
2002
70
Sigur Rós
Agaetis byrjun
2000
71
Al Green
I can't stop
2003
72
Blur
Parklife
1994
73
Nick Cave and the Bad seeds
Abattoir blues/The lyre of Orpheus
2004
74
Norah Jones
Come away with me
2002
75
Verve
A Northern soul
1995
76
Bruce Springsteen
The ghost of Tom Joad
1995
77
Tricky
Maxinquaye
1995
78
Eminem
The Marshall Mathers lp
2000
79
Tinariwen
The radio Tsidas sessions
2002
80
Guided by voices
Bee thousand
1994
81
Manic street preachers
The holy bible
1994
82
Arctic monkeys
Whatever people say I am, that's what I'm not
2005
83
Prodigy
Music for the jilted generation
1994
84
U2
All that you can't leave behind
2000
85
Salif Keita
Moffou
2002
86
Paul Weller
Stanley road
1995
87
Jayhawks
Sound of lies
1997
88
R.L. Burnside
A ass pocket of whiskey
1996
89
Red hot chili peppers
Californication
1999
90
Maria McKee
Life is sweet
1996
91
Boards of Canada
Music has the right to children
1998
92
Manu Chao
Clandestino
1998
93
System of a Down
Toxicity
2001
94
Michael Head introducing the Strands
The magical world of the Strands
1998
95
Rufus Wainwright
Poses
2001
96
Underworld
Second toughest in the infants
1996
97
D'Angelo
Brown sugar
1995
98
Nine inch nails
The downward spiral
1994
99
Sizzla
Black woman & child
1997
100
Coldplay
A rush of blood to the head
2002
lista publicada na Mojo 150, Maio de 2006.
(mas como eles cairam no conto do Oasis, valha-me Deus)
100 Modern Classics: Greatest Albuns of Mojo Lifetime
1
Jeff Buckley
Grace
1994
2
Johnny Cash
American recordings
1994
3
Radiohead
OK computer
1997
4
Bob Dylan
Time out of mind
1997
5
Oasis
Definitely maybe
1994
6
Flaming lips
The soft bulletin
1999
7
Radiohead
Kid A
2000
8
White stripes
Elephant
2002
9
Nirvana
Unplugged in New York
1994
10
Beck
Odelay
1996
11
Nick Cave and the Bad seeds
The boatman's call
1997
12
Spiritualized
Ladies and gentlemen we are floating in space
1997
13
Nirvana
In utero
1993
14
Massive attack
Mezzanine
1998
15
Bob Dylan
Love and theft
2001
16
Radiohead
The bends
1995
17
Johnny Cash
American III : Solitary man
2000
18
Teenage fanclub
Grand prix
1995
19
DJ Shadow
Endtroducing
1996
20
Bonnie 'Prince' Billy
I see a darkness
1999
21
Tom Waits
Mule variations
1999
22
Outkast
Speakerboxxx/the love below
2003
23
Buena vista social club
Buena vista social club
1997
24
Elliott Smith
Either/Or
1997
25
PJ Harvey
Stories from the city, stories from the sea
2000
26
Wilco
Yankee hotel Foxtrot
2002
27
Air
Moon safari
1997
28
White stripes
White blood cells
2001
29
Madonna
Ray of light
1998
30
Mercury rev
The deserter's song
1998
31
Lucinda Williams
Car wheels on a gravel road
1998
32
Beck
Mutations
1998
33
Strokes
Is this it
2001
34
Solomon Burke
Don't give up on me
2002
35
Portishead
Dummy
1994
36
Flaming lips
Yoshimi battles the pink robots
2002
37
Brian Wilson
Smile
2004
38
Belle and Sebastian
If you're feeling sinister
1997
39
Pulp
Different class
1995
40
PJ Harvey
To bring you my love
1995
41
Elvis Costello and the Imposters
The delivery man
2004
42
Jimmy Page & Robert Plant
No quarter
1994
43
Antony & the Johnsons
I am a bird now
2005
44
Super furry animals
Rings around the world
2001
45
Kate Bush
Aerial
2005
46
Supergrass
In it for the money
1997
47
Queens of the Stone age
Rated R
2000
48
Bruce Springsteen
Devils & dust
2005
49
Gillian Welch
Time (the revelator)
2001
50
Blur
Blur
1996
51
Franz Ferdinand
Franz Ferdinand
2004
52
Ryan Adams
Heartbreaker
2000
53
Björk
Post
1995
54
Beastie boys
Ill communication
1994
55
Beta band
The 3 ep's
1998
56
Pavement
Crooked rain, crooked rain
1994
57
Libertines
Up the bracket
2002
58
R.E.M.
New adventures in hi-fi
1996
59
Magnetic fields
69 love songs
1999
60
Arcade fire
Funeral
2004
61
Oasis
(What's the story) Morning glory?
1995
62
Wu-Tang clan
Enter the Wu-Tang (36 chambers)
1993
63
Morrissey
Vauxhal and I
1994
64
Tortoise
Millions now living will never die
1996
65
Primal scream
Exterminator
2000
66
Neil Young
Sleeps with angels
1994
67
Lauryn Hill
The miseducation of Lauryn Hill
1998
68
Jon Spencer blues explosion
Orange
1994
69
Aimee Mann
Lost in space
2002
70
Sigur Rós
Agaetis byrjun
2000
71
Al Green
I can't stop
2003
72
Blur
Parklife
1994
73
Nick Cave and the Bad seeds
Abattoir blues/The lyre of Orpheus
2004
74
Norah Jones
Come away with me
2002
75
Verve
A Northern soul
1995
76
Bruce Springsteen
The ghost of Tom Joad
1995
77
Tricky
Maxinquaye
1995
78
Eminem
The Marshall Mathers lp
2000
79
Tinariwen
The radio Tsidas sessions
2002
80
Guided by voices
Bee thousand
1994
81
Manic street preachers
The holy bible
1994
82
Arctic monkeys
Whatever people say I am, that's what I'm not
2005
83
Prodigy
Music for the jilted generation
1994
84
U2
All that you can't leave behind
2000
85
Salif Keita
Moffou
2002
86
Paul Weller
Stanley road
1995
87
Jayhawks
Sound of lies
1997
88
R.L. Burnside
A ass pocket of whiskey
1996
89
Red hot chili peppers
Californication
1999
90
Maria McKee
Life is sweet
1996
91
Boards of Canada
Music has the right to children
1998
92
Manu Chao
Clandestino
1998
93
System of a Down
Toxicity
2001
94
Michael Head introducing the Strands
The magical world of the Strands
1998
95
Rufus Wainwright
Poses
2001
96
Underworld
Second toughest in the infants
1996
97
D'Angelo
Brown sugar
1995
98
Nine inch nails
The downward spiral
1994
99
Sizzla
Black woman & child
1997
100
Coldplay
A rush of blood to the head
2002
lista publicada na Mojo 150, Maio de 2006.
domingo, outubro 14, 2007
As 30 melhores bandas (e artistas) do rock nos anos 80, na ordem de hoje.
obs:
vale tudo, mas só são considerados os trabalhos concluídos na década de 1980.
Bandas como Depeche Mode e Sonic Youth teriam melhores posições se fosse da década de 1990. Slayer e Metallica nem estariam na lista.
Rolling Stones fizeram dois discaços, mas depois sujaram o nome com dois discos bem ruins: ficaram de fora.
No caso do Clash, Sandinista é tão bom que compensa a ruindade de Cut the Crap.
Claro que esqueci muita coisa, mas é assim mesmo.
---------------------------------------------------
1) The Cure
o fino: 17 Seconds (1980), Pornography (1982), The Top (1984), The Head on the Door (1985), Desintegration (1989)
2) Killing Joke
o fino: Killing Joke (1980), What's This For? (1981), Revelations (1982), Fire Dances (1983), Night Time (1985)
3) Duran Duran
o fino: Duran Duran (1981), Rio (1982), Seven and Ragged Tiger (1983), Notorious (1986)
4) XTC
o fino: Black Sea (1980), Skylarking (1986), Oranges and Lemons (1989)
5) Pixies
o fino: Come on Pilgrim (1987), Surfer Rosa (1988), Doolittle (1989)
6) Slayer
o fino: Show no Mercy (1983), Hell Awaits (1984), Reign in Blood (1986)
7) Depeche Mode
o fino: Construction Time Again (1983), Black Celebration (1986), Music for the Masses (1987)
8) Metallica
o fino: Kill Em'All (1983), Ride the Lightning (1984), Master of Puppets (1986)
9) R.E.M.
o fino: Murmur (1983), Lifes Rich Pageant (1986), Document (1987)
10) Sonic Youth
o fino: Evol 1986), Sister (1987), Daydream Nation (1988)
11) Cocteau Twins
o fino: Garlands (1982), Head Over Heels (1983), Treasure (1984)
12) Judas Priest
o fino: British Steel (1980), Point of Entry (1981), Screaming for Vengeance (1982)
13) Saxon
o fino: Denim and Leather (1982), Power & The Glory (1983), Crusader (1984)
14) Lou Reed
o fino: The Blue Mask (1982), New York (1989)
15) The Smiths
o fino: The Queen is Dead (1986), Strangeways, Here We Come (1988)
16) The Clash
o fino: Sandinista (1981), Combat Rock (1982)
17) Kraftwerk
o fino: Computer World (1981), Electric Cafe (1986)
18) Neil Young
o fino: Reactor (1981), Freedom (1989)
19) (Clan of) Xymox
o fino: Clan of Xymox (1986), Medusa (1987)
20) Simple Minds
o fino: Sister Feelings Call (1981), Sons and Fascination (1981)
21) Split Enz
o fino: True Colours (1980), Time and Tide (1982)
22) The Cars
o fino: Shake it Up (1981), Heartbeat City (1984)
23) The Psychedelic Furs
o fino: Talk Talk Talk (1981), Forever Now (1982)
24) Siouxsie and the Banshees
o fino: Kaleidoscope (1980), Juju (1981)
25) Love and Rockets
o fino: Express (1986), Earth-Sun-Moon (1987)
26) Anthrax
o fino: Fistful of Metal (1983), Spreading the Disease (1985)
27) Electric Light Orchestra
o fino: Time (1981), Secret Messages (1983)
28) Savatage
o fino: Sirens (1983), Power of the Night (1985)
29) Kiss
o fino: Unmasked (1980), The Elder (1981)
30) Ultravox
o fino: Vienna (1980), Rage in Eden (1981)
obs:
vale tudo, mas só são considerados os trabalhos concluídos na década de 1980.
Bandas como Depeche Mode e Sonic Youth teriam melhores posições se fosse da década de 1990. Slayer e Metallica nem estariam na lista.
Rolling Stones fizeram dois discaços, mas depois sujaram o nome com dois discos bem ruins: ficaram de fora.
No caso do Clash, Sandinista é tão bom que compensa a ruindade de Cut the Crap.
Claro que esqueci muita coisa, mas é assim mesmo.
---------------------------------------------------
1) The Cure
o fino: 17 Seconds (1980), Pornography (1982), The Top (1984), The Head on the Door (1985), Desintegration (1989)
2) Killing Joke
o fino: Killing Joke (1980), What's This For? (1981), Revelations (1982), Fire Dances (1983), Night Time (1985)
3) Duran Duran
o fino: Duran Duran (1981), Rio (1982), Seven and Ragged Tiger (1983), Notorious (1986)
4) XTC
o fino: Black Sea (1980), Skylarking (1986), Oranges and Lemons (1989)
5) Pixies
o fino: Come on Pilgrim (1987), Surfer Rosa (1988), Doolittle (1989)
6) Slayer
o fino: Show no Mercy (1983), Hell Awaits (1984), Reign in Blood (1986)
7) Depeche Mode
o fino: Construction Time Again (1983), Black Celebration (1986), Music for the Masses (1987)
8) Metallica
o fino: Kill Em'All (1983), Ride the Lightning (1984), Master of Puppets (1986)
9) R.E.M.
o fino: Murmur (1983), Lifes Rich Pageant (1986), Document (1987)
10) Sonic Youth
o fino: Evol 1986), Sister (1987), Daydream Nation (1988)
11) Cocteau Twins
o fino: Garlands (1982), Head Over Heels (1983), Treasure (1984)
12) Judas Priest
o fino: British Steel (1980), Point of Entry (1981), Screaming for Vengeance (1982)
13) Saxon
o fino: Denim and Leather (1982), Power & The Glory (1983), Crusader (1984)
14) Lou Reed
o fino: The Blue Mask (1982), New York (1989)
15) The Smiths
o fino: The Queen is Dead (1986), Strangeways, Here We Come (1988)
16) The Clash
o fino: Sandinista (1981), Combat Rock (1982)
17) Kraftwerk
o fino: Computer World (1981), Electric Cafe (1986)
18) Neil Young
o fino: Reactor (1981), Freedom (1989)
19) (Clan of) Xymox
o fino: Clan of Xymox (1986), Medusa (1987)
20) Simple Minds
o fino: Sister Feelings Call (1981), Sons and Fascination (1981)
21) Split Enz
o fino: True Colours (1980), Time and Tide (1982)
22) The Cars
o fino: Shake it Up (1981), Heartbeat City (1984)
23) The Psychedelic Furs
o fino: Talk Talk Talk (1981), Forever Now (1982)
24) Siouxsie and the Banshees
o fino: Kaleidoscope (1980), Juju (1981)
25) Love and Rockets
o fino: Express (1986), Earth-Sun-Moon (1987)
26) Anthrax
o fino: Fistful of Metal (1983), Spreading the Disease (1985)
27) Electric Light Orchestra
o fino: Time (1981), Secret Messages (1983)
28) Savatage
o fino: Sirens (1983), Power of the Night (1985)
29) Kiss
o fino: Unmasked (1980), The Elder (1981)
30) Ultravox
o fino: Vienna (1980), Rage in Eden (1981)
Assinar:
Postagens (Atom)



