domingo, setembro 10, 2017

Cotações ELOY


Volta o blog, voltam também as cotações. Como não acrescentei no post anterior, e como resolvi reouvir a maior parte dos discos comentados, aqui vai uma série de cotações atualizadas para os álbuns da banda até 1984, com breves comentários. Boa viagem.

Eloy (1971) **
Hardão genérico que lembra milhares de discos da época.
Inside (1973) ****
Frank Bornemann resolve levar seus cúmplices ao espaço e isso faz muito bem à banda. As faixas continuam grandes, mas agora os arranjos fazem toda a diferença. Na linhagem kraut-rock espacial que Jane, Novalis e Holderlim iriam perseguir adiante.
Floating (1974) ****1/2
Um aprimoramento do progressivo pesado e espacial apresentado no disco anterior, e forte candidato a segundo melhor álbum da banda. Peso, viagem, melodia, tudo em ótimas camadas sonoras.
The Power and the Passion (1975) ****
Talvez seja o primeiro disco com a sonoridade típica do Eloy mais conhecido, e também o primeiro com o conhecido logo e o mesmo padrão de capa com paisagem que será repetido em Dawn.
Dawn (1976) *****
É de fato a obra-prima da banda. Um dos discos mais variados de sua fase progressiva, com vozes estranhas invadindo o som espacial e melodias verdadeiramente pacificadoras.
Ocean (1977) ***1/2
Lado A magnífico, lado B genérico em tudo. Estava na hora de uma nova reformulação da sonoridade, sob o risco de se repetir. O que eles fizeram em seguida, após o burocrático ao vivo, foi um meio termo cômodo, mas que deu certo.
Live (1978) ***
Burocrático mesmo. E duplo ainda por cima. Claro, as músicas são boas, então o disco sobrevive.
Silent Cries and Mighty Echoes (1979) ****1/2
Percebe-se aqui que o clima fica um pouco menos viajante e mais palatável para um público oitentista.  Como já havia dito, este disco antecipa em muito o neo-prog que seria assumido pelas bandas inglesas da década seguinte, ao menos a boa porção delas (Marillion, Pallas), infelizmente minoritária.
Colours (1980) ****
Entram de sola nos anos 80 completando a transição iniciada no disco anterior e preparando o terreno para a crescente modernidade eletrônica dos discos que viriam. É o British Steel do Eloy (em alusão à obra-prima do Judas Priest que forjou a identidade oitentista da maior banda da NWOBHM).
Planets (1981) ****
Outro belíssimo disco com sonoridade moderna e ainda mantendo os dois pés no progresssivo. A capa do lançamento britânico é muito mais bonita (pode ser vista aqui)
Time to Turn (1982) ***1/2
Cai um pouco, mas não o suficiente para desanimarmos, ainda mais porque a faixa de abertura, "Through a Somber Galaxy", é arrasadora, com o baixo de Klaus-Peter Matziol embalando a melodia. Em todo caso, o Eloy fez a transição para os anos 80 um pouco melhor que o Camel, que nesse mesmo ano lançava o mediano A Single Factor.
Performance (1983) ***1/2
Mais moderno ainda, de um modo perigoso, mas surpreendentemente forte em retrospecto. Acho que foi o terceiro álbum que ouvi da banda, logo após de conhecê-la com The Power and the Passion e Dawn. Envelheceu bem esse disco cuja existência parece possível unicamente nessa primeira metade dos anos 80.
Metromania (1984) ***
Ainda mais modernoso que Performance, a ponto de talvez ser um tanto forçado chamar de progressivo. New Wave espacial seria mais apropriado.
 


quinta-feira, setembro 07, 2017

Eloy




Lá vou eu novamente ser do contra. Não por querer, mas por acontecer mesmo. É que nunca entendo essa quase unanimidade com relação ao Ocean (1977) ser o melhor disco do Eloy. Para mim, pelo menos três discos deles são melhores: Power and the Passion (1975), Silent Cries and Mighty Echoes (1979) e, acima de todos, o maravilhoso Dawn (1976), único postulante a obra-prima dos discos da banda.


Acho o lado 1 de Ocean extraordinário. O que quer dizer que de suas quatro músicas, as duas primeiras são muito boas. Já as duas últimas me parecem genéricas, algo criado por algum computador com informações genéticas do Eloy. Dawn, ao contrário, é inteiramente forte. Mais variado e nada monocórdico, cheio de melodias belas e empolgantes passagens instrumentais. É tão superior a Ocean, a meu ver, que desconfio que muitos elegem este último no piloto automático, sem ter se dado ao trabalho de ouvir as pérolas que compoem Dawn, das maravilhosas partes "Appearance of the Voice/Return of the Voice" à primeira "Lost", passando por "The Sun Song", "The Midnight Fight/The Victory of Mental Force" e Gliding Into Light and Knowledge", são mesmo muitas peças inspiradas de prog-rock, com uma força que eles nunca mais repetiriam.

A trinca Colours (1980), Planets (1981) e Time to Turn (1982), embora não tenha a qualidade de Silent Cries and Mighty Echoes, o álbum que fecha os anos 70 e já aponta para o neo-prog que iria despontar nos 80 (ouça "Master of Sensation" e entenda meu ponto), eu sempre achei interessante. Acho que a banda soube passar de suas influências floydianas para um som mais balançante, próximo do neo-prog, mas com maior inspiração. É em Performance (1983) que a coisa começa a ficar complicada. É um disco que tem seus momentos. A música que a Globo usou em seus documentários ("Shadow and Light") tem força. Mas já desperta um certo cansaço, ao contrário dos anteriores, que rolam bem do começo ao fim. Metromania (1984) é um pouco melhor. Nunca escutei o que veio depois, com a exceção do Ocean 2 (1998), que na época me pareceu bem fraco.

P.S. Reouço Performance e me surpreendo. É mais um disco legal da banda, com sete boas composições. E menos pop modernoso do que eu lembrava, talvez porque agora gosto de muitas coisas que são pop modernoso, então não me incomoda mais essa mistura de progressivo com a sonoridade eletrônica-cafona da época. Para melhorar, a capa faz alusão a um jogo de sinuca.

segunda-feira, agosto 28, 2017

Som Imaginário


Entendo todo aqueles que, do alto de sua superioridade numérica, para não falar em quase unanimidade, proclamam Matança do Porco (1973), o terceiro LP, como a obra-prima do Som Imaginário. Talvez seja mesmo o disco mais acabado da banda, aquele em que há uma ideia clara que perpassa todo álbum. Meu coração, contudo, fica com o primeiro LP deles, intitulado simplesmente Som Imaginário e lançado em 1970.

É uma explosão de genialidade que tenta dar conta de personalidades tão distintas quanto as de Zé Rodrix, Frederiko, Tavito e Wagner Tiso em um único disco. Se Matança do Porco é o disco progressivo da banda, seria prematuro descartar este como não-progressivo, ou mesmo ignorar o que ele tem de progressivo, num sentido mais amplo, menos sinfônico e purista do termo.
O primeiro, o terceiro e o quarto compõem, juntos, a faixa de abertura, "Morse", uma espécie de jam-session em estúdio, jazzística e latina, cheia de percussão e órgão envenenado. Na segunda, meio infantil, mas genial em seu arranjo instrumental e no vocal psicodélico, é toda composta por Zé Rodrix, a personalidade mais forte do disco. Chama-se "Super-Goo" e tende a conquistar de vez o ouvinte de coração aberto. Na terceira já estamos dominados, prontos para viajar com a voz de Milton Nascimento em sua "Tema dos Deuses", uma canção cheia de climas, em que a guitarra de Frederiko se impõe, como sempre, mesmo que discreta. Isso nos lembra que o Som Imaginário nessa época acompanhava Milton em discos e shows, assim como acompanhava outros músicos, notadamente Gal Costa.

Rodrix volta em "Make Believe Waltz", que compôs com Mike Renzi. Rodrix grita, em inglês, sem disfarçar sua voz feia, de taquara rachada, mas que por algum motivo me encanta. Talvez seja a vontade, o descaramento de cantar assim, como um Bob Dylan em rádio AM com pilhas fracas. Talvez seja uma bela voz, afinal, e eu sei pouco das coisas.

As três faixas seguintes mostram uma dominação do guitarrista Frederiko. Ele que seria mais dominador com a saída de Rodrix, no segundo álbum, antes da dominação de Tiso no terceiro, brilha aqui em três temas mais diretos, mais sintonizados com o que se estava fazendo no rock da época. O primeiro deles é "Pantera", em cima de uma letra de Fernando Brant. Trata-se de um mantra bluesístico que abre espaço também para o sotaque carioca de Zé Rodrix, alternando com a voz mais certinha de Frederiko. Voz que brilha no segundo de seus temas, "Sábado", uma das faixas de beleza mais secreta do álbum. É gosto adquirido. Depois de algumas audições, essa bela e poética canção não sai mais de sua cabeça (ao menos o "sábado eu vou" entoado no refrão não sairá, garanto). "Nepal", a terceira canção seguida comporta por Frederiko, está mais para uma brincadeira, um mantra psicodélico que vira canção infantil na segunda parte: "no Nepal tudo é mais barato, no Nepal tudo é muito barato"...

O grande hit do disco chega em seguida. Uma canção composta por três gênios da música mineira: Lô Borges, Beto Guedes e Fernando Brant. Sim, "Feira Moderna", em uma de suas várias versões, quase todas ótimas (é difícil estragar uma música dessas). Um convite sensual. É engraçado como Rodrix canta essa música (algo que fica mais claro ao vivo, como no ensaio da TV Cultura que tem no YouTube). Ele canta como se tivesse um baita vozeirão, como se fosse um Orlando Silva e não o Lou Reed raquítico que amamos. Talvez possamos creditar isso à sua vontade e à sua musicalidade explêndida, que faz com que tudo que ele tocasse, ao menos na primeira metade dos anos 70 (Som Imginário, Sá, Rodrix e Guarabyra, carreira solo) virasse ouro.

"Hey Man", composta por Tavito e Zé Rodrix, é inclassificável. Pop, progressiva, jazzy, psidodélica, com uma melodia celestial em sua terceira parte e uma estrutura em que a primeira parte fica só lá, no começo, como um prelúdio ameaçador, com percussão e a voz doida de Rodrix nos preparando para as duas partes seguintes, que se repetem como um resumo do que se fez de melhor na música brasileira dos anos 60 e 70. Uma levada dançante do baixo e da bateria na segunda parte e um mellotron tornando a terceira parte algo realmente inesquecível. Esse clima seria repetido no maravilhoso primeiro disco solo de Tavito, de 1979 (o que tem "Rua Ramalhete" e "Naquele Tempo"), mas infelizmente ele não regravou essa música soberba.

O disco se encerra com "Poison", excelente composição de Rodrix (com Marco Antonio), discreta o suficiente para nos permitir a recuperação após duas faixas estrondosas como "Feira Moderna" e "Hey Man". E sendo uma canção de ninar em rock progressivo, é também uma das faixas que permitem que consideremos este disco como um dos melhores registros de rock progressivo que já se fez no Brasil. Bah, raios, é de fato um dos melhores discos já feitos no Brasil.

sábado, agosto 26, 2017

Ultravox


Nesta nova reencarnação do Melomania, o segundo post é para o Ultravox, banda inglesa incrível e incrivelmente subestimada, mesmo em sua fase mais estimada, com o vocalista John Foxx, nos três primeiros discos (1977-1978).

Façamos justiça: esses três primeiros discos, que vão de um cruzamento de Hawkwind (fase Bob Calvert) com o Bowie de Station to Station e o Roxy Music dos primeiros discos, são geniais. Três pérolas que ajudaram a definir a sonoridade da passagem para os anos 80. Começando com o pós-punk melódico de Ultravox (1977), que recebe algumas tintas eletrônicas em Ha Ha Ha (1977), o perfeito disco de transição, até a definição do estilo new-wave eletrônico do incrivelmente injustiçado Systems of Romance (1978), o que os cinco batutas criaram nesses discos foi o gradual encontro das referências acima com a sonoridade de Kraftwerk, cortesia do produtor Conny Plank, do terceiro disco, com quem eles fariam também os discos seguintes (os dois primeiros haviam sido produzidos por Steve Lillywhite).

A saída de John Foxx abalou as estruturas. Parte da crítica os rejeita a partir de então. Mas eles deram prosseguimento à sonoridade de Systems of Romance com outra obra-prima: Vienna (1980), primeiro disco com Midge Ure (como substituto de dois membros, Foxx e Robin Simon, que havia entrado somente no terceiro disco). Apesar das mudanças, Vienna é um prosseguimento natural de Systems em tudo, mas devo lembrar que em 1978 Systems soava mais moderno que Vienna em 1980. Isso de certo modo mostra o pendor da nova formação em levar a banda ao caminho do sucesso, uma vez encontrado esse caminho.

Como um quarteto, o Ultravox estava pronto para alçar novos voos. A qualidade dos discos cai um pouco, progressivamente, conforme eles fazem da fórmula de Systems algo cada vez mais pop. Como iniciou nos píncaros, até Lament (1985) temos discos de grande qualidade, passando pelos excelentes Rage in Eden (1981) e Quartet (1982).

Cotações:

Ultravox (1977) ****1/2
HaHaHa (1977) *****
Systems of Romance (1978) *****
Vienna (1980) *****
Rage in Eden (1981) ****1/2
Quartet (1982) ****
Lament (1985) ****
U-Vox (1986) ***

quinta-feira, agosto 10, 2017

Qual é o disco mais fraco da primeira formação do Van Halen?




Não concordo com a opinião predominante de que Diver Down é o disco mais fraco do Van Halen com o David Lee Roth. Sei que entre os muitos que assim pensam se encontra meu grande amigo Bento Araújo, mas tenho de dizer que só pode haver alguma má vontade ai, talvez pelo fato de Diver Down ter algumas covers (cinco ao todo, contando a brincadeira "Happy Trails"). Acontece que essas covers são ótimas, principalmente "Where Have All the Good Times Gone", dos Kinks, e "Pretty Woman, de Roy Orbison. O disco ainda tem uma das cinco melhores faixas compostas por eles, a maravilhosa "Secrets".


Pois para mim o mais fraco dessa primeira fase é o seguinte, 1984, um disco que tem seus grandes momentos, sobretudo "Panama". Mas tem também alguns fillers, e o hit mais fraco dessa fase, "Hot for Teacher". Como o anterior, 1984 também é um disco curto. Essa é só mais uma semelhança do Van Halen com o Kiss: fazer alguns discos que passem só um pouco dos 30 minutos.


Dito isso, é necessário dizer que nenhum dos discos que o Van Halen fez depois, com Sammy Hagar, supera 1984, apesar de E5150 ("Summer Nights" é um barato) e OU812 (com a fabulosa "When It's Love) chegarem perto, empatando com o último disco com Roth nas três estrelas.

sábado, julho 13, 2013

Satan



Todos que frequentavam este blog antes do longo recesso sabem que curto um velho e bom heavy metal. Tenho a teoria de que uma pessoa que não conheceu a fundo o estilo na adolescência, não vibrou com acordes de guitarra de Tony Iommi ou James Hetfield, não balançou a cabeça acompanhando desajeitadamente a batida de um bom power metal alemão, não se impressionou com as atomosferas lúgubres criadas pelo Venom ou o Celtic Frost, não tem como gostar de heavy metal depois de adulto. É preciso se empolgar quando adolescente para pegar a doença. Uma vez tomado por ela, nunca será curado. E nem desejará a cura. Pois aquele que abandonou as fileiras do bom metal ou é um traidor, ou nunca havia gostado de fato.

Eis que escuto, somente hoje, o novo álbum do Satan, uma das minhas bandas preferidas da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), movimento surgido na primeira metade dos anos 1980 que influenciou muita gente a partir de seus mais nobres representantes: Saxon e Iron Maiden. Pois ao ouvir Life Sentence, álbum que retoma a formação do clássico Court in the Act (1983), volto à adolescência, mas só à parte boa desse período. Esqueço momentaneamente os problemas e vibro com a energia que vem dos autofalantes, e me encanto com as melodias cantadas por Brian Ross e assobiadas pelas guitarras mágicas de Russ Tippins e Steve Ramsey. O baixo de Graeme English está ali para segurar a grandiosidade da banda, assim como a bateria segura de Sean Taylor. Nem acredito que esses caras se reuniram novamente para derreter meus ouvidos de puro prazer metálico.

Ramsey e English foram do Skyclad, a banda que mais me agradou entre as que orbitaram mais de perto o Satan - as outras são Blind Fury, Pariah e Blitzkrieg. Esta última tinha em sua formação Brian Ross, que para mim é um dos maiores cantores de metal de todos os tempos. Considero-o superior ao David Coverdale, para falar de alguém com a voz muito parecida. Ross não quer imitar Coverdale, com este imitava o Robert Plant. Ross é uma dessas vozes únicas, e as melodias do Satan combinam perfeitamente com sua maneira de cantar (até os gritinhos clichês do metal ficam bem com ele).

Destaques de Life Sentence? Por enquanto, todo o álbum merece destaque, da primeira faixa, "Time to Die", à última, "Another Universe". Bom, se for possível apontar um ponto mais fraco, seria sem dúvida a faixa-título, que é boa, mas não alcança a majestosidade do restante do álbum (lembrando que eu só o escutei uma vez). 

É sem dúvida um dos melhores discos de metal dos últimos anos. Até me arriscaria a dizer que é o melhor dos últimos 20 anos. E faz o que muitas vezes provoca o fracasso das bandas que retornam: é como se estivéssemos em 1985 e este fosse o segundo disco da banda após o magnífico Court in the Act (ignorando os discos que eles fizeram com Michael Jackson, não o de Bily Jean, no lugar de Ross). Esse disco faz de 2013 um marco do heavy metal tradicional. 

Agora dá licença que vou ali empilhar carteiras no fundo da sala de aula.

segunda-feira, julho 01, 2013

Genesis (1976-1981)



Voltando a este blog musical, meu primeiro blog, exclusivo para textos sobre música, qualquer tipo de música. 

Nada mais justo que esta volta seja feita por causa da reaudição de alguns discos de uma banda que eu sempre amei, Genesis.

Reouvi a fase 1976-1981, ou seja, os primeiros discos sem Peter Gabriel, até a virada para o pop. O juízo sobre esses discos não mudou. Continuo achando Wind and Wuthering e And Then There Were Three superiores a todos os outros (creio que seja possível incluir aí os que a banda fez depois de Abacab). Ainda acho Duke o mais fraco de todo o período. As cotações continuam assim:

A Trick of the Tail (1976) * * * *
Wind and Wuthering (1976) * * * * 1/5
And Then There Were Three (1978) * * * * 1/5
Duke (1980) * * *
Abacab (1981) * * * *

Stephen Thomas Erlewine, do AMG, diz que Wind and Wuthering é o disco que marca um começo de mudança para a fase pop, e que And Then There Were Three é mais forte ainda na direção do pop oitentista que a banda fará daí em diante. Certo. Mas percebo muito mais diferença em Duke, com sua capa infantil refletindo uma busca por uma sonoridade mais simples e direta, do que no disco anterior, cuja melancolia se afastava do pop que os tornaria mundialmente famosos. Eles nunca haviam feito algo tão pop quanto "Misunderstanding" ou "Turn It on Again", presentes em Duke. Os resquícios do progressivo sobrevivem em "Duke's Travel" e "Duke's End".

Erlewine também se impressiona com a diferença de "Your Own Special Way", presente em Wind and Wuthering, e o som padrão Genesis até então. A letra romântica pode até sinalizar novos tempos, mas a sonoridade está mais para Crosby, Stills and Nash do que para o que a banda faria em seguida, e existem baladas mais melosas em A Trick of the Tail ("Mad Mad Moon" e "Ripples").

A virada para o pop iniciada com tudo em Duke vai encontrar melhor tradução em Abacab, possivelmente o melhor disco do Genesis nos anos 80. "No Reply at All" é um clássico do funk branco, com a ajuda dos "corneteiros" do Earth Wind and Fire. "Keep it Dark". "Abacab" e "Another Record" mostram uma inventividade ainda intacta, só que não mais a serviço do prog. Abacab é certamente um disco injustiçado.

TOP 10 da fase, hoje:

1) One For the Vine (WaW)
2) Burning Rope (ATTWT)
3) Blood on the Rooftops (WaW)
4) Undertow (ATTWT)
5) Scenes From a Night's Dream (ATTWT)
6) Your Own Special Way (WaW)
7) All in a Mouse's Night (WaW)
8) Misunderstanding (D)
9) No Reply at All (A)
10) A Trick of the Tail (ATotT)

terça-feira, junho 15, 2010

Os 100 melhores discos de música brasileira (1968-2008)

OS 100 MELHORES DISCOS DE MÚSICA BRASILEIRA DOS ÚLTIMOS 40 ANOS

(no máximo três discos por autor)


Por Sérgio Alpendre

(com o auxílio de memória do meu irmão, Ricardo Alpendre, e a contribuição dele em alguns textos - creditados)


Sim, sou daqueles que consideram que a melhor fase da música brasileira está compreendida na primeira metade da década de 1970.


Salve Médici? Não é o caso. Mas talvez tenha a ver com um oba-oba que toma conta do país e impede que grandes coisas sejam feitas em profusão fora de tempos difíceis. Não sei. Mas não foi intencional que quase metade dos discos da lista estivesse nesse período tão rico (que deixa toda a turma que faz música no Brasil de hoje no chinelo mais chinfrim).


É óbvio, mas é sempre deixar claro para os que tem má vontade com listas deste tipo e demais revoltados, que existem muitos grandes discos que ficaram de fora. Se a lista tivesse 200 (e sem o limite de três por artista), mesmo assim muitos ficariam de fora. Alguns coitados caíram na última hora (veja as duas listas B no final).


Caso de Let's Play That (Jards Macalé), Maria Fumaça (Banda Black Rio), João (João Gilberto), Preste Atenção (Thaíde e DJ Hum) e alguns outros que poderiam até entrar, dependendo do dia do ponto final.


Sem contar com inúmeros representantes da boa música que estão ausentes: Antonio Marcos, Dorival Caymmi, Nana Caymmi, Dori Caymmi, Danilo Caymmi, Daniela Mercury, Vitor Ramil, Taiguara, Nelson Cavaquinho, Ivan Lins, Moacir Santos, Eduardo Gudim, Ronaldo Bastos, Carlos Lyra, Di Melo, Smetak, O Terço, Trio Mocotó, União Black, Black Future, Erasmo Carlos, Sepultura, André Geraissati, André Christovam, Blues Etílicos, Cascadura, Lobão, João Nogueira, Jorge Aragão, Jorge Veiga, Jongo Trio, Quinteto Ternura, Sérgio Ricardo, Sidney Miller, Joelho de Porco, Premeditando o Breque, Lingua de Trapo, Skowa e a Máfia, Ultraje a Rigor, Cabine C, Gang 90, As Frenéticas, Dante Ozetti, Ná Ozetti (Estopim foi outro disco que caiu na última hora), Los Hermanos, Barão Vermelho (mas não Cazuza), Mundo Livre, Nação Zumbi (melhor sem Chico Science), Gueto, De Falla, Alceu Valença, Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar, Mercenárias, Os Mulheres Negras, Karnak, Claudinho e Buchecha, Rappin' Hood, Kelly Key, Zé Renato (presente, ao menos, com o Boca Livre), e tantos outros que mereciam citação ou que ainda não pude conhecer.

Mas não tinha jeito algum de entrar: Raul Seixas (que fez discos bons - e só - nos anos 70), Cazuza, O Peso, Bixo da Seda, Módulo 1000, Made in Brazil, Maria Rita (todos muito abaixo dos representados aqui), e outros artistas superestimados.


Os 100 escolhidos refletem a minha preferência. Podem chamar de egocentrismo e tal, mas, em música, só me interessam listas individuais. As coletivas são repletas de injustiças históricas, certamente em número maior que as que certamente cometo, por falha na memória, ou falta de sintonia no momento com determinados discos. Enfim, injustiças de um coro são mais graves do que as injustiças cometidas por uma só voz. Não pretendo, com estes 100, dizer que são mais influentes, importantes, ou bem gravados. Não. A lista reflete única e exclusivamente o meu gosto pessoal. Encarem como um pontapé inicial para outras listas, que serão muito bem-vindas se chegarem aos nossos emails.


OS MUTANTES - Os Mutantes (1968)

Uma explosão de criatividade e alegria. O disco tropicalista por excelência. Não o melhor do período, certamente, nem mesmo da banda. Mas um disco inventivo demais. A cada audição uma nova revelação.

Destaques: Panis et Circensis, Minha Menina, Senhor F., Le Premier Bonheur du Jour.


VÁRIOS ARTISTAS - Tropicália (1968)

Era grande a tentação de deixar este disco seminal de fora. Simples: apesar de conter faixas impecáveis de música desafiadora, todos os artistas envolvidos fizeram algo melhor depois. O problema é que há, nesse caldeirão sonoro, uma magia que praticamente escrveu seu nome sozinho aqui. Não tive como tirar.

Destaques: Parque Industrial, Geléia Geral, Baby.


CAETANO VELOSO - Caetano Veloso (1969)

O disco branco, com a assinatura no meio. A primeira obra-prima do compositor baiano, entre tantas em sua carreira. Destaques: Irene, Os Argonautas, Não Identificado, Alfômega.


ROBERTO CARLOS - Roberto Carlos (1969)

Com a obra-prima Inimitável, ele ensaiou uma torção para o soul, completada neste álbum fora de série, que levaria sua carreira a rumos impensáveis, pela enorme qualidade do que viria. Destaques: As Flores do Jardim da Nossa Casa, As Curvas da Estrada de Santos, Sua Estupidez, Diamante Cor de Rosa.


JORGE BEN - idem (com a música "País Tropical")(1969)

Este á o que tem o hino Charles Anjo 45, além da indicada entre parênteses. É o disco tropicalista de Ben, com um clima psicodélico que começa na capa com a ilustração de Albery. Destaques: Charles Anjo 45, Domingas, Cadê Teresa, Descobri Que Eu Sou um Anjo, Take it Easy My Brother Charles.


OS MUTANTES - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)

Aqui o rockão dos discos seguintes já começava a tomar forma. Antes um esclarecimento. Para eliminar um dos quatro discos dos Mutantes que eu queria colocar, resolvi adotar o seguinte crítério: eliminar aquele que tivesse a pior qualidade de gravação. Aí não deu outra. Caiu o segundo, apesar de ser maravilhoso também. Destaques: Ave Lúcifer, Preciso Urgentemente Encontrar um Amigo, Chão de Estrelas, Jogo de Calçada.


SOM IMAGINÁRIO - Som Imaginário (1970)

A banda que acompanhou Milton Nascimento nos anos 70 se aprofundou, em seus discos solo, numa espécie de Rock Progressivo com humor e certa dose de experimentalismo. Neste primeiro disco - fariam três no total - contam com Tavito e Zé Rodrix, além da liderança de Wagner Tiso. Destaques: Feira Moderna, Hey Man, Tema dos Deuses, Super-God.


GAL COSTA - Legal (1970)

O disco pirado que funciona da Gal, já que o de 1969 tinha muitos exageros. Em Legal ela encontra o equilíbrio entre a porralouquice baiana e a atmosfera tipicamente regional, entre o clima de cabaré e o rock'n'roll. É a MPB com guitarras consolidada, pra desespero dos ortodoxos. Tropicalismo agonizante, influências se encaixando. Se você preferir um disco que privilegie sua bela voz, escolha Cantar, de 1974. Destaques: Eu Sou Terrivel, Love Try and Die, Hotel das Estrelas.


TIM MAIA - Tim Maia (1970)

O disco de estréia do grande soul man brasileiro. Um marco na música de nosso país. Destaques: Coroné Antonio Bento, Cristina, Padre Cícero, Azul da Cor do Mar.


MILTON NASCIMENTO - Milton Nascimento (1970)

Este é o disco que coroa a participação do Som Imaginário - que faria três discos sem Milton nos anos 70, e lançaria a carreira solo de Wagner Tiso.


ELIS REGINA - Em Pleno Verão (1970)

Ninguém divide (ou pontua) os versos tão bem quanto Elis. Roberto? Sim, é verdade, Roberto chega lá também. E tem música do Rei neste álbum, repleto de delícias, como é a risada da Pimentinha na faixa de abertura. (Ricardo Alpendre)


NOVOS BAIANOS - É Ferro na Boneca (1970)

O primeiro álbum dos baianos malucos é o mais tropicalista. Suas músicas são o melhor do filme marginal Caveira My Friend, do mesmo ano. E pensar que este é só o primeiro de uma série de grandes discos. Destaques: Baby Consuelo, A Casca de Banana que eu Pisei, É Ferro na Boneca.


TOQUINHO E VINÍCIUS - Toquinho e Vinícius (o da máquina de escrever)(1971)

É o melhor e mais gostoso de escutar entre todos os discos da dupla. Destaques: Maria Vai Com as Outras, O Canto de Oxum, Blues para Emmett.


CHICO BUARQUE - Construção (1971)

Escolher só um disco do genial Chico é de dar dó. Poderia ser Vol 3, Vol 4, Meus Caros Amigos, Chico Buarque 78, Almanaque...Mas escolho Construção por ser o primeiro que mostra um compositor maduro e inquieto, com letras sociais e poesia inigualáveis. Destaques: Construção, Valsinha, Samba de Orly.


OS MUTANTES - Jardim Elétrico (1971)

Aqui o rockão já se formou, mas ainda há muito espaço para o pop. Talvez seja o melhor disco da banda. Destaques: Top Top, Virgínia, Saravá, Lady Lady.


DOM SALVADOR E ABOLIÇÃO - Som, Sangue e Raça (1971)

Um marco da música negra em nosso país. Infelizmente não consegui reouví-lo para fazer a lista, mas lembro perfeitamente do impacto que tive quando o descobri.


NOVOS BAIANOS - Acabou Chorare (1972)

Obra-prima absoluta. Sem mais comentários.


CAETANO VELOSO - Transa (1972)

O primeiro disco brasileiro de Caetano depois de sua volta do exílio em Londres. A maioria de suas músicas são cantadas em inglês. Tradição e modernidade colocaram de vez seu nome no rol dos grandes da MPB. Destaques: Nine Out of Ten, It's a Long Way, Triste Bahia, Mora na Filosofia.


GILBERTO GIL - Expresso 2222 (1972)

Gil havia feito alguns belíssimos álbuns antes deste: o do fardão, o das escrituras, e mesmo Louvação, são ótimos, para dizer o mínimo. A primeira obra-prima, no entanto, é Expresso 2222. Destaques: Pipoca Moderna, O Sonho Acabou, Cada Macaco no Seu Galho, Oriente.


TOM ZÉ - Se o Caso é Chorar (1972)

Só vou citar o nome de algumas músicas, para provar que a dor se encontra com a melodia de forma brilhante aqui: Dor e Dor, Senhor Cidadão, A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel, Se o Caso é Chorar.


PAULINHO DA VIOLA - Dança da Solidão (1972)

É sempre uma delícia escutar qualquer disco de Paulinho. Que direi desta verdadeira obra de arte. Páreo duríssimo com Nervos de Aço.


MILTON NASCIMENTO E LÔ BORGES - Clube da Esquina (1972)

O disco inaugural do clube mostra um Lô Borges ainda adolescente, compondo como mestre, dividindo autoria e voz com Milton. Um álbum duplo (em Cd é simples) pra ficar na história. Destaques: Girassol da Cor de Seus Cabelos, Tudo que Você Queria Ser, Paisagem na Janela, Clube da esquina Nº2, O Trem Azul.


NELSON ÂNGELO E JOYCE - Nelson Ângelo e Joyce (1972)

O disco mineiro de Joyce. Uma maravilha que faz belo par com Clube da esquina, do mesmo ano.


MARCOS VALLE - Selva de Pedra (1972)

Passa de mil, não passa de dois mil. Uma trilha sonora para entrar para os cânones da MPB. Fazia a novela ser ainda melhor, mas isso não vem ao caso.


ROBERTO CARLOS - Roberto Carlos (1972)

Simplesmente, a perfeição. Destaques: a voz de Roberto Carlos no disco inteiro, assim como os arranjos, e a qualidade das composições. É isso mesmo. Se a lista tivesse um disco só, seria este.


RITA LEE - Hoje É O Primeiro Dia do Resto de Suas Vidas (1972)

Este é na verdade um disco dos Mutantes. A picaretagem deles, no caso, favoreceu a minha. Se bem que é meio feio chamar uma declaração de amor em forma de disco de picaretagem. Não salvou o romance deles, afinal.

Destaques: Tapupukitipa, Tiroleite, Teimosia, Superfície do Planeta.


PAULINHO DA VIOLA - Nervos de Aço (1973)

Clássico entre clássicos, Paulinho sempre lidou com o melhor da tradição do samba, inserindo, na base de uma ou duas por disco, faixas mais vanguardistas como a inacreditável "Roendo as Unhas", música que dialoga com free jazz e progressivo sem abandonar as raízes africanas. Das inúmeras obras-primas deste genial compósitor, Nervos de Aço talvez seja a que fique mais tempo na nossa cabeça. Destaques: Roendo as Unhas, Nervos de Aço, Comprimido, Cidade Submersa.


NOVOS BAIANOS - Novos Baianos F.C. (1973)

"Se eu não tivesse com afta eu até faria, uma serenata pra ela, que veio cair de morar, em cima da minha janela". Que outra banda faria música com esses versos, que não a melhor do mundo?


JOÃO DONATO - Quem é Quem (1973)

"Cadê Jodel?", ele pergunta. Também queremos saber. "E acompanhar a sua procura, caro mestre", dizemos todos nós.


TOM JOBIM - Matita Perê (1973)

Já começa com "Águas de Março", para dizer a que veio. Prossegue com a cantoria desajeitada do maestro. Desajeitada o suficiente para ser única e inclassificável, em um disco delicioso em cada sulco. Ser o melhor da carreira de um grande compositor não é fácil, e no momento este foi meu escolhido.


TOM ZÉ - Todos os Olhos (1973)

O mais vanguardista dos protagonistas da tropicália ficou esquecido durante duas décadas. Quando redescoberto, teve, enfim, seu valor reconhecido. É um dos grandes mestres na dicotomia tradição / vanguarda. Destaques: Augusta Angélica Consolação, O Riso e a Faca, Cademar.


SÉRGIO SAMPAIO - Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (1973)

No momento é o disco que eu levaria pra uma ilha deserta. Dor e compaixão em doze faixas antológicas. É sem dúvida um dos lamentos mais sinceros da música popular. Destaques: Pobre Meu Pai, Eu Sou Aquele que Disse, Não Tenha Medo Não ( Rua Moreira, 65), Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua.


TIM MAIA - idem (com a música "Réu Confesso") (1973)

O quarto disco de Tim Maia ganha meu voto entre suas várias obras-primas da época. É o mais redondo, o mais apaixonado. Destaques: Réu Confesso, Compadre, Gostava Tanto de Você, Música no Ar.


CARTOLA - Cartola (1974)

Quem viu o belíssimo documentário poético que Hilton Lacerda e Lírio Ferreira fizeram sobre este gênio entendem que seus discos todos mereciam um lugar aqui. Foram quatro, e infelizmente um deles tinha que ficar de fora. Destaques: Disfarça e Chora, O Sol Nascerá, Tive Sim, Alvorada.


RITA LEE & TUTTI FRUTTI - Atrás do Porto tem uma Cidade (1974)

Primeiro disco de Rita com a excelente Tutti Frutti. Atrás do Porto traz canções curtas e certeiras, com instrumental muito bom, tendendo para o progressivo. Rita se afastaria de vez dos mutantes para assumir a posição de rainha do rock. Merecida. Destaques: Ando Jururu, Io No creyo en Brujas, Mamãe Natureza.


ARNALDO BAPTISTA - Loki? (1974)

Arnaldo em carreira solo despirocada, um homem amargurado, atingido, ferido como um pássaro na mira de vários estilingues. Bonito de se ouvir, mas contra indicado a quem estiver com problemas depressivos.

Destaques: É Fácil, Vou Me Afundar na Lingerie, Uma Pessoa Só.


EGBERTO GISMONTI - Dança das Cabeças (1974)

De tantos discos de Gismonti que poderiam estar aqui, este foi o último que mais me agradou, como em outros tempos foram Carmo e Água e Vinho.


SECOS E MOLHADOS - Secos e Molhados (segundo)(1974)

Muitos discordam, achando que o primeiro é que é o clássico. Pode até ser, mas este é melhor. João Ricardo arrebenta em composições curtas, de instrumental intrincado. E Ney está cantando ainda melhor que no primeiro disco. Destaques: Flores Astrais, Tercer Mundo, O Hierofante.


JORGE BEN - Tábua de Esmeraldas (1974)

Nove entre dez críticos fãs do cantor considera este o melhor. Eu considero o terceiro melhor, mas é praticamente um empate técnico com os outros dois. É sensacional, que é o que importa. Destaques: Os Alquimistas Estão Chegando, O Homem da Gravata Florida, O Namorado da Viúva, Menina Mulher da Pele Preta.


ROBERTO CARLOS - Roberto Carlos (1974)

É o Rei, em seu segundo melhor disco. Não acredita? Veja algumas de suas faixas: Despedida, O Portão, A Estação, Jogo de Damas, A Deusa da Minha Rua, Resumo, Você, Eu Quero Apenas, É Preciso Saber Viver. E agora, acredita?


MILTON NASCIMENTO - Milagre dos Peixes (1974)

Aqui poderia ser Minas ou Gerais, ou o disco da silhueta de 1970. O que importa é que o genial bituca está representado. Temos, afinal, que considerar que o disco em parceria com Lô Borges (ver lado A) é mais criação coletiva do Clube da Esquina. Destaques:


JARDS MACALÉ - Aprender a Nadar (1974)

Eu vi o show de releitura do disco na penúltima Virada Cultural em São paulo. Sinto-me um felizardo por isso.


GAL COSTA - Cantar (1974)

Cantar é para mim o melhor disco de cantora. Mundial, não apenas nacional! Todos os compositores contribuem com a nata do que faziam no período. Tarefa das mais difíceis e injustas destacar faixas, mas vamos a estas quatro: Flor do Cerrado, Canção que morre no ar, O céu e o som, Lua Lua Lua Lua. (Ricardo Alpendre)


EDNARDO - Romance do Pavão Mysterioso (1974)

A trilha de Saramandaia, de Dias Gomes, fez com que este original compositor cearense ficasse mais conhecido. Muito menos, entretanto, que os conterrâneos Belchior e Fagner.


WALTER FRANCO - Revolver (1975)

Entre alguns discos dignos de nota desse vanguardista tão preso à tradição, este certamente é o mais valioso. Destaques: Feito Gente, Eternamente, Nothing, Cachorro Babucho.


CASA DAS MÁQUINAS - Lar de Maravilhas (1975)

O primeiro era mais pop, o terceiro mais rock'n'roll. Este é o álbum progressivo do grupo. Uma obra-prima, com a voz celestial de Simbas e uma instrumentação que não deve às grandes bandas do prog. Destaques: Vale Verde, Cilindro Cônico, Vou Morar no Ar.


JORGE BEN - Solta o Pavão (1975)

Para mim, este é "o" grande disco de Jorge Ben. Aquele que melhor exemplifica o que se convencionou a chamar de samba-rock. Segue a mesma toada de Tábua de Esmeraldas, mas consegue ser ainda melhor. Destaques: O Rei Chegou - Viva o Rei, Domingaz, Zagueiro, Velhos Flores Criancinhas e Cachorros.


GILBERTO GIL - Refazenda (1975)

Outro que merecia ter mais discos na lista é Gil, com sua voz única e suas letras inteligentíssimas. Aqui ele deixa um pouco a experimentação roqueira que marcou seus anos pós-exílio para fazer um disco pop, com uma única música de cunho vanguardista, chamada ironicamente de "Essa é pra Tocar no Rádio". Sua voz aqui soa cristalina como nunca. Segunda opção pra ilha deserta. Destaques: Refazenda, Ela, Lamento Sertanejo, Ê Povo Ê.


ALMÔNDEGAS - Aqui (1975)

Kleiton e Kledir eram deste ótimo grupo que lançou ao menos três discos notáveis nos anos 70, dos quais meu preferido de agora é este. Destaques: Mi Triste Santiago, Amor Caipira e Trouxa das Minas Gerais, Elevador, Haragana.


FAGNER - Ave Noturna (1975)

A obra-prima de um artista único, que realizou meia dúzia de grandes discos (destaque para Eu Canto e Manera Fru Fru), e após o excelente Traduzir-se, caiu na vala comum que assolou toda a MPB, e é responsável pelo vácuo criativo que existe até agora. Destaques: Riacho do Navio, Ave Noturna, Retrato Marrom, A Palo Sêco.


CLARA NUNES - Claridade (1975)

Uma verdadeira rainha do samba, que se foi cedo demais. Claridade foi o escolhido entre outros que também mereciam, a saber: Clara Nunes (1973), Alvorecer, Canto das Três Raças, Esperança.


NEY MATOGROSSO - Água do Céu Pássaro (1975)

Todos os discos de Matogrosso nos anos 70, e vários das décadas seguintes, com especial destaque para Feitiço, de 1978, e para o recente Inclassificáveis, são frutos de um artista em pleno domínio de suas possibilidades. Talvez este disco marque perfeitamente o que estou dizendo, já que o segundo dos Secos e Molhados tem muito de João Ricardo.


HYLDON - Na Rua Na Chuva Na Fazenda (1975)

Um delicioso passeio no campo, que não faz com que sintamos saudades da cidade grande.


CARLINHOS VERGUEIRO - Carlinhos Vergueiro (1975)

Tudo bem que Carlinhos queria ser Chico Buarque. As composições entregam. Mas seria maldade acreditar realmente nisso. Seus discos são tão bonitos, revelam uma sensibilidade tão brasileira e, acima de tudo, são tão inspirados que ele não podia ficar fora. Sua voz é carregada de uma melancolia que não parece consciente, fazendo o grande charme de seus discos. Este é o terceiro. Destaques: De Onde Vem, Precipício, Como Dói, Aragem de Fé.


A BARCA DO SOL - Durante o Verão (1976)

Outro que segue a linha do Recordando podendo ser considerado MPB. O primeiro disco é mais calmo, com instrumentações folk progressivas muito bonitas. Este, o segundo, é mais variado e traz algumas canções mais agressivas graças, principalmente, à guitarra tocada por Beto Rezende. Destaques: Durante o Verão, Hotel Colonial, Os Pilares da Cultura.


CHICO BUARQUE - Meus Caros Amigos (1976)

Tenta achar uma única faixa supérflua neste disco. Tente. Espécie de coletânea de faixas que ele compôs para o teatro, para o cinema, para e com os amigos, e Francis Hime é o grande e genial cúmplice. Destaques: Mulheres de Atenas, Olhos nos Olhos, O Que Será, Meu Caro Amigo.


TOM ZÉ - Estudando o Samba (1976)

Nova obra-prima do baiano maluco. Uma verdadeira revolução em nosso ritmo mais popular. Destaques: Tô, Mãe (Mãe Solteira), Só (Solidão), Hein?


CARTOLA - Cartola II (1976)

Gênio é gênio. Desnecessário dizer mais do que isso. Destaques: O Mundo é um Moinho, As Rosas Não Falam, Cordas de Aço, Preciso me Encontrar.


LUIZ MELODIA - Maravilhas Contemporâneas (1976)

Pérola Negra é um grande disco, claro, mas vários grandes discos ficaram de fora, e o melhor de Melodia é esta verdadeira pérola. Destaques: Juventude Transviada, Questão de Posse, Paquistão.


GUILHERME ARANTES - Guilherme Arantes (1976)

Não há como negar que o que Guilherme faz tem muito da tradição da Bossa Nova. Suas canções são melódicas, dificilmente possuem a energia necessãria para ser considerada rock. Prefiro pensar que, numa divisória que separa MPB de Rock, estão bem próximos da linha o 14 Bis e o Guilherme. Cada um de um lado. É puramente subjetivo? Certamente. Então me enviem suas listas. Destaques: Antes da Chuva Chegar, Meu Mundo e Nada Mais, A Cidade e a Neblina, Cuide-se Bem.


SÉRGIO SAMPAIO - Tem Que Acontecer (1976)

"Nasceu o filho do ovo / vai ser galo de terreiro / ou frango assado no almoço" O segundo disco de Sampaio sem o padrinho Raul Seixas para segurá-lo é uma nova obra-prima. Que tende a ficar desconhecida do grande público porque a gravadora comete o crime de só ter lançado em CD com a capa adulterada, parecendo uma dessas coletâneas acintosas que existem aos montes. Só neste país mesmo os responsáveis permanecem impunes. Destaques: Que Loucura, Tem Que Acontecer, Velho Bandido, Cada Lugar na Sua Coisa.


TIM MAIA - Tim Maia (1976)

Que Racional o que? Perde feio para vários outros discos de Tim. Como este, que tem suingue a dar com pau. Destaques: Dance Enquanto é Tempo, Rodésia, Márcio, Leonardo e Telmo, É Preciso Amar.


BELCHIOR - Alucinação (1976)

Um amigo meu costuma dizer que este é o Sgt Peppers do Belchior, querendo dizer que é o melhor disco dele. Provavelmente é mesmo. Mas devo dizer que o primeiro, de 1974, caiu em um dos vários cortes para ficar nos 100. Sua carreira seguiria firme até 1979. A partir de Objeto Direto (1980), Belchior foi caindo na vala para onde foram vários grandes de outrora. Uma pena, mesmo. Destaques: Apenas um Rapaz Latino Americano, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, A Palo Seco.


BETO GUEDES - A Página do Relâmpago Elétrico (1976)

Da turma de Minas, é o da voz de taquara rachada. Num mundo perfeito, seria considerado Deus da poesia musical. Sua voz é um deleite de melodia e fragilidade. A vulnerabilidade de suas interpretações fazem com que alguns incautos releguem-no a um segundo escalão. Nada mais injusto. Destaques: A Página do Relâmpago Elétrico, Maria Solidária, Tanto, Belo Horizonte.


RECORDANDO O VALE DAS MAÇÃS - Crianças da Nova Floresta (1977)

Este disco é de MPB. Suas melodias singelas, seus arranjos acústicos e, acima de tudo, aquele climão gostoso meio hippie da década de 70 fazem do disco uma perfeita pedida pra quem gosta do Clube da Esquina, por exemplo. Acontece que o disco vende muito mais para quem gosta de rock progressivo. Destaques: Ranchos Filhos e Mulher, Raio de Sol e a suite Crianças da Nova Floresta.


SOM NOSSO DE CADA DIA - Som Nosso (vulgo Sábado / Domingo) (1977)

Um lado funk/soul, o outro prog/pop. O lado funk soul sai ganhando, mas o outro lado também tem muita coisa boa. Destaques: Vida de Artista, Estação da Luz, Bem do Fim, Rara Confluência.


CARTOLA - Verde Que te Quero Rosa (1977)

Ah, palavras são totalmente supérfluas. Destaques: Fita Meus Olhos, Desta Vez Eu Vou, Nós Dois.


GERSON KING COMBO - Gerson King Combo (1977)

Um arraso do início ao fim. Seu segundo disco também é muito bom (um tiquinho abaixo deste), assim como o da União Black, do ano seguinte.


MORAES MOREIRA - Cara e Coração (1977)

Este é o segundo disco solo de Moraes Moreira, depois que ele deixou os Novos Baianos em boas mãos, e seguindo com maravilhas. Tivemos, assim, duas frentes de batalha do mesmo sangue, ambas muito, imensamente talentosas.


JOÃO BOSCO - Tiro de Misericórdia (1977)

O melhor de João Bosco também alia tradição a modernidade, bem ao gosto da MPB após a tropicalia. Só que Bosco privilegia o tradicional em sambas deliciosos. Mas assim como Paulinho da Viola sempre insere no mínimo uma canção mais ousada. Neste é a faixa título, com seu arranjo apocalíptico. Destaques: Vaso Ruim não Quebra, Plataforma, Tiro de misericórdia.


JOÃO GILBERTO - Amoroso (1978)

É o álbum que tem a interpretação de João para "Wave". Evidentemente é a versão definitiva. Os arranjos de Claus Ogerman são bons o suficiente para não comerem poeira do violão do baiano. Escolha de repertório impecável. Conceitualmente o melhor álbum do mestre.

Destaques: Wave, Estate, Triste. (Ricardo Alpendre)


GUILHERME ARANTES - A Cara e a Coragem (1978)

O disco confessional de Arantes. No qual ele tem coragem de reclamar da vida, de mostrar que burguês também sofre, principalmente quando abandona a vida fácil da casa dos pais. Destaques: Brincos na Orelha, Show de Rock, Mas Ela Não Quer Mas Ela Não Pode, Brazilian Boys.


MORAES MOREIRA - Auto Falante (1978)

Entre este e o disco seguinte de Moraes, que contém a faixa-título Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, o que desempatou foi a sensacional "Revoada". E o disco ainda tem "Pedaço de Canção" e "Fruta Mulher". Haja superlativos.


CHICO BUARQUE - Chico Buarque (1978)

O disco em que se pode encontrar "Cálice", finalmente liberada para censura. Além dela, ainda encontramos "Feijoada Completa", "Trocando em Miúdos", "Até o Fim", "Pedaço de Mim", "O Meu Amor", "Tanto Mar", "Pivete", "Apesar de Você"... ufa!!!


PEPEU GOMES - Geração de Som (1978)

Leram o verbete do Aprender a Nadar, de Jards macalé? Pois é. Aconteceu o mesmo com este disco, só que neste ano. Posso dizer que mesmo achando o disco uma obra-prima, não esperava um show tão intenso quanto aquele. Os fantasmas do Teatro Municipal nunca se recuperarão.


OLIVIA BYINGTON - Corra o Risco (1978)

Ela saiu da Barca do Sol, para brilhar neste primeiro disco solo, com pegada roqueira e a voz dela arrasando. O segundo, Anjo Vadio (1980), com a capa hiper sensual, é muito bom. Mas este é inacreditável. Destaques (que mudam a cada vez que escuto): Lady Jane, Corra o Risco, Cavalo Marinho, Brilho da Noite.


AMELINHA - Frevo Mulher (1978)

Vou ser massacrado por esta escolha. Azar de quem não entender. Amelinha teve outros belos discos antes e depois, mas este é, sem dúvida, o melhor. Destaques: Frevo Mulher, Galope Razante, Divindade.


TAVITO - Tavito (1979)

O saudosismo rasgado de Tavito pode fazer muita gente torcer o nariz. Ignorar a beleza de suas canções seria, no entanto, uma heresia merecedora do pior castigo. Destaques: Rua Ramalhete, Começo Meio e Fim, Naquele Tempo, Coração Remoçado.


LÔ BORGES - A Via Láctea (1979)

Uma perfeição de melodias e arranjos fazem deste disco o melhor companheiro de viagens. É sério. No caminho para o Rio de Janeiro passei as seis horas ouvindo e reouvindo esta maravilha. E olha que eu não sou de escutar o mesmo disco duas vezes seguidas. Ah...sim, eu tinha outras opções. Destaques: A Via Láctea, Vento de Maio, Chuva na Montanha, Equatorial.


ODAIR JOSÉ - O Filho de José e Maria (1979)

Odair José descobrindo que não é Roberto Carlos e fazendo uma obra-prima de ironia e questionamento.

Destaques: O Filho de José e Maria, Nunca Mais, O Casamento.


TONINHO HORTA - Terra dos Pássaros (1980)

Infelizmente, faz anos que não escuto este disco. Acontece. Só não me peçam para esquecê-lo, porque será impossível.


JOÃO GILBERTO, CAETANO VELOSO E GILBERTO GIL - Brasil (1980)

Você gosta da música de João? Sim? Ótimo! Imagine três João-Gilbertos e a participação suave de Maria Bethania. Não gosta de João? Vocês são muitos. Imagine três dele então. São seis faixas, 28 minutos apenas. Passa rápido (infelizmente).

Destaques: Disse Alguém (All of me), Bahia com H, Milagre. (Ricardo Alpendre)


BOCA LIVRE - Boca Livre (1980)

A perfeição dos vocais, a qualidade dos arranjos, a felicidade nas composições e nas interpretações e a beleza da voz de Zé Renato fazem deste disco uma daas maiores delícias da MPB. Destaques: Quem Tem a Viola, Toada, Barcarola do São Francisco.


JOYCE - Feminina (1980)

Se fosse um EP com as quatro primeiras faixas (Feminina, Mistérios, Clareana, Banana), já bastaria para este disco entrar aqui. E tem muito mais.


DJAVAN - Alumbramento (1980)

O alagoano Djavan sempre buscou a renovação da MPB pelo cruzamento com rítmos negros. Neste ele consegue uma mistura perfeita, com aquelas melodias inusitadas que caracterizam sua obra. Destaques: Lambada de Serpente, A Rosa, Meu Bem Querer.


ARRIGO BARNABÉ - Clara Crocodilo (1980)

Infinitamente superior a tudo mais que Arrigo criou, mesmo se pensarmos no ótimo Tubarões Voadores (1984), este marco da vanguarda paulistana do começo da década de 80 é daqueles discos que já entraram para a história. Destaques: Diversões Eletrônicas, Acapulco Drive-in, Clara Crocodilo.


ITAMAR ASSUMPÇÃO - Beleléu (1980)

Outro excelente exemplar da vanguarda paulistana. Os shows de Itamar eram, sem exceção, o que de mais rico se podia ouvir nos anos que se seguiram a esta estréia inspiradíssima. Destaques: Luzia, Fico Louco, Beijo na Boca, Nego Dito.


A COR DO SOM - Transe Total (1980)

Os colecionadores de rock nacional vão querer me crucificar. Como passar por cima de discos como o Ao vivo em Montreaux ou o primeiro? Mas é no quarto disco que eles conseguiram mesclar a quantidade ideal de instrumentação impecável com apelo pop irresistível. Claro que os discos anteriores são fundamentais. Mas ignorar as inúmeras qualidades deste disco é pecar para arder no fogo do inferno. E Armandinho é de outro mundo. Destaques: Palco, Zanzibar, Semente do Amor, Para Ser o Sol.


RUMO - Rumo (1981)

Admito que um só desta banda fenomenal é pouco. Infelizmente, caíram num dos cortes Rumo aos Antigos e Quero Passear, sendo que Diletantismo e Caprichoso poderiam entrar tranquilamente. Dezenove faixas de puro encanto musical.


14 BIS - Espelho das Águas (1981)

Muitos protestarão contra a inclusão deste disco argumentando que não se trata de Rock. Apesar da influência do clube da esquina, não dá pra negar que o 14 Bis tem uma inclinação mais roqueira. É um rock mais adulto, mais domesticado. Suave, segundo detratores. Mas é rock. Ignorá-lo seria desmerecer melodias belas arranjadas com um quê de rock progressivo. Destaques: Razões do Coração, No Meio da Cidade, Espelho das Águas, Mesmo de Brincadeira.


CAETANO VELOSO - Outras Palavras (1981)

Não seria exagero considerar este como o melhor disco de Caetano. Tem "Rapte-me Camaleoa", ou, pop perfeito. Tem a faixa título e ainda "Lua e Estrela". E tem muito mais. Um disco super redondo, com a Outra Banda da Terra.


JOÃO DONATO - Leilíadas (1986)

Um dos discos mais bonitos e tocantes que já ouvi. Leilas para todos os gostos (Leila é o nome de todas as faixas do disco, com o número para diferenciá-las).


IRA - Vivendo e não Aprendendo (1986)

Este segundo disco do Ira não traz nada de novo. É apenas mais um disco da banda que não sabia se queria ser Who ou Jam. Mas é inspiradíssimo. Canções primorosas muito bem tocadas. E Edgard Scandurra é um monstro na guitarra. Talvez só comparável ao Pepeu a ao Armandinho. Destaques: Dias de Luta, Envelheço na Cidade, Vitrine Viva.


LEGIÃO URBANA - Dois (1986)

Da geração prolífica dos anos 80, tinha muita coisa pra colocar. Capital Inicial, Camisa de Vênus, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor, RPM, todos mereciam ter um álbum na lista. Sem contar inúmeras bandas independentes e geniais como Fellini, Mercenárias, Akira S. e as Garotas que Erraram, Nau e Cabine C. Escolhi Legião e Titãs por terem feito os discos mais fortes e bons de ouvir da época (critério de desempate discutível, mas qual não seria?). Beneficiados, é certo, pelo Plano Cruzado, que aumentou o consumo criando um estouro de vendas de discos (basta ver o número de discos de 86 na lista) criaram pérolas de rock juvenil. A banda de Renato Russo fez, a rigor, dois grandes discos. Este e o quinto, nos quais atingiram o máximo na mistura de letras auto confessionais com boas melodias pop. Renato provou aqui ser um grande letrista, refletindo os anseios de sua geração. Mas tudo isso é clichê barato. Fique com a música que é inspirada. Destaques: Andrea Dória, Tempo Perdido, Indios.


REPLICANTES - O Futuro é Vortex (1986)

Impossível ouvir este disco sem um largo sorriso no rosto. Irreverência e humor em punks inspiradíssimos. Clássico indispensável. Não saia por aí dizendo não ter esse disco. Você vai passar vergonha. Destaques: Boy do Subterrâneo, Hippie Punk Hajinish, Motel da Esquina, Mulher Enrustida.


PICASSOS FALSOS - Picassos Falsos (1987)

Esta provavelmente é a melhor banda de rock brasileiro dos anos 80. Sempre subestimada, lembra, em seus momentos menos bons, o melhor do Capital Inicial. Nos melhores, a guitarra de Luiz Gustavo dá o tom, com seus esporros sonoros à Sonic Youth. Injustamente, a banda só gravou mais um disco, o sublime Supercarioca, que ficou ausente desta lista por muito pouco. Destaques: Carne e Osso, Quadrinhos, Últimos Carnavais.


PATIFE (BAND) - Corredor Polonês (1987)

Um dos discos mais geniais do rock brazuca. O irmão de Arrigo mostra que apreendeu direitinho o que ouviu nas sessões de Clara Crocodilo que participou. Sua mistura de punk, pós-punk, free jazz e progressivo resulta num clássico de ecletismo inacreditável. Destaques: Tô Tenso (de Arrido e Itamar, os grandes canalhas), Vida de Operário e Maria Louca.


CAETANO VELOSO e GILBERTO GIL - Tropicália 2 (1993)

Podem me crucificar, mas este Tropicália 2 é melhor que o Tropicália original. Ao menos sua presença por aqui nunca esteve ameaçada, como a do outro. Pudera, com faixas excelentes como "Haiti", "Tradição", e a versão deles para "Wait Until Tomorrow", do Jimi Hendrix, fica fácil.


ITAMAR ASSUMPÇÃO - Bicho de Sete Cabeças (a Trilogia, em vinil) (1993-1994)

Uma pequena trapaça. A trilogia (em vinil), composta de dois CDs. Itamar merece.


MARISA MONTE - Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão (1994)

Não se pode culpar Marisa Monte (nem Adriana Calcanhoto), pela profusão uniformizada de cantoras que soam caricaturas de grandes divas do passado. Marisa, em seu terceiro disco, se livrou definitivamente do espectro de Gal Costa, sem deixar de lado a influência, claro. Em discos recentes, a cantora provou que ainda é muito superior a todas as outras que vieram em sua cola.

Destaques: Dança da Solidão, De Mais Ninguém, Alta Noite, Esta Melodia.


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Os 17 discos que caíram fora por causa do limite de três por autor (uma injustiça?):

ROBERTO CARLOS - O Inimitável (1968)

MUTANTES - Mutantes (1969)

ROBERTO CARLOS - Roberto Carlos (1971)

CHICO BUARQUE - Chico Canta (1973)

NOVOS BAIANOS - Novos Baianos (1974)

NOVOS BAIANOS - Vamos Pro Mundo (1974)

CAETANO VELOSO - Qualquer Coisa (1975)

JORGE BEN - África Brasil (1976)

NOVOS BAIANOS - Caia na Estrada e Perigas Ver (1976)

ROBERTO CARLOS - Roberto Carlos (1977)

CHICO BUARQUE - Vida (1979)

CHICO BUARQUE E EDU LOBO - O Grande Circo Místico (1981)

CAETANO VELOSO - Velô (1984)

CAETANO VELOSO - Circuladô (1991)

CAETANO VELOSO e JORGE MAUTNER - Eu Não Peço Desculpa (2004)

CAETANO VELOSO - Cê (2007)

TOM ZÉ - Estudando o Pagode (2004)

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Os 27 discos que caíram fora no último grande corte (foram três cortes ao todo):

EDU LOBO - Cantiga de Longe (1970)

RONNIE VON - Minha Máquina Voadora (1970)

JOÃO DONATO - A Bad Donato (1970)

MARCOS VALLE - Garra (1971)

EUMIR DEODATO - Percepção (1972)

EGBERTO GISMONTI - Água e Vinho (1972)

MARIA BETHÂNIA - Drama (1972)

FRANCIS HIME - Francis Hime (1973)

SÁ, RODRIX E GUARABYRA - Terra (1973)

HERMETO PASCOAL - A Música Livre de Hermeto Pascoal (1973)

SOM IMAGINÁRIO - A Matança do Porco (1973)

O SOM NOSSO DE CADA DIA - Snegs (1974)

SÁ E GUARABYRA - Nunca (1974)

JOÃO BOSCO - Galos de Briga (1976)

BANDA BLACK RIO - Maria Fumaça (1977)

UNIÃO BLACK - União Black (1978)

BENDEGÓ - Bendegó (1979)

MORAIS MOREIRA - Bazar Brasileiro (1980)

OS BORGES - Os Borges (1980)

ULTRAJE A RIGOR - Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985)

TITÃS - Cabeça Dinossauro (1986)

JOÃO GILBERTO - João (1989)

JARDS MACALÉ - Let's Play That (1994)

THAÍDE E DJ HUM - Preste Atenção (1996)

ED MOTTA - Manual Prático para Festas, Bailes e Afins (1997)

RACIONAIS MC'S - Sobrevivendo no Inferno (1998)

RAPPIN' HOOD - Sujeito Homem (2001)