quinta-feira, junho 03, 2010

Yes, de 1969 a 1987


Direto ao ponto, uma passada pelos discos de uma das melhores bandas do tão incompreendido rock progressivo.


Yes (1969) * * * * 1/2

Estreia inspiradíssima de uma banda que se achava lixo perto do King Crimson. Consta que eles foram ver, ainda em 1969, um show da banda de Fripp e sairam desanimados demais. O que chama a atenção, nesses anos anteriores ao desbunde progressivo que eles ajudariam a fazer explodir, é a força das melodias, principalmente nas composições de Jon Anderson.

Destaques: Harold Land, Yesterday and Today, Survival.


Time and a Word (1970) * * * * *

Melodias perfeitas e execuções super trabalhadas, com Peter Banks e Tony Kaye arrasando. "Astral Traveller" é TOP 5 Yes, fácil. Já ouvi dizer que Steve Howe toca em várias do disco, mas nunca obtive confirmação para essa afirmação.

Destaques: Astral Traveller, Time and a Word, Sweet Dreams.


Yes Album (1971) * * * 1/2

Com Steve Howe no lugar de Peter Banks, a banda iria aos poucos chegar à cristalização de um som progressivo e místico, bem a ver com as aspirações de Anderson e Squire. Mas aqui as melodias são menos inspiradas que nos dois primeiros discos. É um belo disco, mas um pouco superestimado.

Destaques: Starship Trooper, A Venture, Perpetual Change.


Fragile (1972) * * * * *

Se você quiser comprar apenas um disco do Yes... Em Fragile, eles atingem o ápice do rock progressivo. Muito bem tocado, com a substituição de Kaye por Rick Wakeman (perdendo em punch, ganhando em técnica), é um disco sensacional, com quatro canções, todas excepcionais, e faixas curtas, representando cada integrante da banda, com destaque para "Mood for a Day", de Steve Howe.

Destaques: South Side of the Sky, Long Distance Runaround, Heart of Sunrise, Roundabout.


Close to the Edge (1972) * * * * 1/2

Com apenas três faixas, com destaque para a faixa-título, que preenche todo o lado A do LP, seria o disco que deflagraria uma crise na banda, completamente expurgada após o medíocre disco de estúdio que veio a seguir. Wakeman chamou o material deste disco de música para robôs, e ficaria ainda mais chateado com as pirações de Anderson em Tales From Topographic Ocean, mais conhecido como o disco que matou (com seu misticismo insuportável) boa parte da criatividade de Anderson.


Yessongs (1973) * * * *

Aqui abanda está no auge de suas habilidades técnicas. É um álbum triplo que tinha uma arte caprichada de Roger Dean, e saiu no Brasil com capa muito simplificada, envergonhando nosso mercado fonográfico.O som do CD é abafado, infelizmente. Não sei se houve uma nova remasterização para corrigir. Alan White substituiu o monstro da batera, Bill Bruford, durante a turnê.

Destaques: Excerpts from The Six Wives of Henry VIII, Heart of Sunrise, Long Distance Runaround, Close to the Edge.


Tales From Topographic Ocean (1974) * *

Um dos álbuns duplos mais chatos já feitos. Não tem como entender como a banda faria um troço assim entre Close to the Edge e Relayer, dois de seus melhores discos. O disco 1 até que se salva, mas o 2 é um tremendo porre de fanta uva com amendocrem vencido.


Relayer (1974) * * * * *

Sai Wakeman, entra Patrick Moraz. Neste disco, especificamente na suite "The Gates of Delirium", eles atingem o grau máximo no quesito "incomodar vizinhos e mães". Muita gente o considera o grande álbum da banda, e talvez estejam certos, embora seja difícil acreditar num álbum sem Bruford como o melhor da banda. O ano é 1974, auge do jazz rock, com Jeff Beck Group, Mahavishnu Orchestra e o Return to Forever de Chick Corea bombando. Por isso Relayer tem um toque mais jazzístico que os antecessores.


Going for the One (1977) * * * *

"Parallels" (composta por Squire) é a canção mais impressionante do disco, e remete ao disco solo de Chris Squire, Fish Out of Water. Seria a pegada de Drama, disco que vem três anos depois. A faixa-título inicia com a barulheira que impregnava trechos de Relayer. E "Wonderous Stories" é dessas baladas mágicas, que vez ou outra essas bandas progressivas faziam como ninguém.


Tormato (1978) * *

Algums momentos dignos dentro das faixas, e apenas uma realmente - e por inteiro - boa: "Release Release".


Drama (1980) * * * *

Com a saída de Jon Anderson, podemos considerar este disco como Fish Out of Water volume 2, graças à sonoridade voltada para o baixo, lembrando o tão elogiado disco solo que Squire lançou em 1975. O exemplo perfeito dessa filiação é a faixa "Does it Really Happen", com um absurdo de baixo Rickenbacker.


90125 (1983) * * * 1/2

Intitulado com o número de série da versão original inglesa, este disco marca a volta de Jon Anderson e de Tony Kaye. Como nem tudo é perfeito, Steve Howe, outro mago, sai para a entrada de Trevor Rabin. É um belo disco da AOR, ao menos no inspirado lado A. O lado B já entorta um pouco.

Destaques: Leave it, It Can Happen, Changes.


9012 Live - The Solos (1985) * * 1/2

Um ao vivo irregular, talvez desnecessário, mas com seus momentos. Tem um solo de Rabin que lembra os de Howe, e termina com o acorde de "Soon", já mostrando qual a faixa que virá em seguida.

Destaques: Changes, Whitefish.


Big Generator (1987) * *

O AOR segue firme e forte com a interessante faixa de abertura, "Rhythm of Love", com belos backing vocals e uma melodia agradável. A faixa-título, que vem a seguir, já coloca tudo a perder, e mostra o que será o resto do álbum: melodias nada a ver com arranjos sem imaginação, com mais uma exceção: "Shoot High Aim Low", bela e climática balada.


De 1985 em diante muito pouca coisa de estúdio se salva na produção da banda, incluindo aí o estranho álbum Anderson Bruford Wakeman Howe. O destaque óbvio nesse caso vai para o revisionismo sinfônico das partes de estúdio de Keys to Ascension I e II, enquanto os momentos constrangedores se multiplicam pelos outros discos.

5 comentários:

Bleffe disse...

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Christiano disse...

Ótima lista. Eu só daria mais algumas estrelas para o Tormato.

Sérgio Alpendre disse...

sério, Christiano. Primeira pessoa que descubro que gosta desse disco.

Christiano disse...

Gosto muito. Mas reconheço que gosto de umas coisas estranhas...rsrsrs

Fernando disse...

Oi Sérgio. Não sabia que era "ligado" em música também, além de Cinema.Sua avaliação do Yes é correta. Eles sempre foram subestimados, suas músicas eram chamadas de "som bolo de noiva" (enfeitado ao máximo, mas de conteúdo pouco apetitoso). Passado o tempo vejo que eu estava certo em gostar deles. A maior parte de seus trabalhos são bons e uma boa parte deles é excelente. Quando do 1º Rock in Rio fiquei abismado com a qualidade dos seus integrantes, pois o som que vinha deles era perfeito (sem falhas), o que é tremendamente difícil de se conseguir em um show ao vivo, onde as pequenas falhas são normais, esperadas e, por isso, relevadas. Já o Moody Blues (um dos realmente pioneiros do Rock Progressivo), numa revisão, me parece que seus discos tem, com frequência, momentos muito chatos. Para eu ter prazer em ouvi-los tive que eliminar um bom número de faixas (o que é lamentável, pois boa parte de seus discos foram concebidos como uma obra dividida em partes.Eliminando uma faixa que seja, já torna a obra incompleta). Mas, nos seus melhores momentos, o Moody era fantástico. O jeito é ter os discos completos, mas sem abrir mão de uma versão "filtrada" para "queimar na vitrola". Um abraço.